Tipos de insulina

O que é insulina

Todas as pessoas têm pâncreas. As células beta do pâncreas são responsáveis pela produção e secreção de insulina, um hormônio que transporta a glicose que está na corrente sanguínea para dentro das células para ser usada como energia.

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Todos os carboidratos que a pessoa ingere são transformados em glicose, que vai para a corrente sanguínea e posteriormente para dentro das células.

Pessoas que têm diabetes tipo 1, diabetes tipo 2 ou diabetes gestacional precisam usar insulina. Todas as pessoas que foram diagnosticadas com diabetes tipo 1, sem exceção, precisam usar insulina. O tratamento do diabetes tipo 1 é através de aplicações diárias de insulina associadas à uma alimentação balanceada e atividade física regular.

Cerca de 30% dos diabéticos tipo 2 precisam usar insulina para controlar os seus níveis de glicose. Muitas vezes isso não significa que o paciente fez algo errado ou comeu muito doce. A comida não provoca diabetes, mas ela está relacionada à obesidade, que pode levar ao desenvolvimento de diabetes.

Algumas gestantes que desenvolvem o diabetes gestacional podem fazer o tratamento com insulina. Existem algumas insulinas, como a NPH e a detemir que são aprovadas para serem usadas em gestantes sem provocar danos ao bebê.

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Até 1922, quando foi produzida a primeira insulina em larga escala e começaram a comercializar, as pessoas que tinham diabetes viviam pouco, pois não tinham tratamento. A insulina é a 2° maior descoberta da medicina no mundo, perdendo apenas para a penicilina, que é um antibiótico.

Charles Best e Frederick Banting descobriram a insulina.

Como usar a insulina

Não existe insulina de uso oral (comprimido ou cápsula), pois a insulina é uma proteína e o ácido clorídrico no estômago, que serve para começar a digestão dos alimentos, vai inativar a insulina. Por isso, a insulina precisa ser injetável.

A insulina não pode ser injetada no músculo, ela precisa ser injetada no subcutâneo, uma camada de gordura embaixo da pele. Quando a insulina é aplicada no músculo, ela vai ter uma absorção mais rápida e pode levar a crises de hipoglicemia.

Existem vários tipos de insulina. O pâncreas que está funcionando normalmente, de pessoas que não têm diabetes, secreta insulina durante 24 horas por dia – é a chamada “insulina basal”. Quando a pessoa se alimenta (por exemplo, no café da manhã, almoço ou jantar), ela tem um pico de glicose na corrente sanguínea. Esse pico de glicose tem que ser menor que 140 até duras horas após a refeição, depois ela começa a cair novamente.

Quando uma pessoa que não tem diabetes se alimenta, o pâncreas aumenta a secreção de insulina.

As pessoas que têm diabetes têm dificuldade ou não têm produção de insulina pelas células beta do pâncreas, e por isso precisam de insulina injetável. Assim, elas têm a possibilidade de viver mais.

Em algumas pessoas que têm diabetes tipo 2, quando a medicação oral associada com atividade física e alimentação balanceada não estão fazendo o efeito esperado, a insulina pode ajudar.

Para alguns farmacêuticos, a insulina é o melhor medicamento para tratar diabetes. Se o médico prescreveu, a pessoa não deve ter medo de iniciar o tratamento com insulina.

Há relatos de pessoas diabéticas tipo 2 que demoram 2 ou 3 meses para ir à farmácia e começarem a aplicar a insulina. Com isso, os níveis de glicose estão sempre altos, o que é muito prejudicial para o corpo.

A diabetes é uma doença silenciosa, que não causa dor. Por isso, a pessoa acaba deixando o tratamento para depois.

A insulina é o medicamento mais antigo para o tratamento do diabetes, é o que vai levar a um melhor controle glicêmico e é o que tem menos efeitos colaterais.

O farmacêutico está apto a orientar ao paciente como deve ser feita a aplicação de insulina, qual é o melhor método (caneta ou seringa), etc. Existem insulinas que são distribuídas gratuitamente pelo Programa Farmácia Popular ou pelos postos de saúde. Também existem programas de benefícios de medicamentos com os quais a pessoa pode conseguir descontos.

O farmacêutico é o profissional de saúde ao qual a pessoa tem mais acesso, mais até que o próprio médico.

Tipos de insulina

Três aspectos diferem uma insulina da outra. O primeiro aspecto é o tempo de inicio de ação dessa insulina, que pode variar de 15 minutos até 1 a 2 horas.

O segundo aspecto é o tempo em que a insulina vai atingir o pico de ação dela – muitas vezes a pessoa precisa ter um pico de ação rápida. Quando a pessoa se alimenta, o pâncreas produz um pico de insulina. Portanto, é necessário simular o que o pâncreas faz, e as insulinas mais modernas que existem hoje no mercado conseguem simular isso perfeitamente.

O terceiro aspecto é o tempo de ação dessa insulina.

A insulina NPH é uma insulina intermediária. O tempo de duração dela pode variar entre as pessoas, entre 12 a 16 hora, e ela provoca um pico de ação. A insulina que o pâncreas de quem não tem diabetes produz é linear, não tem pico nenhum. Por isso, quando a pessoa se alimenta e tem carboidrato para duas horas após uma refeição, o pâncreas tem um estímulo e faz um pico de insulina.

As insulinas distribuídas pelo governo hoje são a NPH e a regular. A insulina regular tem ação rápida, e deve ser aplicada 30 minutos antes da refeição (pois ela só começará a agir depois de 30 minutos da refeição). O tempo zero da refeição é o momento em que a pessoa coloca a primeira garfada de comida na boca.

A insulina NPH tem um tempo de início de ação entre 1 a 2 horas. Ela tem um pico de ação após cerca de 6 a 8 horas, dependendo da pessoa. A insulina regular tem um início de ação de 30 minutos a 1 hora.

As insulinas ultrarrápidas, representadas pela lispro (de nome comercial Humalog), glulisina (Apidra) e aspart (NovoRapid), têm um tempo de ação mais curto que o da insulina regular, mas atingem um pico de ação muito similar àquele de quando as pessoas que não têm diabetes se alimentam.

A glargina (de nome comercial Lantus ou Tougeo), a detemir (Levemir) e a degludeca (Tresiba) são insulinas basais que não apresentam pico de ação. Se a pessoa usar uma insulina ultrarrápida associada com essas, ela consegue simular muito bem as funções do pâncreas.

As insulinas de ação lenta são a detemir (Levemir) e a glargina (Lantus). As insulinas de ação ultralentas são a degludeca (Tresiba) e a glargina 300ui (Tougeo).

Pré-misturas de insulina

Nas farmácias também é possível encontrar as pré-misturas. Hoje existem três tipos de pré-mistura: a NovoMix 30, a Humalog Mix 25 e a Humalog Mix 50. A novoMix 30 tem 70% de insulina basal misturado com 30% de insulina ultrarrápida; a Humalog Mix 25 tem 75% de insulina basal misturado com 25% de insulina ultrarrápida; e a Humalog Mix 50 tem 50% de insulina basal e 50% de insulina ultrarrápida.

O médico irá, junto com o paciente, escolher qual a melhor insulina para o organismo do paciente.

O tratamento de diabetes é individualizado. Uma insulina ser mais cara não quer dizer que ela irá funcionar melhor no corpo do paciente.

Tratamento medicamentoso

Para tratar diabetes com medicamentos, é necessário fazer testes para verificar se determinado medicamento está funcionando ou não. Fazer o teste de ponta de dedo é muito importante para saber se o tratamento está sendo eficaz ou não.

O paciente pode entrar em contato com o médico antes do tempo esperado para revisar o tratamento e fazer ajustes de dose.

Hipoglicemia

Uma pessoa relata que está tendo muitas quedas de glicose. Nesses casos, se a pessoa usa insulina, ela deve procurar um médico, pois às vezes é necessário ajustar a dose ou fazer um ajuste do tratamento em geral – por exemplo, diminuir a dose da insulina ou até mesmo trocar o tipo de insulina que está sendo utilizado. Assim, a pessoa consegue diminuir as crises de hipoglicemia.

Indicação da insulina

Uma mãe relata que o filho de 8 anos tem 2 meses de diagnóstico de diabetes e está usando insulina NPH. A pessoa pode começar o tratamento com insulina NPH e mudar de insulina posteriormente. Isso é uma decisão a ser tomada entre a mãe, o filho e médico, que é o profissional que saberá qual insulina é indicada ou não.

Tremores e hipoglicemia

Tremores podem ser um sintoma de hipoglicemia. O ideal é a pessoa fazer o teste de ponta de dedo usando um aparelho medidor de glicose para saber qual o nível de glicose e verificar se é uma hipoglicemia ou não. É possível tratar a hipoglicemia com uma ingestão de carboidrato simples, que é absorvido mais rápido e eleva os níveis de glicose para os níveis corretos, parando os tremores.

Chá de insulina

Tomar chá de insulina não é a mesma coisa que a insulina aplicada. O chá de insulina não é a insulina injetável, mas simplesmente uma substância que tem efeitos hipoglicemiantes – ou seja, ajuda a baixar a glicose no sangue. Ele não é indicado para quem diabetes tipo 1.

Quem tem diabetes tipo 2 deve tomar cuidado, pois pode abandonar o tratamento convencional para tomar o chá de insulina, não fazer mais os controles glicêmicos que precisam ser feitos, deixar de ir ao médico, perceber tardiamente que fez algo errado e ter complicação instalada.

O chá pode mascarar efeitos indesejáveis.

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CRM: 124205. Doutorado em andamento em Endocrinologia e Metabologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Residência em Clínica Médica pelo Hospital Geral de Pedreira. Aperfeiçoamento em Medicina Tropical (Hanseníase) pela Universidade Federal de Alagoas (2006). Graduação em Medicina pela Universidad de Montemorelos (1997-2005). Título de Especialista em Endocrinologia e Metabologia pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (2013). Médica endocrinologista da Prefeitura Municipal de Carapicuíba (2013-atual). Médica endocrinologista da Prefeitura Municipal de Cotia (2007-2016). Médica do Programa Saúde da Família da Prefeitura Municipal de Vargem Grande Paulista (2006-2007).