Terapia capilar

Conhecimentos em tricologia e tricoterapia

A tricologia é uma ramificação da dermatologia que estuda tanto o couro cabeludo quanto o cabelo (um anexo da pele), com o propósito de sanar doenças deles.

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Na tricoterapia coloca-se em prática todo o conhecimento teórico e científico, adquirido por meio de análise e observação. Existe todo um processo para que esse tratamento seja realizado, e profissionais que trabalham para a excelência dele, como dermatologistas ou tricologistas (estes têm uma especialização maior em doenças do cabelo e do couro cabeludo). Os médicos diagnosticam a patologia que acomete o paciente.

Os profissionais em clínicas médicas e salões de beleza tratam pústulas, edema ou prurido (coceira) no couro cabeludo, queda capilar (focal ou difusa), etc.

Muitas vezes a pessoa que chega ao salão de beleza não se dirigiu a uma clínica médica, ou procurou um médico não especialista. Uma consulta com um tricologista pode chegar a R$400,00 ou R$500,00. Por isso, muitas vezes o profissional de estética pode oferecer uma possibilidade de tratamento, que não entre na esfera médica, dentro de seus conhecimentos de tricologia e tricoterapia.

Há coisas que competem ao tricologista e outras ao terapeuta capilar. Muitas vezes eles trabalham de forma conjunta, cada um com seu papel.

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Protocolo de tratamento da tricoterapia

A tricoterapia compreende quatro fases: avaliação, teste de resistência da haste capilar, perfil laboratorial e estabelecimento do protocolo de tratamento.

O perfil laboratorial é uma etapa médica, que não pertence ao terapeuta capilar. Porém, as outras etapas podem ser trabalhadas pelo tricologista ou pelo terapeuta capilar.

Avaliação microscópica

Na avaliação da tricoterapia utiliza-se um microscópio ótico digital para analisar o couro cabeludo e a haste capilar (videodermatoscopia). Existem diferentes microscópios: o que aumenta o fio de cabelo em 500 vezes, o que aumenta 1.000, 1.500, 2.000, até o de varredura digital, que aumenta 2.500 vezes – alguns deles são baratos e podem ser comprados pela internet. Assim, é possível observar se no couro cabeludo existe algum processo inflamatório, excesso de oleosidade, vermelhidão, alguma área com pouca densidade capilar, etc. Também é possível analisar a haste capilar, observando se nela existe algum tipo de enfermidade, como a tricorrexe nodosa.

O microscópio tem uma luz que ilumina o couro cabeludo. Ele pode gravar tanto vídeos quanto fotos e transmiti-los para um computador.

Anamnese

O paciente preenche uma ficha de anamnese em que responde várias perguntas em relação a sua saúde (se tem enfermidades, se toma medicamentos, se tem histórico clínico que colabore para a queda capilar ou algum problema no couro cabeludo).

Teste de resistência da haste

Em laboratório, existe uma máquina em que se prende as duas extremidades do fio de cabelo, e que, quando acionada, estica o fio até que ele se rompa, testando a resistência dele. É possível fazer esse teste com as próprias mãos, puxando a haste capilar com o fio seco (nunca molhado) para verificar se ele rompe ou não. Com esse isso, identifica-se o grau de comprometimento da haste capilar: se ela está em processo de fratura, se está sensibilizada, se está plástica, porosa, etc.

O cabelo que é elástico é comum, já que tem certa elasticidade já o plástico é aquele que, se tracionado, não volta ao estado original e continua deformado. Isso é uma patologia da fibra capilar.

Perfil laboratorial do paciente

No perfil laboratorial são feitos vários exames, como de sangue e hormonais. Se houver uma patologia sistêmica que cause queda de cabelo, o tratamento será de uma forma, se não, de outra. O médico, em poder desses exames, prescreve os medicamentos.

No exame laboratorial são determinados, por exemplo, o perfil nutricional e o metabólico, e detectadas alterações hormonais e doenças autoimunes. Por exemplo, uma pessoa pode estar com queda de cabelo porque o sangue dela está carente de ferro (anemia). É o médico que investiga isso, e não um profissional de salão de beleza.

Problemas como hipertireoidismo e hipotireoidismo podem provocar queda de cabelo.

Tumores – como no ovário, no útero, ou na próstata – podem gerar disfunções hormonais que também causam perda capilar.

Doenças autoimunes são aquelas em que o sistema imunológico (de defesa) – que identifica e destrói invasores (bactérias, fungos, vírus, etc.) – começa a combater o próprio organismo. Um exemplo desse tipo de enfermidade é o lúpus, e dependendo da patologia, pode redundar em queda capilar.

Protocolo de tratamento na tricoterapia

Tendo o conhecimento do fator causal da queda de cabelo ou do problema do couro cabeludo, se está apto para estabelecer um protocolo de tratamento, com ativos orais – polivitamínicos e minerais para suprir deficiências que gerem queda de cabelo –, tópicos – medicamentos ou fitoterápicos, na forma de loções, espumas ou outras, aplicados no couro cabeludo – e/ou intradérmicos – podendo ser introduzidos pela técnica de microagulhamento, em que o couro cabeludo é perfurado para que o ativo tenha maior penetração, ou por meio de injeções aplicadas pelo médico.

Tratamento intensivo de tricoterapia

O tratamento intensivo dura em média 3 meses, com 24 sessões de tricoterapia, duas vezes por semana, em um salão de beleza ou clínica de tratamento capilar.

Durante esse período, é possível fazer argiloterapia, utilizar óleos essenciais, cosméticos (fatores de crescimento), massoterapia, laser de alta frequência, microcorrente e microagulhamento. Esses tratamentos podem ser alternados ou feitos em ordem progressiva, cada um tentando reverter determinado problema.

Fatores de crescimento

Os cosméticos, ou muitas vezes cosmecêuticos, que compõem os fatores de crescimento, geralmente atuam na base do folículo piloso, onde as células se multiplicam por mitose e o cabelo é formado (córtex, medula e cutículas), ali existem microvasos sanguíneos.

Esses ativos agem na parte papilar matricial, contribuindo para que as células tenham melhor oxigenação e recebam mais nutrientes, e com isso cumpram melhor o seu papel de multiplicar o tecido capilar (o fio de cabelo é um tecido).

Fitoterápicos

Fitoterápicos são drogas produzidas por meio de plantas medicinais – por exemplo, a babosa, planta muito famosa e excelente para os cabelos –, que têm ação benéfica para o organismo e eventualmente efeitos colaterais.

Massoterapia

Massoterapia é uma massagem que pode ser realizada no couro cabeludo, manipulado com o propósito de estimular os vasos capilares para melhor irrigação sanguínea e relaxamento dessas regiões. Isso potencializa o tratamento capilar.

Resultados da terapia capilar

A partir da 4ª sessão (segunda semana), pode surgir foliculite na pessoa, uma inflamação do folículo piloso, que muitas vezes pode ter certa obstrução no óstio. Durante o tratamento, o folículo é agredido. Isso gera um processo inflamatório, porém, benéfico, pois ocorre devido à haste capilar ascender.

A partir da 8ª sessão, pode ocorrer diminuição da queda de cabelo, e a partir da 15ª, os pelos enfraquecidos entram na fase anágena e reaparecem.

Normalmente demora 4 meses do início do tratamento até o cabelo ser produzido e crescer.

Na última sessão, é possível ver ascenderem os pelos terminais, que são mais espessos, e a diminuição da queda capilar.

A manutenção do tratamento envolve sessões de 50 minutos durante 6 meses, para fortalecer os fios.