Solução para queda de cabelo

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Calvície e restauração capilar

A alopecia androgenética é um problema hereditário e progressivo. A perda pode ser rápida ou mais lenta. Há soluções para o restauro capilar, mas é preciso analisar cada caso para determinar se há necessidade de tratamento cirúrgico, clínico, ambos ou nenhum dos dois.

Técnica de transplante capilar FUT

A técnica de transplante capilar tradicional, chamada FUT (Follicular Unit Transplantation), consiste na retirada de um fuso de pele da região occipital, mas pode estender-se até a temporal. Profissionais, com auxílio de microscópio, manipulam esse fuso, individualizam as unidades foliculares que podem conter de um a, eventualmente, quatro fios, e redistribuem-nos no local receptor.

Técnica de transplante capilar FUE

Uma variação dessa técnica, desenvolvida recentemente, chama-se FUE (Folicular Unit Extraction) que, por não necessitar de remoção do fuso de pele da região posterior da cabeça, não culmina na cicatriz que a FUT propicia. Pela FUE, a vantagem é não haver incisão ou sutura. Ao contrário, trabalha-se com micropunchs, diferentes dos anteriores, muito grandes, de 5 ou 6 mm de diâmetro, o que acarretava resultados artificiais, os cognominados cabelo de boneca ou plantação de milho, porque se extraíam inúmeras unidades foliculares. Hoje,  três ou quatro dias após a FUE, só se formam, nas localidades de onde se tiraram os fios, cascas que desaparecerão sem cicatriz.

Os punchs atuais têm diâmetros de 0,7 a, no máximo, 1,2 mm, ou seja, são diminutos tubos vazados, tão finos que, quando se removem os enxertos, é possível retirar as unidades foliculares uma a uma.

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Tratamentos capilares clínico e cirúrgico

O tratamento cirúrgico tem a função de recolocar os fios em uma área sem cabelo; por sua vez, o clínico restaura fios pequenos e finos, mas não promove o renascimento dos que perderam o bulbo capilar, o que só é possível por transplante.

Como a calvície é progressiva, de grau 1 a 7, se o paciente se submeter a transplante e não cuidar da perda capilar, o problema continuará evoluindo, porque, apesar de a terapêutica clínica não fazer crescer cabelo, encorpa os miniaturizados.

Se tiver atingido determinado grau de estabilização da calvície, a pessoa pode passar apenas por cirurgia, ou ainda, em estágio muito precoce de perda de cabelo, quando ainda não é visível nenhuma rarefação, mas há queda, somente por tratamento clínico.

Instrumentos e ferramentas utilizadas nos procedimentos de transplante capilar

Na FUE e na FUT, usam-se instrumentos laboratoriais, como o microscópio. Na primeira, o enxerto está praticamente pronto para o implante.

Número de enxertos possíveis segundo a técnica empregada

A escolha da técnica a se empregar define-se em conversa entre médico e paciente. Na FUE, conseguem-se implantar mais de mil unidades foliculares, número menor que na FUT, que chega a aproximadamente duas mil e quinhentas em única megassessão. Porém o número de enxertos é distinto do de fios. Se se realizar uma cirurgia com duas mil e quinhentas unidades foliculares, fazem-se dois mil e quinhentos enxertos. Se quinhentos folículos forem de um fio; mil, de dois e mil, de três, temos cinco mil e quinhentos fios.

Área doadora e proporção dos fios

O cabelo transplantado deve ser do próprio paciente, caso contrário, não haverá aderência e o organismo o rejeitará. Dessa forma, se houver desproporção muito grande entre a área doadora e a receptora, o procedimento não terá bom resultado e será mesmo contraindicado algumas vezes, visto que não é possível multiplicar os fios, apenas extraí-los e reaplicá-los no couro cabeludo.

Tempo de cirurgia

O tempo de cirurgia depende da quantidade de enxertos a se fazerem. Uma megassessão dura ao menos seis horas.

Raspagem do cabelo

A diferença básica entre FUE e FUT é que, na primeira, não há incisão e o paciente geralmente precisa antes rapar a cabeça, motivo por que muitas mulheres a repelem. Ademais, por vezes, não se recomenda a FUE para elas por razões técnicas.

Em alguns casos, pode-se proceder à FUE sem rapar completamente a cabeça, no entanto, quanto maior a restrição à região doadora, menor será o número de enxertos.

Pré-operatório

Em geral, no pré-operatório, solicita-se avaliação cardiológica e exames de sangue, como hemograma e coagulograma, além de documentação fotográfica. Se a pessoa tem algum problema, deve corrigi-lo antes da intervenção, que, de modo geral, é amena, quase sempre com anestesia local e sedação.

Cuidados pós-operatórios

O paciente deve fazer repouso relativo no pós-operatório. Muitas vezes vai para casa andando, nunca dirigindo porque se encontra sob efeito residual de sedativos. Alguns cuidados é preciso tomar. Na FUT, ele terá uma cicatriz com pontos na parte posterior da cabeça; na FUE, uma série de pontos diminutos, similares a incisões feitas com agulhas. Em razão disso, deve colocar uma toalha sobre o travesseiro para não encostar diretamente nele e, nas três primeiras noites, dormir com a cabeça levemente elevada.

Quando o procedimento é mais extenso e inclui a região anterior da cabeça, ocasionalmente surge edema nas pálpebras e, para isso, aconselham-se compressas de água.

Na FUE, a cicatrização ocorre em três a quatro dias. Como o cabelo cresce, em média, de 0,5 a 1 cm ao mês, a área rapada leva algum tempo para retornar ao comprimento habitual.

Também se receitam analgésicos e anti-inflamatórios; antibióticos, não.

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CRM: 91128. Doutorado em Dermatologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (2009-2012). Mestrado em Dermatologia Clínica e Cirúrgica pela Universidade Federal de São Paulo (2001-2006). Residência médica em Dermatologia pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (1998-2001). Graduação em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (1992-1997). Pós-Doutorado em pesquisa em dermatologia pela Emory University School of Medicine, Atlanta, GA, EUA. Professor-assistente de dermatologia na Universidade de Mogi das Cruzes (2005-2006). Médico-assistente do Serviço de Dermatologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (2006-2012). Médico chefe do Serviço de Dermatologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (2012-2014). Coordenador do programa de residência médica em Dermatologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (2019-2012). Coordenador de todos os programas de aperfeiçoamento/especialização médicos da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (2011-2014).