Ronco

Ronco e apneia

Segundo a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, o ronco frequente e alto à noite somado à sonolência excessiva durante o dia, em 90% dos casos, são sinais da síndrome da apneia obstrutiva do sono, doença crônica com alto grau de mortalidade, porque a pessoa afetada para de respirar durante a noite.

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Alguns ficam mais de dois minutos sem respirar, o que faz o nível de oxigênio despencar progressivamente, enquanto o volume de gás carbônico se acumula. Isso pode levar muitos portadores dessa enfermidade a apresentar arritmia cardíaca ou algum processo vascular (derrame ou problema similar) e chegar a uma parada cardíaca.

O que é o ronco?

O ronco é a manifestação da dificuldade da passagem do ar pelo sistema respiratório e a obesidade é um dos fatores que contribuem para isso. Normalmente, o ronco começa a se evidenciar nos homens entre os trinta  e os trinta e cinco anos e, na mulher, a partir dos cinquenta anos, passada a menopausa, o que culmina na perda da proteção dos hormônios que evitam a flacidez muscular da garganta. Então, até os cinquenta anos, a estatística é de quatro homens roncadores para cada mulher. Depois dessa faixa etária, há equilíbrio dessa ocorrência entre os dois sexos.

Há um tipo de fisioterapia voltado para a musculatura da faringe com o fim de ela ficar mais firme e, assim, o indivíduo roncar menos.

Causas

Qualquer obstrução, como o aumento de adenoide ou de amígdalas, principalmente em crianças, pode provocar ronco.

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Ronco e acidentes de trânsito

O grande problema que o ronco provoca é a sonolência durante o dia, porque a pessoa dorme mal, não descansa de forma adequada à noite. Nos Estados Unidos, 70% dos acidentes com óbitos nas estradas são causados por pessoas que dormiram ao volante. Lá, para obter carteira de motorista profissional, o indivíduo deve-se submeter à polissonografia a fim de verificar se tem apneia.

Dormir com barriga para cima favorece o ronco

Durante o sono, a flacidez na musculatura da língua faz com que ela se rebaixe, em razão do que a pessoa acaba roncando. Ela respira, mas o baixo nível de oxigenação faz o cérebro enviar uma mensagem para a língua voltar à posição inicial. Caso a flacidez afete também a úvula, ela desce juntamente com a língua e isso se intensifica se o indivíduo estiver dormindo de barriga para cima. Se estiver de bruços, o problema será menor, inclusive o ronco.

Ronco e apneia do sono

A flacidez do palato mole somada à da musculatura que sustenta a língua faz com que o ar que entra pelo nariz e segue seu curso até o pulmão seja obstruído na faringe. O problema decorre do fechamento das vias aéreas: se parcial, o indivíduo apenas ronca, se total, ele tem apneia e para de respirar porque se interrompem a entrada do oxigênio e a saída do gás carbônico. Essa situação suscita uma acidose respiratória, que forma um coágulo no sangue.

Jovens também roncam

Normalmente o jovem ronca por outras obstruções, como desvio de septo, rinite alérgica, sinusite, etc., distúrbios que provocam inchaço da mucosa e fazem diminuir a passagem de ar. Assim, ao abrir a boca, porque o nariz está entupido, ele começa a roncar em virtude das vibrações desses tecidos.

Na criança, o incômodo ocorre pelo crescimento exagerado das amígdalas e das adenoides, que também impedem a passagem do ar e resultam em ronco.

Já o ronco relacionado à idade provém da flacidez muscular, que tem fator genético, logo, se pertencer a uma família de roncadores, o indivíduo tem maior propensão a também se tornar um. Porém há pessoas com sessenta anos ou mais que não desenvolvem esse transtorno.

Em resumo, qualquer que seja a causa, se se obstruir a passagem do ar, haverá ronco e apneia.

Ronco e bebidas alcoólicas

Como é relaxante, o álcool aumenta a flacidez do palato mole e da língua e rebaixa-os. Por essa razão, os médicos costumam pedir aos apneicos que evitem bebidas alcoólicas a partir das 16 horas. Desse modo, evidentemente de acordo com a quantidade ingerida, o efeito se dissipará até a noite.

Respirar pela boca favorece o ronco

A respiração pela boca faz com que os tecidos, tanto da faringe quanto do palato, vibrem e deem origem ao ruído característico do ronco.

Inchaço da carne esponjosa causa ronco

A parte interna do nariz é constituída por três cornetos, que, se incharem, obstruirão a passagem do ar. Qualquer processo inflamatório, como a rinite alérgica, pode causar isso, e o problema tende a piorar durante o inverno, já que o ar fica mais seco e frio, situação em que o nariz incha para aquecer o ar. Por consequência, o ronco piora significativamente.

Nem toda pessoa que ronca tem apneia

Para o diagnóstico, a pessoa precisa dormir em uma clínica do sono, onde é monitorada por um exame chamado polissonografia. Desse modo, é possível perceber se ela ronca e se apresenta paradas respiratórias. Ademais, ela também se submete a eletroencefalogramas e a eletrocardiogramas durante toda a noite, além de a medições dos níveis de gás carbônico e de oxigênio e à análise da expansão pulmonar.

Como tratar a apneia

As apneias, classificadas como leve, moderada e grave, podem ser tratadas clínica ou cirurgicamente.

CPAP

O tratamento clínico mais recorrente para essa doença é a utilização de um artefato chamado CPAP. Nesse caso, antes de dormir, o paciente coloca, no nariz, uma máscara ligada a um compressor responsável por vencer a resistência que impede o fluxo de ar. Desse modo, ele respira normalmente, ou seja, sem roncar e sem correr o risco de sofrer uma hipóxia (diminuição do oxigênio no sangue e nos tecidos).

O tamanho do CPAP é aproximadamente o de um aparelho telefônico e a máscara, feita de silicone, mas, em casos leves de apneia do sono, não se emprega esse método.

Tratamento cirúrgico

Além da polissonografia, o paciente também pode passar por uma endoscopia, procedimento pelo qual uma sonda atravessa o nariz, vai até a laringe e possibilita que o médico analise todo o trajeto do ar e constate se, na área, há alguma obstrução produzida por estenose.

Se esse bloqueio se dever a um desvio de septo, por exemplo, o indivíduo submete-se a uma septoplastia, se se relacionar ao aumento dos cornetos, é necessário efetuar uma turbinectomia, se se associar a uma hipertrofia de amígdala ou adenoide, essa será a região da cirurgia.

Se a língua estiver indo para trás, há intervenções que a impulsionam para a frente e a prendem à mandíbula. Nessas circunstâncias, ela permanece ligeiramente avançada durante alguns dias e posteriormente se acomoda e cria uma espécie de túnel, o que contribui para a pessoa dormir tranquilamente.

Se o palato mole estiver muito caído e hipertrofiado, realizam-se procedimentos de redução para lhe recuperar o estado normal.

Quando a pessoa tem a face torta, procede-se à cirurgia ortognática.

Roncar é normal?

O número estimado de roncadores com apneia nos Estados Unidos chega a dezoito milhões de pessoas. No Brasil, sabe-se que uma parcela muito grande da população ronca, mas subestima o problema por acreditar que é um fato normal, provocado pelo cansaço.

Assim como se identifica a febre por meio da temperatura alta, avalia-se o ronco de acordo com o barulho emitido. Como muitas vezes o ronco do marido ou da mulher atrapalha consideravelmente o sono do parceiro, esse é um problema do casal.

O ronco é o sintoma inicial da doença chamada apneia do sono. Quando vinculado a determinada posição exclusiva para dormir ou quando eventual, ele não deve preocupar, porém, se persistir seja em adultos seja em crianças, é preciso investigar-lhe as causas.

O ronco atinge crianças e adultos

A criança que ronca todos os dias, dorme com a boca aberta e tem sono agitado pode ter algum tipo de obstrução respiratória, como adenoide, conhecida como carne esponjosa, ou amígdalas grandes, além de um quadro alérgico como, por exemplo, rinite.

Obesidade e ronco

O ganho de peso é um dos principais responsáveis pelo ronco e pela apneia, em virtude da deposição de gordura na garganta.

É comum as pessoas alegarem que, mesmo sem comer muito, estão engordando desproporcionalmente e, na maioria das vezes, atribuírem o ronco a isso, no entanto engordar costuma ser um problema endocrinológico provocado pela apneia.

Ronco tem cura?

Os tratamentos da apneia do sono podem ser cirúrgicos ou baseados no uso de um equipamento chamado CPAP. Por fim, estão em fase experimental injeções aplicadas no céu da boca com o objetivo de enrijecer a região e diminuir a vibração do palato.

Pessoas que roncam, mas não têm apneia representam um porcentual muito pequeno.

Há cura para o ronco principalmente de crianças com amígdalas grandes ou adenoide muito ampla. Geralmente, elas param de roncar depois da cirurgia, que desobstrui as vias aéreas.

Quando não se trata de apneia, o ronco, por não ser uma doença, não costuma atrair muito investimento para se desenvolverem soluções de tratamento.

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CRM: 70468. Residência médica em Otorrinolaringologia pelo Hospital Universitário Getúlio Vargas (2011-2014). Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Amazonas (2004-2010). Especialização em Fellowship em Cirurgia Otorrinolaringológica pelo Instituto Paranaense de Otorrinolaringologia (2014-2015). Médica Otorrinolaringologista do Hospital Adventista de Manaus (2015-atual). Médica Otorrinolaringologista da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (2016-atual). Médica Otorrinolaringologista do Hospital Universitário Getúlio Vargas (2016-atual). Médica da Estratégia de Saúde da Família da Prefeitura Municipal de Iranduba (2010-2011). Médica da Estratégia de Saúde da Família da Prefeitura Municipal de Itacoatiara (2010).