Reposição hormonal na menopausa

Reposição hormonal e câncer de mama

O grande medo das mulheres está relacionado ao mito de que a reposição hormonal aumenta o risco de câncer de mama.

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Nas mulheres que não têm útero, a terapêutica consiste somente no uso de estrogênio. Nas que têm útero, os médicos usam estrogênio e progesterona, para copiar o ciclo menstrual e proteger a camada interna do útero – que é a única função da progesterona.

De acordo com estudos, “a vilã” do câncer de mama é a progesterona, e não o estrogênio. Hoje se está na 6.ª geração de progesterona, e utilizam-se progestágenos naturais, com menos efeitos deletérios.

A mulher pode escolher entre reposição hormonal via oral ou não. A diferença entre esses métodos é que, quando se toma um comprimido de estrogênio, ele passa pelo fígado, e isso promove a secreção de substâncias indesejáveis, e pode aumentar a pressão arterial, fatores inflamatórios e de coagulação.

De maneira geral, os médicos preferem a via não-oral, que pode ser por meio de gel de estradiol – que deve ser utilizado todos os dias – ou adesivos – duas vezes por semana –, a depender da decisão da paciente.

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Janela de oportunidade

A janela de oportunidade é o período ideal que a mulher tem para começar a reposição, no qual os benefícios superam os riscos. O tempo da janela é variável e discutido em congressos. Porém, o ideal é que a mulher comece a reposição hormonal até 6 anos após o início da menopausa.

Se suspeitar de falência ovariana, procure um especialista. Quanto antes começar o tratamento, melhores tendem a ser os resultados.

Tipos de reposição hormonal

A mulher que não faz reposição hormonal perde qualidade de vida, pois o estrogênio lhe dá massa muscular e força.

Quando a reposição hormonal é indicada, ela é necessária, pois há déficit hormonal. O profissional que atende a paciente define se a reposição será convencional ou fitoterápica.

Quando a mulher tem calorões muito fortes, ela necessita de tratamento alopata, não à base de ervas.

Mulheres que têm fatores de risco de primeiro grau, por exemplo, as que têm mães, tias, avós, irmãs ou primas com câncer de mama, não podem ingerir medicamento convencional, pois já têm no genoma a predisposição para o câncer de mama.

Deve-se evitar tudo aquilo que acelera o desenvolvimento de um tumor, como o tabagismo e até mesmo alguns alimentos (como os com gorduras trans).

Existem mulheres que têm varizes destacadas, principalmente na panturrilha, podendo formar trombos. Nesse caso, somente a reposição hormonal fitoterápica pode ser realizada, a outra poderá ocasionar problemas.

Reposição hormonal e AVC

Climatério é sinônimo de pré-menopausa. Uma mulher que teve AVC pode fazer reposição hormonal, e quando bem feita, o risco de AVC é reduzido. A elasticidade das coronárias e da parte vascular cerebral está relacionada à quantidade de hormônios no organismo.

Sintomas da menopausa

Os sintomas da menopausa – como fogachos (“calorões”), irritabilidade, redução da libido, menstruação irregular, insônia, dificuldade de concentração, alterações na pele e nos cabelos, perda da massa muscular e óssea – normalmente começam a aparecer entre os 45 e 50 anos.

Para algumas mulheres, essa etapa de transição não causa grandes desconfortos. Outras apresentam sintomas tão intensos que a qualidade de vida acaba sendo bastante prejudicada, e para elas os médicos indicam terapia hormonal.

Duração da reposição hormonal

Há relatos de uma mulher com 70 anos de idade que tomou hormônio durante 15 anos. Ela deixou de tomar há 5 anos, pois pensou que não teria mais calores, mas ainda os tem, e está tomando fitoterápicos.

Alguns estudos afirmam que só se pode tomar hormônios durante 5 anos, outros cravam até 10 anos, e outros até 15 anos.Estudos internacionais comprovam que o medicamento deve ser usado quando houver déficit hormonal e a mulher estiver tendo sintomas, não é uma questão somente de quanto tempo tomar (que é um dos fatores avaliados).

A pessoa pode ter tomado hormônio durante 15 anos e, após parar, o corpo sentiu a falta dele, que então é suprida com os fitoterápicos, o que é o ideal.

Reposição hormonal em casos de trombose

Há relatos de uma mulher com falta de libido, insônia e dores no corpo, que não pode fazer reposição com hormônio porque teve trombose.

Quando a mulher tem trombose e os calorões da menopausa, é difícil manter uma boa qualidade de vida. Existem fitoterápicos que, quando bem indicados, amenizam bastante os calorões, e não provocam efeitos colaterais vasculares – trombose, embolia, varizes, etc.

Existem dois tipos de medicamentos, o alopático e o fitoterápico. Muitas mulheres, previamente ao uso de medicamentos, têm microvarizes, varizes, etc., e às vezes associam erroneamente o aparecimento dessas varizes ao medicamento.

Sangramentos durante a reposição hormonal

Há relatos de uma mulher de 52 anos que há 3 têm sangramentos, mesmo tomando hormônios regularmente. Isso é sintoma de mioma, e é necessário procurar um profissional para verificar o que está acontecendo.

Tomando hormônios seguidamente, seja anticoncepcional ou repositor, a mulher não deveria sangrar. Caso isso ocorra, pode haver algum fator desconhecido.

Hormônio masculino

Há relatos de uma mulher de 32 anos que tem acne, e que toma acetato de ciproterona, que inibe o hormônio masculino.

O uso desse medicamento não tem efeito algum sobre a menopausa, e serve somente para não deixar a pele oleosa e para evitar manchas de pele.

Existem anticoncepcionais específicos que deixam a pele mais seca e não causam acne.

Hormônios bioidênticos

Os hormônios bioidênticos têm os mesmos efeitos colaterais que os sintéticos, porém, em menor intensidade. Muitas vezes, pacientes que tiveram câncer, principalmente hormônio dependente, não podem usar hormônios bioidênticos.

Vias de administração da reposição hormonal

Uma mulher de 53 anos relata que quase não dorme mais de tanto calor, que os hormônios não a ajudaram, e que ela ainda menstrua uma vez ou outra.

Algumas mulheres têm menor absorção por via oral, via vaginal ou transdérmica, o que faz com que o hormônio não aja da forma que deveria.

Hoje, têm se obtido bons resultados com os implantes hormonais, chips que o especialista na área hormonal coloca na mulher para que exista uma absorção garantida dos hormônios pelo tecido subcutâneo. O implante libera uma quantidade diária e pré-estabelecida de hormônios. Geralmente, a mulher deve trocar esses implantes a cada ano.

O implante evita que a mulher dependa da absorção do trato gastrointestinal e de usar creme vaginal todos os dias. Alterações na pele, causadas, por exemplo, por ir à praia ou pelo uso de determinado produto no banho, podem reduzir a absorção dos hormônios pela pele ou pelo trato gastrointestinal, o que não acontece com o implante subcutâneo.

Tratamento com progesterona

Há relatos de uma mulher que tem cistos no ovário e o médico receitou progesterona oral a ela. Porém, ela está tendo dificuldades para dormir e o cabelo dela tem caído muito.

O uso isolado da progesterona pode ser a causa. A progesterona oral costuma provocar alguns efeitos colaterais, pois é um hormônio um tanto anabólico, que reduz a disposição e pode aumentar a acne e a queda de cabelo. Porém, muitas vezes é necessário tratar a mulher durante um curto período de tempo com progesterona isolada. Associar outros hormônios junto à progesterona ajuda a diminuir esses sintomas.

A mulher pode conversar com o médico sobre a possibilidade de usar outro hormônio junto com a progesterona.

Pressão alta e reposição hormonal

Um hipertenso com pressão controlada, em conjunto com o cardiologista, pode ser passível de reposição hormonal. Porém, se a hipertensão estiver descontrolada, ele não pode fazer a reposição.

Quando começar a reposição hormonal

A pessoa não precisa esperar a menstruação cessar ou os sintomas se tornarem insuportáveis para recorrer à reposição hormonal.

Com a reposição, a mulher volta a ter uma relação agradável com o marido, a ter desejo sexual e fica mais calma. É comum que em menos de 30 dias algumas pacientes relatem melhoras.

Duração do tratamento

Há relatos de uma mulher que fez reposição hormonal durante 8 anos por conta própria, o que ninguém deve fazer. Se a mulher interromper a reposição e estiver se sentindo bem, ela não precisa repor os hormônios.

As mulheres que fazem reposição hormonal devem fazer controle de 6 em 6 meses ou, no máximo, a cada ano, pois é um tratamento que, como qualquer outro, pode gerar complicações.

Tratamento com cimicífuga

Há relatos de uma mulher que toma há 1 mês extrato seco de cimicífuga, remédio natural, porém não obteve resultados. Muitas vezes, quando a mulher tem muitos sintomas, pode ser uma questão de baixa dosagem e de conversão hormonal da medicação. A mulher pode precisar passar para um tratamento alopático ao invés do alternativo.

A cimicífuga é uma erva que auxilia na produção hormonal – porém, em quantidades às vezes insatisfatórias para aliviar os sintomas.

Tratamento para menopausa com produtos naturais

Muitos pensam que tudo que é natural é inócuo e não provoca efeitos deletérios, isso é um engodo, pois existem plantas que se consumidas exercem muitas ações, sejam anti-inflamatórias ou contra a diabetes.

Quando se fala em terapia hormonal para a menopausa, existem os fitoestrogênios, que são plantas que tem propriedades parecidas com as do estrogênio, porém, num nível menor. Pode-se citar como exemplos a soja, a cimicifuga racemosa e a amora. Já foram feitos vários estudos mostrando que essas plantas têm efeitos iguais ao de placebos, e ainda podem afetar negativamente as mamas e atrapalhar os efeitos residuais do estrogênio que a mulher ainda tem, pois compete com ele, ocupando os receptores.

Diferente do estrogênio, os fitoestrogênios não melhoram a densidade de massa óssea e a proteção cardiovascular, não abaixam a pressão arterial nem o colesterol.

Contraindicação ao estrogênio

Quem tem contraindicação ao estrogênio, também o tem aos fitoestrogênios.

O estrogênio diminui a perda óssea, melhora os fogachos e a capacidade de memorização, combate a insônia, o quadro depressivo, dores articulares e olho seco, além de evitar a secura vaginal, e proteger de infecções urinárias de repetição.

Mulheres que não podem realizar reposição de estrogênio, terão que usar medicamentos diferentes para suprir a falta de cada uma das ações do estrogênio no organismo. Para perda óssea há medicações específicas, para a dor na relação sexual por conta da falta de lubrificação vaginal há cremes hidrantes e com ação hormonal que não são absorvidos. Para tratar a depressão há antidepressivos, se tiver dificuldades para dormir há medicações que auxiliam no sono. O mais complicado é tratar os fogachos, já que ainda não há medicações 100% efetivas para eles, em geral são utilizados antidepressivos, que inibem a recaptação de seretonina a nível central amenizando os calores da mulher.

Os hormônios que os ginecologistas prescrevem e são vendidos em farmácias, que são muito bem estudados antes de serem disponibilizados ao público, são bioidênticos (exatamente iguais ao que o organismo produz) porque são a base de estradiol, hormônio fabricado pelo ovário.

Muitos ginecologistas não prescrevem medicações formuladas por conta do rigor que necessário para uma medicação ser aprovada e comercializada em farmácias. Para drogas manipuladas, é difícil apurar a procedência dos ingredientes utilizados, e se realmente está ali a dose necessária para a pessoa, o que complica o tratamento pois impossibilita o médico de saber quanto de quê a pessoa está ingerindo.

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CRM: 81139. Médico Ginecologista e Obstetra da Notre Dame Intermédica (2013-atual). Médico Ginecologista do Complexo Hospital Edmundo Vasconcelos (2012-atual). Coordenador da Clínica Ginecológica Hospital Dom Antonio de Alvarenga (2008-atual). Médico Ginecologista da Prefeitura Municipal de Mauá (2002-atual). Médico Ginecologista da Unidade Básica de Saúde Vila Oratório (1999-2011). Médico Ginecologista e Obstetra da Organização Mogiana de Educação e Cultura (1998-2000). Médico plantonista do Pronto Socorro Municipal de Pindorama (1995-1996). Médico plantonista da Maternidade da Santa Casa de Misericórdia de Mauá (1997-2003). Professor da USC Centro Universitário São Camilo (2015-atual). Residência médica pelo Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (1997-1998). Residência médica em Obstetrícia e Ginecologia pela Faculdade de Medicina de Catanduva (1995-1997). Graduação em Medicina pela Universidade do Estado do Amazonas (1989-1994).