O que é acne?

Características da acne

A acne é um problema que pega muita gente de surpresa, e é muito desagradável, pois não é bonito, incomoda e a pessoa fica querendo espremer.

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A acne vulgar, que é a mais comum, ocorre no início da adolescência até mais ou menos o começo da idade adulta, com o aumento da glândula sebácea e da produção de sebo. Isso geralmente acontecido devido a alterações hormonais típicas dessa época. O aumento dessa produção extravasa o sebo, ocluindo a saída do folículo piloso ou da glândula sebácea, proporcionando um aumento das bactérias. A acne está relacionada a bactérias e inflamação.

Quando a saída do folículo piloso ou da glândula sebácea oclui, geralmente se formam os chamados “cravos” (ou comedões) que, quando oxidam, ficam com pontas pretas, e quando somente estão ocluídos ficam com pontas brancas.

O cravo aberto, preto, é chamado de comedão aberto, e aquele que só fica um inchaço é o comedão fechado.

No caso da espinha interna, já se consegue sentir a inflamação, pois fica dolorido e palpável. Embaixo da pele, a glândula sebácea fica túrgida, pois a secreção fica presa e não tem como sair, facilitando a proliferação de alguns tipos de bactérias – a mais comum a propiterium acnes – causando inflamação e rompimento.

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Existem graus da acne. A acne grau 1, em que só tem pequenos comedões, começa no início da puberdade – às vezes a menina ainda não teve a primeira menstruação e o menino não teve a primeira ereção, mas já começam a oleosidade e os cravos.

A acne grau 2 é quando tem o comedão e já algumas espinhas, algumas inflamações.

A acne grau 3 é mais inflamatória.

A acne tem fundo genético. Se os pais tiveram muitas espinhas na adolescência, as chances do filho ter são maiores.

Sabe-se que a acne aparece em todas as etnias. O caucasiano que tem a pele muito branca tem a pele mais seca e é mais difícil de ter acne. Porém, se esse caucasiano tiver uma alteração hormonal, terá acne.

A principal razão para o aparecimento de acne é o excesso de oleosidade produzida pela glândula, que sempre irá acontecer.

A predisposição genética irá influenciar também na intensidade da acne.

Geralmente, após o início da fase adulta, a acne acaba melhorando, pois a glândula sebácea volta para um tamanho mais regular e a diminuição de sebo diminui, desmunindo também a infecção por bactérias.

O estresse piora a acne. Quando a pessoa não dorme bem, acaba tendo mudanças no pico de cortisol. Tudo que aumente a taxa de hormônio masculino, principalmente o hormônio de hidrotestosterona (DHT), vai influenciar no aumento de acne. Se a pessoa estiver com algum desequilíbrio hormonal, a acne aparece. Sabe-se que alguns tipos de alimentos também têm correlação com a acne.

A acne de grau 4 é uma acne mais cística, em que é necessária intervenção médica de uma forma mais específica, senão deixa cicatrizes. Geralmente, começam a formar túneis entre as lesões e as pessoas começam a ficar com o rosto desfigurado. Deve-se tomar muito cuidado.

Na acne grau 5, o paciente pode até precisar ser internado, pois tem queda de estado geral, o paciente sente febre, e pode ser grave.

Acne no período pré-menstrual

É esperado ter acne no período menstrual. Durante a adolescência isso vai acontecer, pois para a mulher ter seu pico para ovular, ela passa por algumas transformações hormonais no decorrer do mês. Um pouco antes da mulher menstruar, para conseguir descamar o endotélio, a mulher tem um pico de hormônio masculino – tanto que as pacientes costumam até sentir a libido um pouco mais alta. Isso é muito comum na adolescência e no começo da idade adulta. Depois dos 25, 26 anos, quando isso persiste, a acne começa a mudar de aspecto. Se ela começa a ficar uma acne mais dolorida, mais perto da região do mento e pescoço, e fica um pouco mais difícil de tratar, já é chamada de “acne da mulher adulta”.

O controle da pílula anticoncepcional imita o ciclo. Quem faz uso da pílula anticoncepcional também pode ter acne, mas em uma intensidade muito menor, pois a pílula diminui um pouco o efeito do hormônio masculino na mulher.

Uso de lasers no tratamento de acne

Existem lasers que podem ajudar casos de acne. O laser fracionado forma microperfurações na pele. Na pele do rosto, esse aspecto fica 36 horas depois, no corpo demora um pouco mais. Quando essas microperfurações começam a cicatrizar, a pele produz muito colágeno e a cicatriz, que é profunda, vai ficando cada vez mais superficial. O laser fracionado também serve para rejuvenescimento.

Uso da isotretinoína no tratamento de acne

Alguns médicos são a favor do uso da isotretinoína, um derivado da vitamina A, que diminui o tamanho da glândula sebácea e por isso é tão efetivo. Durante o uso, a pessoa não pode engravidar, não pode beber, entre outras restrições.

Acne cosmética

Quando o produto é muito oleoso, se a pele da pessoa não e adapta, os poros são tampados e surge a chamada acne cosmética, que é quando a pessoa utiliza uma substancia que obstrui os poros.

Dentro da glândula há produção de sebo. Quando a glândula é tampada, o sebo vai se acumulando. A acne começa dessa forma. O tampão pode ser a maquiagem ou cosmético muito oleoso que não se adapta à pele da pessoa, ou a pessoa que não limpa e deixa a maquiagem por muito tempo. Às vezes também pode ser reação alérgica, porque começa com uma bolinha, a pessoa continua usando e piora a situação.

Acne acompanhada de alopecia

A acne da mulher adulta pode vir acompanhada de alopecia. Se a pessoa começar a observar a presença de acne e queda de cabelo, é um problema hormonal, e podem representar uma doença chamada hiperandrogenismo.

Não é normal ter muita acne ou queda de cabelo, e a pessoa deve procurar um médico. Às vezes podem aparecer pelos (hirsutismo) no pescoço.

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CRM: 91128. Doutorado em Dermatologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (2009-2012). Mestrado em Dermatologia Clínica e Cirúrgica pela Universidade Federal de São Paulo (2001-2006). Residência médica em Dermatologia pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (1998-2001). Graduação em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (1992-1997). Pós-Doutorado em pesquisa em dermatologia pela Emory University School of Medicine, Atlanta, GA, EUA. Professor-assistente de dermatologia na Universidade de Mogi das Cruzes (2005-2006). Médico-assistente do Serviço de Dermatologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (2006-2012). Médico chefe do Serviço de Dermatologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (2012-2014). Coordenador do programa de residência médica em Dermatologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (2019-2012). Coordenador de todos os programas de aperfeiçoamento/especialização médicos da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (2011-2014).