Mitos e verdades da hipertensão arterial

Hipertensão

A hipertensão é uma doença silenciosa e com muitas complicações. Um número muito grande de pessoas tem a doença e não recebeu o diagnóstico, pois apenas cerca de 20% dos pacientes têm algum sinal de alerta – às vezes o primeiro sinal é o evento fatal, que pode ser um infarto ou derrame.

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Na maior parte dos casos, a hipertensão não gera sintomas.

Pressão baixa

Algumas pessoas têm a pressão baixa como característica (até como característica familiar). Porém, a pessoa não pode achar que não pode ter um pico hipertensivo devido a uma alimentação mais salgada ou mais condimentada, ou a um estresse muito intenso. É necessário medir a pressão sempre.

Tensão no músculo cardíaco

Quando a pressão sobe, ocorre mais tensão no músculo cardíaco. É como se o músculo ficasse endurecido naquele período em que a pressão arterial está muito alta. Nesse momento, o perigo é a ocorrência de um infarto ou derrame. É necessário procurar de imediato os serviços de urgência para baixar essa pressão e equilibrá-la.

Rompimento da aorta

Recentemente, um cantor faleceu devido a um problema na aorta, que acabou rompendo. Isso pode acontecer com as pessoas independentemente da idade. Nesse caso, a formação do aneurisma foi causada pela pressão alta, e o momento agudo da ruptura pode ter sido ocasionado por um desequilíbrio da pressão.

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Às vezes não dá tempo de acudir a pessoa, pois, naquele momento, ocorre agudamente a ruptura do aneurisma. Como todo o sangue está concentrado ali,  no momento em que ele se rompe, não tem mais circulação para nenhum dos órgãos, a pessoa perde a consciência e acaba morrendo nos primeiros minutos.

A aorta é uma artéria que se origina do lado esquerdo e irriga todo o organismo. A pressão dela é violenta, e a ruptura é como se fosse uma bomba de sangue eclodindo, e o sangue sai da tubulação orgânica normal e cai em cavidades. Assim, não há mais fluxo para a cabeça e para o próprio coração, e a pessoa desfalece na hora.

Irregularidade do tratamento da pressão

A irregularidade do uso das medicações  é fatal para o tratamento da pressão. Às vezes é possível reduzir a dose e otimizar o tratamento, mas a pessoa não deve tomar os medicamentos dia sim, outro não, ou de uma forma muito irregular. O médico é quem deve indicar o tratamento.

Sal na alimentação

Não basta retirar o sal da alimentação  para evitar o aumento da pressão arterial. O sal é um dos componentes.  As pessoas que comem muito condimento, ou sal propriamente dito, têm mais tendência a desenvolver pressão alta, pois o sal, ou o sódio, retêm mais líquido no organismo. Por isso, quando a pessoa come algo muito condimentado, ela se sente mais inchada.

Estresse e hipertensão

A pressão alta está relacionada ao estresse. O estresse é igual a uma  descarga de adrenalina constante, e a adrenalina é altamente excitante para o organismo – o coração começa a disparar, dá dores no peito e a pessoa transpira muito, e pode, ocasionalmente, até ter um infarto ou um derrame. Não é necessário ter uma doença estrutura l para que isso aconteça. A pessoa pode estar sadia, ter um pico hipertensivo durante um estresse agudo e ter uma complicação.

Dores de cabeça

Quando existe algum sintoma da pressão arterial, o mais comum é a dor de cabeça – geralmente uma dor de cabeça posterior (também chamada de “occipital”),  e não frontal.

A pessoa pode ter um sério problema cardíaco e não ter nenhuma dor de cabeça, enjoo ou paralisia do braço.

Quando a pessoa tem pressão alta e tem dores de cabeça, os cardiologistas já têm parâmetros concretos para a doença. Quando a pessoa tem altos valores de pressão e não tem sintomas, é mais difícil manusear no dia-a-dia.

Exercícios físicos

Quem tem hipertensão pode praticar exercícios físicos, mas, nesses casos, é obrigatório um acompanhamento cardiológico. Existem alguns tipos de exercício que a pessoa não pode fazer.

A pessoa deve tomar cuidado  com exercícios muito extenuantes, como o spinning, e exercícios aeróbicos de longa duração (por exemplo, natação durante 1 ou 2 horas). Alongamento, musculação e caminhadas leves não têm problemas.

A pessoa pode, além da hipertensão, ter outros problemas de saúde, como arritmia associada ao exercício físico. Por isso, a orientação médica é fundamental. A pessoa precisa avaliar primariamente a condição cardiovascular dela para então fazer exercícios , com acompanhamento.

Sangramento nasal

Uma pessoa de 26 ano relata ter dores de cabeça constantes, que chegam a latejar, e que o nariz já sangrou algumas vezes. Ela afirma ter pais e avós hipertensos.

O sangramento nasal, chamado de epistaxe, é o 2° sinal mais frequente  de hipertensão . Esse sinal é muito difícil de ser encontrado. Quando acontece, o médico tem um dado concreto de que a pessoa tem tendência hipertensiva. Quando  a pessoa é jovem, é necessário descartar a enxaqueca,  um outro tipo de dor de cabeça que não está diretamente relacionada  com a pressão alta.

Quando  a pessoa tem histórico familiar e tem os sintomas, é provável que ela já tenha uma genética da hipertensão clássica.

Medição da impressão

A orientação dos médicos é medir a pressão pelo menos 3 vezes por semana, de preferência  no mesmo horário do dia e no mesmo membro . Não é interessante para o médico se a pessoa leva uma medição feita à manhã, no outro dia à tarde e no outro dia à noite. Se a pessoa escolhe o braço direito, deve medir sempre no braço direito, e em uma posição de repouso (não fazendo atividade ou estressada).

Para medir a pressão , a pessoa deve estar sentada, sem se movimentar e sem cruzar as pernas. Usando o aparelho comprado em farmácia,  a pessoa deve estar com o aparelho, de preferência, no nível do coração. Quando a pessoa mede a pressão na academia, após fazer exercício, ela tende a estar mais alta.

Picos de hipertensão

É mais frequente os hipertensos terem picos de hipertensão no final do dia, pois a pessoa já passou pelos problemas e pelo estresse do dia-a-dia. Quando ela chega em casa, a descarga adrenérgica sensibiliza mais o organismo.

Não é incomum a pessoa relatar que sentiu um mal estar ou peso na cabeça durante o sono, porque é o momento que ela vai, teoricamente, descansar.

Alterações climáticas

Uma pessoa relata que teve pressão alta enquanto morava no Brasil, mas hoje, morando na Inglaterra, isso não acontece mais. As alterações climáticas, como a poluição, interferem nos níveis de pressão. Esse caso é um pouco atípico, pois existem pessoas que sentem mais alterações cardiovasculares no frio exagerado, pois os vasos se fecham mais e o coração precisa bombear mais sangue. Nesse caso, a pessoa provavelmente teve uma adaptação circulatória, mas não é comum. Viver em um país com menos estresse,  com um ar menos poluído e com menos toxinas na alimentação e na água também podem influenciar.

Descarga adrenérgica

Existem relatos de pessoas que, quando estão em um estresse constante, o corpo se adequa. Porém, quando saem de férias e relaxam, podem ter um problema cardíaco.

Isso ocorre porque acontece uma descarga adrenérgica, que a pessoa está retendo, acumulando, mas está se adaptando.

Quando a pessoa relaxa em excesso, pode ocorrer uma sensibilização excessiva dos receptores, que são células do coração que, se muito excitadas, podem desencadear algo muito intenso, até o evento agudo.

Uma pessoa de 39 anos relata que pratica atividade física diariamente, tem hábitos saudáveis e se alimenta bem. Mesmo assim, foi diagnosticada com hipertensão e precisará tomar remédios.

Isso normal. Existem pessoas extremamente sadias, mas que têm fatores genéticos ou emocionais que não foram detectados corretamente, que estão interferindo e que vão leva-la a precisar tomar alguns remédios (talvez não muitos).

Não são só as pessoas acima do peso que  têm hipertensão. Há relatos de atletas profissionais com tendência hipertensiva. O fato do indivíduo ser bem magro, atlético ou ter uma atividade rica em exercícios não o exime da genética ou da propensão a ter pressão alta, assim como existem pessoas acima do peso  e sedentárias que não têm hipertensão.

Formigamento nas extremidades

Formigamento nas pernas e mãos é sintoma de hipertensão. Às vezes, durante a crise hipertensiva, coração pode acelerar muito ou pode, eventualmente, até entrar em um descompasso, o que gera um fluxo alterado para os membros superiores e inferiores. Nesses casos, a pessoa se queixa de frio nas extremidades e formigamento, tanto nas mãos quanto nos pés.

Horário da medicação

O médico distribui o uso dos  remédios para controlar a pressão  ao longo do dia, de acordo com a cronologia da pressão. O médico solicita alguns exames no consultório para entender o comportamento pressórico. Há pessoas que, com uma dose matinal, resolvem o problema. Em outras pessoas, é necessário introduzir uma dose matinal, às vezes uma vespertina e uma à noite, dependendo do caso.

Às vezes  a pessoa, tomando o remédio para a hipertensão, faz a aferição, verifica que a pressão está normal e acha que deixou de ser hipertensa, mas é o remédio que controla  a pressão. Se a pessoa deixar de tomar, ela pode ter uma crise hipertensiva por prolongar a necessidade do remédio.

Dosagem da medicação

A pessoa pode procurar o cardiologista para que ele oriente se ela pode reduzir a dose ou, ao invés de tomar de manhã, à tarde e à noite, tomar só de manhã. Isso é muito comum.

Em uma época na qual a pessoa está com o estresse reduzido, a quantidade de medicamento que ela tomava pode deixar a pressão dela baixa demais. Às vezes a pessoa tem pressão alta, começa a tomar o remédio e a queixa dela, no primeiro retorno, é estar fraca, ter tontura e suores frios – sintomas  clássicos da hipotensão, ou seja, o remédio está tendo um efeito exagerado. Talvez seja necessário fazer um novo exame para verificar a pressão  e diminuir a dose.

Outras doenças influenciam na hipertensão. O hipertireoidismo, quando a tireoide funciona em excesso, é causador de pressão alta. Problemas hormonais em geral, problemas ligados à diabetes e colesterol elevado podem, de forma somada , levar à uma crise hipertensiva.

Insônia e hipertensão

Muitos pacientes têm pressão alta durante a noite, e isso não deixa o organismo, e principalmente o cérebro, relaxar. O cérebro tem artérias e veias que não podem estar em um regime de pressão muito elevado, senão a pessoa não tem como ter o descanso normal noturno. Nesses casos, é preciso tomar remédio para a pressão ou até um sonífero ou ansiolítico para ajudar a acalmar e dormir.

A pessoa começa a acordar várias vezes a noite ou mesmo a ter pesadelos, porque a tensão vascular na cabeça é tão grande que o fluxo se modifica, e, além de não conseguir dormir, os pensamentos dela começam a ficar confusos. Em primeiro momento, a pessoa pode achar que está tendo algum transtorno psicológico,  mas é um desequilíbrio da pressão.

Controle da pressão alta

Nem sempre é necessário tomar medicamentos para controlar a pressão,  isso depende do nível (dos valores numéricos) da pressão. Até em torno de 13/9, em geral, é possível tentar controlar a pressão somente com fatores não medicamentosos, como exercício físico, controle da obesidade e alimentação.

Ultrapassando esses níveis, até mesmo por orientação de diretrizes nacionais, os médicos têm que utilizar algum medicamento. Os médicos começam receitando um pouco de diurético para retirar líquido do corpo. Se mesmo com os diuréticos a pressão  não controlar, ele irá evoluir para mais componentes.

O remédio pode ter algum efeito colateral, mas, se bem otimizado, a pessoa vai conviver. Em paralelo, ela irá fazer exercício e mudar os hábitos dela, e o remédio vai acabar ficando secundário.

Hoje existe uma gama muito grande de medicamentos. Se uma classe de fármacos não funcionar  ou causar alergia , é possível mudar para outra.

Checkup regular

A pessoa precisa ir ao médico e fazer um checkup pelo menos uma vez por ano. Se a pessoa tem a família hipertensa (pai, mãe e avós dos dois lados), colesterol alto e diabetes, o cuidado deve ser redobrado.

A qualidade do sono para quem tem uma prática regular de exercício é absolutamente diferente de quem não tem essa prática regular, além da qualidade de vida, a disposição para o trabalho, a motivação e a autoestima.

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CRM: 158986. Graduação em Medicina pela Fundação Universidade Regional de Blumenau (2004-2010). Residência em Clínica Médica pela Universidade Federal de Santa Catarina (2011-2013) e Cardiologia (2013-2015) e Miocardiopatias (2015-2016) pela Universidade Federal de São Paulo. Título de especialista em Cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (2016). Professora visitante da Universidade Federal de São Paulo (2016-2018). Médica cardiologista do Hospital TotalCor. Assistência e ensino do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein.