Menopausa

Menopausa: o que é?

A menopausa é caracterizada pela falência ovariana, os ovários param de fabricar estrogênio, hormônio importante para a saúde óssea. Quando adentram a menopausa, uma porcentagem de mulheres perde massa óssea e tem osteoporose.

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O grande problema da falta de estrogênio é o aumento do risco cardiovascular. É sabido que, até a menopausa, as mulheres enfartam muito menos que os homens nessa mesma faixa etária. Porém, quando elas entram na menopausa, esse risco se equipara devido à perda de estrogênio – que protege o coração.

As mulheres procuram endocrinologistas para tratar a menopausa principalmente por conta dos fogachos (calores), insônia e irritabilidade, porém, do ponto de vista médico, a maior preocupação é a doença cardiovascular.

Uma queixa comum na menopausa é a dor na relação sexual, pois sem estrogênio a vagina fica menos lubrificada. Isso faz com que a mulher se afaste do parceiro.

Outra queixa que acompanha a parte gênito-urinária são as infecções urinárias de repetição e a “urina solta”, pois todas as estruturas do assoalho pélvico – inclusive os ligamentos da bexiga e do útero – são estrogênio-dependentes, e ficam frouxas.

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A menopausa piora o envelhecimento?

Após a menopausa – quando os ovários deixam de produzir estrogênio – a mulher perde cerca de 30% do colágeno cutâneo nos primeiros 5 anos.

Embora o envelhecimento seja algo inexorável, a reposição hormonal pode retardá-lo e ajudar na manutenção das funções da pele, isso é tão importante quanto prevenir doenças cardiovasculares e as degenerativas, e extrapola o objetivo estético. A pele é muito importante para o funcionamento do corpo humano.

A menopausa é inevitável, mas não é tão complicada se a mulher se preparar mudando seus hábitos. Uma boa alimentação, prática regular de atividade física e sono adequado são importantes para suavizar essa grande flutuação hormonal.

Irregularidades na menstruação

Existem mulheres que estão na menopausa ou pré-menopausa e depois de um grande período voltam a menstruar, o que pode ser um problema.

O útero às vezes age como um termômetro de outra patologia que a mulher está tendo.

Por exemplo, uma mulher que estava há 3 anos sem menstruar e de repente tem um sangramento abundante precisa ser avaliada, pois ela pode ter alguma alteração da coagulação. Às vezes ela faz uso de algum hipertensivo ou algo que diminua a agregação plaquetária, que deixa o sangue mais fino para que ele possa fluir, e isso causa hemorragias. A mulher pode estar desenvolvendo um tumor de ovário, pois, mesmo não menstruando, os ovários estão lá e, ao invés de atrofiarem, continuam a trabalhar e causam hemorragia.

Duração dos calorões

Os calorões podem durar 5, 8 ou, em alguns casos, até 10 anos. Eles podem parar por um tempo e retornar. Não existe uma previsão exata de quanto eles durem. Porém, com tratamento, podem ser suprimidos.

Todas as mulheres entram na menopausa e têm os sintomas físicos (osteoporose mais acentuada, queda de cabelo e da libido, indisposição, etc.), mas nem todas têm os sintomas táteis, como os calorões, porém, mesmo que a mulher não os tenha, a reposição hormonal pode ser necessária.

É importante que a mulher procure o médico e faça dosagem dos hormônios. Assim como no caso do anticoncepcional, o tratamento deve ser individualizado.

Redução do estrogênio

Os sintomas da menopausa acontecem devido a variação hormonal.

O motor feminino, que dá a feminilidade, é o estrogênio – hormônio produzido pelo ovário diariamente. Quando há redução dele, a mulher perde a camada de colágeno e a pilificação aumenta.

Toda mulher tem uma quantidade X de hormônio feminino e uma quantidade mínima de hormônio masculino. Quando o primeiro reduz, o segundo não. Algumas senhoras podem ter aumento da pilificação ao redor dos mamilos e na vulva pela falta da reposição hormonal, que pode ser convencional ou fitoterápica.

Reposição hormonal

O ideal é fazer a reposição hormonal após a mulher ter feito exames, como o preventivo, a mamografia, a densitometria e principalmente a dosagem hormonal.

Pela faixa etária e pelos sintomas, como insônia, calorões, queda da libido, indisposição e irritabilidade, o médico conclui que a mulher provavelmente está em pré-menopausa ou menopausa.

Com a reposição hormonal, a mulher recuperar o vigor de antes da terapêutica, e os sintomas, como a depressão, não ocorrem.

Sintomas da menopausa

Em torno de 50% das mulheres que fazem tratamento antidepressivo estão na pré-menopausa ou na menopausa.

Geralmente os calorões – que causam profunda sudorese – podem ser sentidos em qualquer parte do corpo, como as mãos e o dorso, e mais frequentemente do colo ao couro cabeludo.

A menopausa pode causar insônia, depressão, perda da massa muscular, ressecamento das mucosas – muitas vezes ressecamento vaginal, que pode dificultar a vida sexual e reduzir a libido –, envelhecimento cutâneo – pois o estrogênio hidrata o colágeno, por isso, uma menina com 13, 14 anos, tem uma “pele de pêssego”, a mulher pode manter essa pele durante praticamente toda a vida dependendo da manutenção do colágeno.

Deve-se evitar o sol das 10h às 16h durante o horário de verão, pois a incidência de raios UVB é muito alta nesse horário, o que pode ocasionar câncer de pele e, entre outras coisas, queimar a camada de colágeno na pele – mantida pelo estrogênio –, levando ao envelhecimento precoce.

Fazendo reposição hormonal, a mulher pode manter a qualidade da pele. Há relatos de senhoras que aparentam ter uma idade biológica muito menor do que elas têm devido não são somente à cuidados externos, como o uso de cremes, mas também com a reposição de estrogênio, que dá a vivacidade e o vigor da pele.

A reposição hormonal repõe os hormônios que a mulher teve durante a vida toda. Porém, repor não é saturar.

A reposição hormonal precisa ser acompanhada por um médico, e não deve ser feita de maneira aleatória, pois dessa forma não trará resultados.

Doenças recorrentes após a menopausa

O estágio que se segue após a menopausa recebe de pós-menopausa, no qual a mulher já não menstrua mais e os sintomas da baixa de hormônios femininos (o estrogênio) impactam mais sobre a saúde dela – a vagina fica mais seca, intensificam as ondas de calor no corpo, ocorre ganha de peso e tendência a humor depressivo.

Junto à esses sintomas, há risco de doenças,as mais importantes são doenças cardiovasculares, demenciais e osteoporose, relacionados à queda do estrogênio.

Cuidados nutricionais e doenças da menopausa

Mulheres na menopausa que fazem dieta, mas não se exercitam, perdem gordura, massa muscular e massa óssea. O resultado disso são doenças como a osteoporose.

Quando o assunto é regime alimentar, é necessário cuidados. Quem deixa de se alimentar corretamente ou não tem orientação profissional pode deixar de consumir nutrientes importantes à saúde.

Há relatos de uma mulher que, após fazer várias dietas de restrição alimentar severa, descobriu que tinha osteoporose, doença que debilita os ossos.

Com a chegada da menopausa, os cuidados com a alimentação devem ser redobrados. Pesquisadores americanos concluíram que mulheres de meia-idade que perderam peso de forma acentuada, somente com dieta e sem exercícios físicos, em um período de 2 anos, tiveram também perda de massa óssea.

Na menopausa, as mulheres já sofrem perda da densidade óssea por causa das alterações hormonais. Para emagrecer sem colocar a saúde em risco, é necessário fazer da atividade física uma aliada.

Atividade física na menopausa

Quando a mulher faz qualquer tipo de dieta, deve juntamente praticar uma atividade física que proporcione ganho muscular – por exemplo, musculação ou pilates.

Há mulheres que não tomam remédios para emagrecimento, somente fazem dietas e exercícios.

Quando a mulher descobre que tem osteoporose, não deve abrir mão dos exercícios. A falta de hormônios pode levar a fatores de risco para eventos cardiovasculares, por exemplo, e o exercício é excelente para a saúde cardiovascular. Se a pessoa tem medo de cair e se fraturar, pode escolher atividades físicas que lhe convenham.

Uma opção simples, acessível para a maioria das pessoas, é a caminhada. É necessário algum grau de impacto no osso para que ele se fortaleça. A mulher que entra na menopausa não desenvolve osteoporose de um dia para o outro, é uma perda progressiva com a qual o osso fica poroso. A atividade física age como preventivo.

Se a pessoa não tiver restrição articular, pode praticar corrida ou ciclismo.

Para quem tem restrições, qualquer exercício vale a pena, principalmente os que aumentam a massa muscular. Muitas mulheres nessa idade fazem hidroginástica ou natação, que são excelentes exercícios, principalmente para manutenção do peso, da saúde do sistema cardiovascular e da qualidade de vida, mas que são menos benéficos para tratar ou prevenir a osteoporose.

Aspectos psicológicos da menopausa

Mulheres têm maior tendência à depressão do que os homens, talvez porque os hormônios delas flutuem muito ao longo da vida, e isso impacta o cérebro, e muitas delas entram em depressão na menopausa.

Na entrada da menopausa, como a queda hormonal é abrupta, a paciente pode se sentir ainda pior. Os sintomas depressivos acabam se mesclando também com os da deficiência hormonal, criando quadros às vezes difíceis de serem diagnosticados.

Alguns sintomas que precisam ser realçados são a depressão, vontade de chorar sem motivo, desmotivação (a paciente não enxerga benefícios na vida a longo prazo) e falta de energia para o dia a dia. A falta de motivação e de energia podem ser ocasionadas por um quadro depressivo ou pela menopausa, e é necessário perícia para fazer um diagnóstico correto. Não raramente se tem os dois diagnósticos e as duas coisas são tratadas.

Diagnóstico correto da menopausa

Muitas vezes, alguns sintomas relacionados a outras doenças podem levar a crer que se trata da menopausa. Isso vale para o hipotireoidismo, uma das principais doenças que podem alterar a função menstrual e resultar num quadro clínico parecido com o da depressão, com sintomas como falta de motivação, sonolência e inchaço.

O hipotireoidismo é uma das doenças mais comuns na mulher de meia-idade, entre 30 e 35 anos, e é o principal diagnóstico que não pode passar desapercebido.

Hoje, as pessoas usam medicamentos demais. Às vezes a pessoa tem diagnóstico de depressão sem ter feito exame de tireoide e não melhora por conta de outra doença.

A prolactina também pode causar amenorreia e traz sintomas semelhantes aos da menopausa.

Sintomas como dores nas pernas, queda de cabelo e má qualidade da pele podem ser da menopausa, mas também de outras doenças.

A doença da tireoide, por exemplo, é responsável por dores generalizadas, queda de cabelo, unhas fracas e intestino preso. Se a mulher fizer exames e nenhum acusar nada, é necessário rever o diagnóstico. Exames de tireoide, por exemplo, são claramente resolutivos nesse momento.

Sintomas do climatério

O climatério é uma fase, e quando manifesta sintomas associados à perda da capacidade reprodutiva e dos hormônios, a mulher pode ter a Síndrome do Climatério.

Neste período, a pessoa pode ter hemorragias – perda aumentada de volume sanguíneo –, que podem ser pela queda hormonal, mas é necessário afastar outras causas, pois a mulher está em uma fase em que outras doenças podem surgir, como miomas e adenomiose uterina. É papel do ginecologista ter certeza de que não há outra doença associada.

Gravidez perto da menopausa

Mesmo com a menstruação irregular, mulheres com mais de 40 anos podem engravidar porque ainda ovulam, e nessa fase a gravidez exige mais cuidados.

Há relatos de uma mulher que, aos 41 anos, se viu às portas da menopausa: por causa da baixa produção de hormônios o ciclo menstrual já não era o mesmo, e vinha falhando desde os 40. Ela só descobriu a gravidez quando fez o ultrassom.

Muitas mulheres confundem a menopausa com a fase na qual começam os sintomas da baixa hormonal – como a irregularidade menstrual, que pode diminuir a capacidade reprodutiva, tornando mais difícil, mas não impossível, engravidar.

Nesse período, é comum mulheres pararem os métodos anticoncepcionais. Geralmente se a mulher fica 1 ano sem menstruar, a capacidade de engravidar findou.

Na mulher acima de 40 anos, o período entre os primeiros sintomas e a última menstruação pode variar entre 5 até 10 anos. Na menopausa precoce, geralmente o tempo é mais curto – as mulheres acabam tendo irregularidade menstrual e em 6 meses ocorre a falência ovariana. Às vezes a mulher acaba passando por vários médicos que não diagnosticam a menopausa precoce, e acham que a ausência da menstruação é causada pela interrupção do uso da pílula ou por ovários policísticos.

É possível retardar a menopausa?

Uma mulher relata que teve a menopausa aos 56 anos, e que a mãe dela também teve menopausa tardia.

É possível retardar a menopausa com o anticoncepcional. Muitas mulheres têm receio de que tomá-lo traga algum problema. O anticoncepcional tem durabilidade de 24 horas, não tem efeito acumulativo e quando a mulher toma-o, ela não ovula e preserva mais óvulos.

Tomar anticoncepcional por longo período pode interferir positivamente na possibilidade de engravidar em idade mais avançada, pois a mulher terá maior quantidade de óvulos.

Tratamentos alternativos para os sintomas da menopausa

A mulher que tem hábitos saudáveis precisa de menos suplementos contra os sintomas da menopausa. Uma dieta equilibrada (com derivados da soja, isoflavonas, alimentos orgânicos e coloridos) provê cálcio na alimentação, e a prática regular de atividade física mantém a massa muscular e libera serotonina.

Para amenizar os calorões, existem ervas medicinais, inclusive brasileiras, como a cimicífuga, que podem ser usadas na forma de chá. Porém, quando os calorões são intensos, o tratamento com chá ou algo do tipo não faz efeito.

Menopausa precoce

Muitas mulheres, principalmente por carga genética, tem menopausa precoce, que por definição acontece antes dos 40 anos de idade. Muitas delas relatam que a mãe, a irmã mais velha ou a avó tiveram menopausa precoce.

Há relatos de mulheres que tiveram a menopausa antecipada por problemas ginecológicos.

Outras causas de menopausa precoce são doenças autoimunes graves (como lúpus e artrites), realização de quimioterapia ou de radioterapia em mulheres jovens que têm câncer, exposição a certas drogas e algumas cirurgias.

Retirada do útero

Mesmo que a mulher tenha retirado o útero, ela irá sofrer os sintomas da menopausa, com exceção da parada dos ciclos menstruais. O útero é um órgão separado dos ovários, que permanecem após a cirurgia.

Retirada da tireoide

A tireoide não tem relação com a menopausa. Porém, a mulher com hipotireoidismo, após a tireoidectomia (retirada da tireoide), pode ficar com ciclos menstruais bastante irregulares ou mesmo não menstruar (amenorreia) devido à falta do hormônio tireoidiano.

A remoção da tireoide não necessariamente causa menopausa precoce. A mulher precisará repor tiroxina, o hormônio produzido pela tireoide.

Menopausa cirúrgica

Por miomas ou por sangramentos abundantes, algumas mulheres, por exemplo, de 30 a 45 anos retiram o útero, isso interrompe as menstruações e é chamado de menopausa cirúrgica, mas a parte hormonal continua a funcionar perfeitamente. Para o diagnóstico da menopausa, o médico investiga não só os sintomas da mulher mas também as dosagens hormonais dela, já que nesse caso a menstruação desapareceu quando da retirada do útero.

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CRM: 81139. Médico Ginecologista e Obstetra da Notre Dame Intermédica (2013-atual). Médico Ginecologista do Complexo Hospital Edmundo Vasconcelos (2012-atual). Coordenador da Clínica Ginecológica Hospital Dom Antonio de Alvarenga (2008-atual). Médico Ginecologista da Prefeitura Municipal de Mauá (2002-atual). Médico Ginecologista da Unidade Básica de Saúde Vila Oratório (1999-2011). Médico Ginecologista e Obstetra da Organização Mogiana de Educação e Cultura (1998-2000). Médico plantonista do Pronto Socorro Municipal de Pindorama (1995-1996). Médico plantonista da Maternidade da Santa Casa de Misericórdia de Mauá (1997-2003). Professor da USC Centro Universitário São Camilo (2015-atual). Residência médica pelo Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (1997-1998). Residência médica em Obstetrícia e Ginecologia pela Faculdade de Medicina de Catanduva (1995-1997). Graduação em Medicina pela Universidade do Estado do Amazonas (1989-1994).