Limpeza de pele

Limpeza para pele acneica

Há diferenças entre as limpezas de peles normal, oleosa, seborreica e acneica.

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Na acneica, existem comedões (abertos ou fechados), popularmente chamados cravos, pápulas (início do processo inflamatório) e pústulas (acne propriamente dita, a vulgar, espinha), formações com pus.

Quando há pústula, já existe inflamação, porque as células de defesa já mataram bactérias que entraram na pele. Essa é a razão do pus.

Início da limpeza de pele

Inicie a limpeza com um gel com aloe vera e extrato de chá verde, cuja função é cicatrizante e anti-inflamatória. Com movimentos circulares e delicados, vá retirando as impurezas e, porventura, a maquiagem e filtro solar, que se passaram antes de ir à clínica.

Retire esse gel com duas esponjas descartáveis (de algodão e gaze)  suavemente por causa do processo inflamatório.

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Esfoliação química

A esfoliação deve reduzir, pela química, a capa córnea. Para isso, utilize um sabonete com ácido lactobiônico (poli-hidroxiácido), ácido mandélico (alfa-hidroxiácido) e zinco (anti-inflamatório e seborregulador).

Ponha o sabonete numa cubeta e aplique-o com um pincel. Aguarde um minuto antes de removê-lo e começar a emoliência.

Peça sempre à cliente que, de 0 a 10, avalie o grau de ardência, provocada pela esfoliação química, feita com ácidos, somada à inflamação da pele. Antes de começar o procedimento, também lhe informe sobre possibilidade de pequeno ardor.

Tire, delicadamente, o esfoliante químico com as mesmas trouxinhas descartáveis, mas sem a gaze para não irritar essa pele; só com o algodão embebido em água.

Processo de emoliência

Ato contínuo, ponha trouxinhas de algodão em uma cubeta e adicione uma solução de trietanolamina para umedecê-las bem. Desmembre esse algodão em pequenos pedaços e coloque-os sobre a pele.

Essa substância faz a emoliência dos óstios, abre-os e facilita a extração dos comedões e das pústulas.

Vapor de ozônio

O aparelho de vapor de ozônio é acessório indispensável para a limpeza de pele, porque vai, por meio do calor e do vapor, ajudar a trietanolamina a cumprir a função dela: amolecer e abrir os óstios.

Após o aquecimento do vapor, ligue o ozônio, cujo papel também é fungicida, bactericida e cicatrizante, e deixe-o agir por dez ou quinze minutos.

A distância entre o vapor e a face deve ser de 10 a 15 cm. Não deixe esse artefato muito próximo da pessoa para não lhe acarretar desconforto.

Enquanto o vapor executa a emoliência, sugere-se que a esteticista massageie as mãos e os cabelos da cliente para ela se sentir mais à vontade.

Uma dica relevante: ponha a mão sobre os algodões para verificar se estão quentes. Se apenas em uma das faces estiver assim, direcione o vapor para os frios e depois o devolva ao centro para todo o rosto o receber, o que colabora para extrair a acne.

Extração dos comedões

Pontos cruciais para a extração:

  • Tape os olhos com pedaços de algodão com oligoelementos, calmantes para essa área. Nunca deixe a cliente sem isso, ou mesmo água, para ela não ter a sensação ruim do vapor de ozônio diretamente no rosto.
  • Tenha uma cubeta sempre à mão.
  • Vá retirando o algodão à medida que realiza cada extração.
  • Utilize agulha descartável, que deve desempacotar diante da cliente. Usada, jogue-a em um descarpack, jamais em lixo comum. As trouxinhas de algodão, continuará a usá-las.
  • Valha-se de uma lupa, cuja luz proporciona mais claridade para se conseguir ver bem o que é preciso tirar.
  • Depois de enxugar o excesso de água, enrole o algodão no dedo indicador para não ferir a pele da cliente.

Comece pelo nariz, região mais frágil e sensível do rosto, aquela que geralmente é a que apresenta mais comedões. Faça pressão oposta aos indicadores, posicionados em cada lateral do nariz, para extrair os comedões.

O próximo foco é o queixo. Se houver pústulas, use uma pequena agulha descartável.

O tempo ideal para todo o procedimento é, no máximo, trinta minutos, porque, depois disso, a pele fica muito sensível. Distribua esse prazo para atuar na face dividida em zona T e região malar e remova o que for possível nesse período.

Terminada a intervenção, limpe da pele todo o excedente de trietanolamina com o mesmo gel de limpeza que já empregou e que, embora esse produto não contenha ácido ou outro produto agressivo, pode levar a cliente a sentir pequeno ardor em vista de a pele estar vulnerável em virtude da trietanolamina, forte e muito alcalina.

Nesse momento, também se percebe que, por causa de todo o processo, a pele está vermelha e, portanto, é preciso acalmá-la.

Máscara de ácido mandélico

Após a extração, troque as luvas, que ficam cheias de trietanolamina.

Antes de proceder ao aparelho de alta frequência e à máscara finalizadora, aplique, com algodão, uma solução pré-peeling para preparar a pele para receber o peeling mandélico, cuja ação é anti-inflamatória e calmante.

Esse pré-peeling pode provocar ardência passageira porque os óstios estão abertos. O peeling mandélico faz isso desaparecer e a pele esfriar.

Deposite, então, a máscara mandélica diretamente do frasco na pele, com cuidado para não o encostar nela, e espalhe-a com um pincel até cobrir todo o rosto. Se houver nódulo interno com um pouco de pus em alguma área, não o manipule.

Deixe a máscara mandélica agir por dez minutos, depois do que a pele se acalma e perde o excesso de vermelhidão, e remova-a com água e esponja descartável, e bastante leveza para não machucar a pele. Agora, vem a cicatrização com o aparelho de alta frequência e a máscara finalizadora.

Aplicação de loção tônica

Aplique, com tênues batidas de algodão ou deslizamentos muito suaves, a loção tônica adstringente, que, por conter extrato glicólico de hamamelis, auxilia na contração dos óstios.

O processo de limpeza desequilibra muito o pH fisiológico da pele, que comumente varia de 4,5 a 6,5, mas que, com o sabonete e a trietanolamina, se torna alcalino. Por isso, após a extração, passe um tônico sem álcool na pele para normalizá-lo e, assim, conseguir melhor efeito.

Aparelho de alta frequência

Antes de usar o aparelho de alta frequência, seque bem essa pele, já que, com a água, a corrente pode transmitir sensações desagradáveis, como pequenos choques, desconforto desnecessário.

O aparelho de alta frequência mantém dois gases dentro de um cabeçote de vidro: argônio e neônio, que, em contato com o oxigênio, formam o gás ozônio, que, bactericida, fungicida e cicatrizante, atenua bastante o aspecto da pele. Para maior comodidade durante a utilização desse mecanismo, cubra a pele da pessoa com uma gaze.

Como esse artefato emite um ruído que remete a choque, antes de passa-lo no rosto, passe-o na mão da cliente para ela perceber que não sentirá nada. Depois, faça o procedimento com o cabeçote em arraste (deslizamento).

Em quem tem acne vulgar, pústulas, nódulos e cistos, empregue esse instrumento por, no mínimo, dez minutos. Quanto mais ele atuar, melhores serão os resultados associados às ações bactericida, fungicida, cicatrizante e calmante.

Pode-se aplicar o alta frequência também, diretamente sobre os nódulos, com um manípulo de vidro, chamado cauterizador, cuja energia se concentra na ponta menor e propicia cauterização mais eficaz em acnes pontuais. A ponta do aparelho pode incidir de um a dois minutos em cada módulo.

Associação de máscaras para acalmar a pele

Associe três máscaras para aliviar a pele. A primeira é clareadora, com caulinita e bentonita. Como é em pó, misture-a às outras, que são cremosas. A segunda, a secativa, com ácido lactobiônico, argila branca e zinco, é cicatrizante, bactericida e anti-inflamatória, e a terceira é ultrassuavizante, com Endorphin®, que eleva a imunidade da pele e combate melhor as bactérias, e arnica.

Depois de passar uma grossa camada dessas três máscaras associadas, pergunte à cliente se ela tem alguma fobia, porque você vai colocar sobre os olhos dela algodão, gaze e outra máscara. Se não, borrife, nesses algodões que estão sobre os olhos, um hidratante com oligoelementos, cujos minerais também contribuem com o aumento da circulação sanguínea e a hidratação dessa área.

Aponha gaze em todo o rosto ainda coberto pela máscara cremosa para vedar.

Oclusão

Faça a oclusão com uma máscara plástica, que, chamada Cromoalgas por conter algas marinhas, é azul, cor cuja função é tanto potencializar a máscara de baixo quanto acalmar a pele.

Para preparar a Cromoalgas, junte água a esse pó e mexa com uma espátula até ele se transformar em uma pasta, que posteriormente você aplicará com a espátula, sobre as gazes.

Drenagem linfática no rosto

Quando secar a máscara oclusiva (que é também calmante, secativa, cicatrizante e antiedematosa), proceda à drenagem linfática, que vai tranquilizar a cliente que ficará de trinta a quarenta minutos com ela na face. O toque da esteticista relaxa-a e faz o tempo passar mais rapidamente. Além disso, essa drenagem também é anti-inflamatória, amaina a acne e traz resultado muito melhor.

Primeiramente, estimule os linfonodos (gânglios linfáticos) situados no pescoço (ângulo venoso supra e infraclaviculares), nas áreas pré e pós-auricular e na dos mastoideos. Depois, realize a drenagem propriamente dita.

Execute movimentos de semicírculo com as falanges distais dos dedos. Inicie pelo mento, levando toda a linfa para o ângulo venoso. Prossiga nas regiões nasogeniana, malar e frontal.

Findo isso, retire a máscara, sempre de baixo para cima e limpe todo o excedente de máscara com gazes e algodão.

Finalização da limpeza de pele

Para finalizar, utilize a Melange Lipossomada, com enxofre solúvel, zinco e ácido lactobiônico e, passe um filtro solar tonalizante, que também contém ácido lactobiônico e zinco. Esses dois cosméticos são seborreguladores, clareadores e anti-inflamatórios e recuperam, então, o aspecto da pele.

Após o tratamento, oriente a pessoa a não maquiar-se nas primeiras vinte e quatro horas e a usar filtro solar a cada três.

Recapitulando

Higienização e esfoliação

Primeiramente, higienize a pele com um gel de limpeza. Em seguida, realize esfoliação química. Não se pode fazer a física em pele acneica, em vista dos microgrânulos de polietileno que machucariam ainda mais essa pele.

Emoliência

Depois, proceda à emoliência com uma solução de trietanolamina, que dilatará os óstios para, na extração, não se lesar a pele.

Máscara mandélica ou peeling mandélico

Em seguida, aplique a máscara mandélica, peeling com ácido mandélico. Na verdade, trata-se de um alfa-hidroxiácido (AHA) que, anti-inflamatório, aprimora a qualidade da pele.

Tonificação e aparelho de alta frequência

Então, tonifique a pele para equilibrar-lhe o pH. Após isso, use o aparelho de alta frequência, cuja radiação é anti-inflamatória, bactericida, fungicida e cicatrizante.

O alta frequência é tão importante na limpeza de pele comum quanto em tratamento para acne, quando ela não passa por limpeza. É desnecessário lançar mão desse recurso toda semana. Na verdade, nem é possível agir assim em caso de pele acneica.

Limpeza profunda de pele

À limpeza profunda de pele com trietanolamina, que, altamente alcalina, sensibiliza muito a pele, deve-se submeter somente uma vez por mês e quem não tem acne, a cada três ou quatro meses, já que não há comedões suficientes para se removerem.

Antes de começar essa limpeza, descubra o tipo de pele (seborreica, acneica, normal ou mista) da cliente para determinar o número de sessões — três ou dez por ano, por exemplo.

Pele com nódulos ou cistos

Trate os comedões abertos ou fechados, as pápulas e pústulas. Quando a pele exibir nódulos ou cistos, não toque neles. Oriente a pessoa a procurar um dermatologista, que poderá receitar medicamentos.

Tratamento pós-limpeza de pele

Uma semana após a sessão de limpeza, a cliente retorna, e a profissional vai aplicar nela outras técnicas sem emoliente. Pode ser peeling químico, esfoliação química ou enzimática, alta frequência, máscaras calmantes e drenagem linfática.