Insônia

Insônia

A insônia prejudica muito o funcionamento da mente e do corpo, e causa cansaço, irritação e falta de concentração no dia seguinte.

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Fases do sono

O sono tem fases, ele é classificado em REM e não-REM. O primeiro compõe a etapa em que normalmente as pessoas sonham, e no encefalograma é possível visualizar que as ondas cerebrais ficam mais agitadas, com maiores amplitudes, semelhante a quando o indivíduo está acordado, é um tipo de sono profundo em que o cérebro está muito ativo. No segundo o cérebro fica mais lentificado e mais sincronizado. Cada qual tem sua importância.

Existem três fases lentas em que o sono fica cada vez mais profundo: N1, N2 e N3,. Na primeira, a pessoa às vezes nem sabe que está dormindo. Na terceira, o sono é pesado, e às vezes é necessário chacoalhar a pessoa para acordá-la.

Importância do sono

Por muito tempo, acreditava-se que o sono era completamente passivo, hoje, sabe-se que ele exerce muitas funções importantes.

A principal delas é melhorar a qualidade de vida e manter a pessoa ativa e eficiente para as tarefas do dia a dia. Uma série de fatores participa disso, um dos cruciais é a formação e perpetuação das memórias. Aquilo que a pessoa vive ou aprende durante o dia é consolidado durante o sono.

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Existem compostos estressores que acumulam no corpo durante o dia e são eliminados durante o sono. É como se houvesse uma limpeza dessas toxinas, preparando a pessoa para o dia seguinte.

Imunidade e sono

Durante o sono, ocorre uma imunomodulação, que é a reprogramação da imunidade (das defesas do corpo). Se, por exemplo, a pessoa tomar vacina e não dormir à noite, a chance da imunização funcionar é menor do que se ela tiver uma boa noite de sono após a vacina.

Uma das principais funções do sono é manter a pessoa com bom humor. Uma noite mal dormida favorece irritação, impaciência, inquietude e falta de concentração, e a ocorrência de várias noites mal dormidas prejudica o organismo a longo prazo.

A produção de GH (Growth Hormone, em português hormônio do crescimento) pelo organismo aumenta durante o sono. Principalmente na infância e na adolescência, dormir bem é importante não só para o desenvolvimento dos ossos e da musculatura, mas também do sistema nervoso central – o cérebro se desenvolve principalmente com estímulos intensificados durante o sono, porém, outros hormônios também participam disso.

O organismo funciona em duas fases (que compõem o ciclo circadiano): uma acordada (vigília) e outra dormindo (sono). A melatonina é um hormônio que ajuda a regular isso.

Outro hormônio envolvido nesse processo é o cortisol, o hormônio do estresse. Quando a pessoa não dorme bem ou está muito estressada, ele aumenta e atrapalha o ciclo de sono. Durante o dia, quando a pessoa está muito ativa, os níveis de cortisol estão altos; ao final da tarde, eles começam a diminuir, e à noite caem bastante, que é o momento em que se deve relaxar. Por isso, se assustar ou se estressar durante a noite atrapalha o sono.

Tempo ideal de sono

A necessidade de sono depende do organismo de cada um, o relógio biológico é individual. Os dormidores curtos são aqueles que com poucas horas de sono se sentem descansados para o dia seguinte, e os dormidores longos às vezes precisam dormir 10 horas por noite para se manterem bem.

Há quem goste de acordar bem cedo, e fica mais ativo pela manhã. Outros são mais vespertinos ou até noturnos, e para muitos deles é muito desagradável acordar cedo. Cada pessoa se adapta de uma forma ao ciclo circadiano.

Fatores que podem desencadear a insônia

A insônia é uma doença complexa, e pode ser primária ou secundária a outra enfermidade ou transtorno. Várias condições físicas geram-na, algumas cardíacas, outras neurológicas, como epilepsia, ansiedade, depressão, bipolaridade, esquizofrenia e transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) – pois mexem com o funcionamento mental e também com a qualidade de vida da pessoa.

Uma série de fatores influencia na insônia, como a genética (fator hereditário), o meio social, os acontecimentos cotidianos, etc. O ciclo menstrual normal da mulher também pode alterar a forma como ela dorme, e a mudança dos hormônios na menopausa muda o padrão do sono, além do envelhecimento natural – quando mais tempo passa, menos a pessoa consegue dormir bem, assim, a insônia tende a piorar ao longo da vida.

Fatores externos

Fatores ambientais e comportamentais também podem atrapalhar o sono, como pouco antes de dormir mexer no celular ou no computador, ver televisão ou fazer uma leitura pesada. Isso faz com que o cérebro interprete que é hora de estar alerta e ter reações rápidas, e assim se manter acordado.

Ver televisão aumenta a produção de cortisol, o que atrapalha a noite de sono. A luz incidente, se forte, independente se perto ou longe do olho, prejudica a produção de melatonina.

Sono diurno e noturno

A maior parte das pessoas fica acordada durante o dia e dorme à noite. Porém, há aqueles que trabalham à noite, e dormem de dia. Geralmente, há uma diferença importante entre o sono durante a noite e o durante o dia. Alguns se adaptam mais fácil a essa mudança de turno, mas a maior parte tem insônia crônica quando faz isso.

O sono durante a noite coincide com uma temperatura corpórea menor, um nível mais baixo de cortisol e um mais alto de melatonina. Quando a pessoa tenta dormir durante o dia, por exemplo, às 10:00h ou às 16:00h, mesmo que seja em um quarto escuro e silencioso, parâmetros importantes para o sono estão com valores inadequados.

Se isso acontecer, por exemplo, em 1 ou 2 plantões de trabalho durante a semana, bagunçará o ciclo de sono do indivíduo.

Sesta

Existe um sono que é mais natural durante o dia, o após o almoço, que é reparador desde que não muito prolongado – 30 a 40 minutos bastam para recarregar as energias, e trazer benefícios para a memória e coordenação motora, entre outros.

Nesse horário, há um sono fisiológico, pois a temperatura corpórea decresce um pouco e há alteração hormonal semelhante a que ocorre à noite. Se esse período de sono for prolongado, lentificará o funcionamento do cérebro, o que não é benéfico.

Alguns se sentem renovados após a soneca do almoço, outros sentem que ela atrapalha o dia. É uma questão individual.

Exames para diagnóstico da insônia

A polissonografia é um exame muito completo que mede vários parâmetros do sono. Nele, coloca-se eletrodos no corpo da pessoa, é feito um eletroencefalograma e, ao mesmo tempo, são verificadas a respiração, a temperatura do ar que sai da boca e os movimentos do tórax, do pulmão, das pernas e de todo o corpo. Existem versões do exame em que a pessoa dorme na clínica, e outras em que ela coloca o aparelho e leva-o para casa para dormir.

Nem todos que têm insônia precisam fazer esse exame. Ele serve principalmente para as insônias causadas por ronco ou obstrução das vias aéreas – que quando colabam (grudam uma na outra), provocam o ronco e, ocasionalmente, a apneia do sono, que aumenta a pressão arterial, entre outros males.

É um exame que determina o padrão da apneia do sono, mas que em alguns casos também pode ser usado para a insônia.

Em São José do Rio Preto, um levantamento verificou que cerca de 32% dos entrevistados tinham alguma queixa relacionada ao sono, e cerca de 1/3 dessa porcentagem reportou que tinha algum problema do sono que causava dificuldades no dia a dia, como sonolência diurna, alterações de humor e problemas no trabalho, na escola e nos relacionamentos.

A depender do caso, essas pessoas podem fazer a polissonografia para verificar se realmente tem insônia ou algum outro problema durante o sono que cause também cansaço no dia seguinte.

Tratamentos para insônia

Higiene do sono

A higiene do sono consiste na modificação de comportamentos para que a pessoa se acostume a relaxar o corpo e a dormir sempre em um mesmo horário. Algumas medidas são tirar a televisão e o computador do quarto e evitar ficar no celular depois de determinado horário.

A pessoa pode, por exemplo, anotar em uma agenda as preocupações do dia e não ficar pensando nelas ao ir para a cama. Às vezes é produtivo pensar sobre o que aconteceu durante o dia, porém, isso pode ser deixado para a manhã seguinte, pois facilita que a pessoa relaxe para dormir.

Deve-se evitar comer até duas horas antes de se deitar para dormir.

A higiene do sono envolve vários outros fatores, como o tipo de luz do quarto em que se dorme. Se a pessoa usa o quarto para estudar, assistir televisão ou trabalhar, acaba condicionando o cérebro a pensar que aquele cômodo serve para muita coisa e que é necessário estar ativo nele.

Praticar exercícios físicos durante o dia, manter uma alimentação saudável e nas horas certas ajudam a ter uma boa noite de sono.

Tratamento medicamentoso

Alguns remédios são eficientes e podem ajudar contra a insônia, porém, a automedicação pode trazer sérios problemas, pois o fármaco que determinada pessoa usa não necessariamente irá fazer bem para outra.

Primeiramente, é necessário definir se o remédio é necessário. Quando mesmo após aplicada a higiene do sono, a insônia não se resolve, é sinal de que ela provavelmente precisará ser tratada com medicamentos.

Para determinar a medicação, é necessário investigar se a insônia é primária ou secundária. Se o problema que está causando-a é tratado, a intervenção dela é mais objetiva e mais resolutiva, por exemplo, se a pessoa está com depressão, é necessário primeiro tratar esse transtorno para a insônia melhorar. Se a pessoa tem doença na tireoide ou algum outro problema de saúde, ele precisa ser tratado.

Se somente a insônia é tratada, o problema associado à ela não é resolvido e será necessário tratá-la por mais tempo.

Muitos tratam a insônia com remédios tarja preta, que causam dependência e aumento da tolerância do organismo à eles, assim é necessário usar doses cada vez maiores deles para obter resultados. Esse tipo de medicação trata somente a insônia e gera outros problemas, como diminuição da memória e da atenção no dia seguinte.

Atualmente os medicamentos tarja preta não compõem a primeira linha de tratamento para a insônia, e normalmente são utilizadas medicações que não viciam. Elas agem diferentemente dos calmantes, e podem ajudar a pessoa a dormir sem os problemas que eles acarretam.

Terapia complementar com reiki

Uma pessoa relata que desenvolveu dificuldades para dormir quando estava se preparando para um processo seletivo. O momento de apreensão trouxe dificuldades, como ansiedade e nervosismo, que atrapalhavam o sono dela, e então ela realizou sessões de reiki, uma técnica alternativa para o tratamento da insônia.

Ela deitava e ficava cerca de 2 horas tentando pegar no sono. Conforme fez as sessões de reiki, esse tempo foi diminuindo gradativamente, e ela passou a conseguir dormir mais cedo e mais rapidamente. O tratamento trouxe melhores noites de sono e muitos outros ganhos – ela passou a ficar mais centrada, mais calma e capaz de estudar e focar no que precisava para ser aprovada.

O reiki é uma terapia que trabalha o realinhamento emocional e energético do paciente,em que a imposição das mãos em determinados locais do corpo transmite energia. Quando a pessoa tem um distúrbio específico, o profissional pode fazer uma sessão geral – em que as imposições são feitas em vários pontos, desde a cabeça até os pés –, e dar atenção maior para o órgão ou sistema de maior necessidade.

Para os terapeutas reikianos, todo o distúrbio que o corpo manifesta é gerado por uma emoção. No caso da insônia, o gatilho é a ansiedade. Organizar os pensamentos, diminuir a ansiedade e o medo do que pode acontecer, proporciona um sono tranquilo.

Em janeiro de 2017, a terapia de reiki passou a fazer parte dos procedimentos oferecidos pelo SUS.

Psiquiatria e insônia

A psiquiatria também atua na medicina do sono. Normalmente, as pessoas têm certa resistência a procurar um psiquiatra por causa da insônia, e atrasam o diagnóstico e o tratamento que aumentariam a qualidade de vida delas.

Na verdade, a maioria das doenças tratadas pelo psiquiatra não está relacionada à loucura, inclusive a insônia. É necessário desfazer esse preconceito e buscar ajuda quando necessário.

Quando o problema atrapalha o dia a dia da pessoa, interferindo no relacionamento dela com a família, e diminuindo o rendimento dela na escola ou na faculdade, é sinal de que algo precisa ser feito, não necessariamente com a administração de medicação. A avaliação de um especialista é fundamental para que a pessoa seja orientada.

Bebidas alcoólicas e insônia

Alguns tomam bebidas alcoólicas, como vinho, para induzirem o sono. Isso ocasionalmente ajuda, mas piora muito a qualidade do sono. Se o indivíduo tem insônia, a orientação médica é não beber bebida alcoólica, pois isso aumentará as chances de dependência alcoólica, além de não resolver a insônia. Ademais recomenda-se não beber bebidas alcoólicas no jantar ou depois dele para não prejudicar a qualidade do sono.

Café prejudica o sono?

Alguns devem evitar tomar café, chá preto e o verde durante à noite, pois eles têm muita cafeína, e isso pode influenciar na qualidade do sono. O café é benéfico para alguns casos, e maléfico para outros. Cada organismo reage a ele de maneira diferente.

Insônia em crianças

Uma mulher relata que a filha de 9 anos pratica esportes pela manhã e gasta muita energia durante o dia, mas mesmo assim não tem um sono tranquilo, se mexe muito ao dormir e, se acorda durante a noite, não consegue dormir mais.

Existem problemas neurológicos e outros relacionados a vermes (protozoários e helmintos) que ocorrem em crianças e prejudicam a estabilidade do sono. Muitas vezes mesmo o exame de fezes não aponta anomalias. Às vezes o sono pode ser prejudicado devido ao estresse oriundo de relacionamentos conflitantes e do dia a dia, radiação de celulares, de televisão ou de computadores.

Estudos, sono e meditação

Alguns, para estudar para concursos, alternam o período de sono: dormem em torno das 19 horas, acordam às 23:00 ou 00:00, estudam até às 3:00 ou 4:00, dormem novamente, e às 10:00 acordam para estudar. Porém, percebem que, mesmo dormindo um pouco, não raciocinam direito e não assimilam de maneira satisfatória as informações.

Para estudar, a mente deve estar descansada. A meditação aumenta a eficácia da capacidade de concentração e de memória.

Estresse e insônia

Uma pessoa relata que, mesmo dormindo a noite toda, ela tem sono às 10:00, chega a cochilar no trabalho, e após às 17:00 chega em casa com sono novamente e, depois, não consegue mais dormir.

Nesses casos, o estresse e a falta de controle emocional podem estar prejudicando o sono e deve-se tomar cuidado com a alimentação.

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CRM: 70468. Residência médica em Otorrinolaringologia pelo Hospital Universitário Getúlio Vargas (2011-2014). Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Amazonas (2004-2010). Especialização em Fellowship em Cirurgia Otorrinolaringológica pelo Instituto Paranaense de Otorrinolaringologia (2014-2015). Médica Otorrinolaringologista do Hospital Adventista de Manaus (2015-atual). Médica Otorrinolaringologista da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (2016-atual). Médica Otorrinolaringologista do Hospital Universitário Getúlio Vargas (2016-atual). Médica da Estratégia de Saúde da Família da Prefeitura Municipal de Iranduba (2010-2011). Médica da Estratégia de Saúde da Família da Prefeitura Municipal de Itacoatiara (2010).