Insônia e depressão

Incidência da depressão

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), a depressão atinge cerca de 350 milhões de pessoas em todo o planeta, e é uma das maiores causas de afastamento do trabalho.

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A dificuldade para dormir, o despertar precoce e o sono leve, interrompido e agitado são características da insônia, que pode estar ligada à depressão – cerca de 90% dos pacientes depressivos apresentam também alterações no sono.

A depressão ainda é uma doença menosprezada, mas é uma das mais incapacitantes, oferecendo risco de vida nas formas mais graves, além de abrir portas para outras enfermidades.

É um distúrbio complexo, com fator genético, assim o risco dela se manifestar é maior em quem tem familiares depressivos. Para irmãos gêmeos, o risco dos dois terem depressão é maior se eles forem idênticos. Oscilações hormonais, vivência em ambientes muito estressantes e com grau de cobrança excessivo também influenciam na doença, que sempre existiu na humanidade, mas é pior nos tempos contemporâneos, devido à crises econômicas, elevado grau de desemprego, frustrações, etc.

No Japão, a depressão ocorre muitas vezes em pessoas de alta escolaridade. Em países subdesenvolvidos como o Brasil, pessoas de baixa renda e baixa escolaridade são mais afetadas pela doença. Ela ocorre não só em cidades, também no meio rural (em que é geralmente mais vista como algo superficial, uma frescura), e até mesmo em aldeias indígenas. Ela acomete ricos e pobres, negros, brancos, asiáticos, etc., e não é só fruto de estresse ou de dificuldades do dia a dia.

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Insônia e depressão

Os sintomas clássicos da depressão são melancolia, tristeza, dificuldade em sentir prazer, pessimismo, desesperança, falta de energia e de motivação, distúrbios sexuais (geralmente falta de libido), alimentares (como ganho ou perda de peso) e do sono.

Geralmente quem está deprimido tende a dormir menos, demora a pegar no sono ou desperta no meio da noite e não adormece logo em seguida.

A pessoa pode ter depressão e desenvolver insônia (chamada de insônia secundária à depressão), ou vice versa, já que ficar muito tempo sem dormir pode ser um gatilho para um quadro depressivo.

As duas doenças também podem existir de forma isolada. A insônia pode ser causada por ansiedade, problemas hormonais, distúrbios tireoidianos, etc. Quando a pessoa procura um médico por conta da insônia, é válido verificar se ela não está deprimida.

Depressão: faixa etária

A depressão é mais comum no adulto jovem e na terceira idade, na mulher em torno dos 50 anos. 5 a 9% das crianças têm quadros depressivos. Na infância, os sintomas são um pouco diferentes: às vezes há alteração de comportamento, baixo rendimento escolar, introspecção, etc. É importante que o pai e a mãe fiquem atentos principalmente em relação aos relacionamentos sociais, desempenho escolar e mudanças de comportamento da criança – que nem sempre consegue verbalizar como um adulto –, e se necessário, levem-na a um pediatra, neuropediatra ou psiquiatra infantil.

Crianças também têm insônia e podem ter transtornos de ansiedade.

A fé ajuda no tratamento da depressão?

É comprovado cientificamente que ter fé ajuda a combater a depressão, que diminui a esperança da pessoa, deixa-a mais pessimista e mais sensível àquilo que é negativo do que ao que é positivo. A pessoa se afasta daqueles que gosta e fica presa em casa.

Junto com o tratamento medicamentoso, o psicoterápico e as atividades de lazer e esportivas, a busca da fé e da melhor forma de expressá-la ajuda contra a depressão, até mesmo indiretamente, pois muitos, quando frequentam, por exemplo, igrejas ou retiros espirituais, se aproximam de pessoas que já passaram por situações semelhantes e que podem ajudá-las. Sozinha, a pessoa tende a ficar mais fragilizada.

Características da insônia

Quase 1/4 das mulheres sofrem de insônia, e muitos que a tem, no dia seguinte às noites mal dormidas ficam se sentindo mal. Se frequente, isso pode piorar, e colaborar para o surgimento de doenças mais graves.

Determinar se se está ou não dormindo adequadamente não está relacionado apenas à quantidade de horas dormidas. Não é verdade que todos devem dormir 8 horas por noite, isso varia de acordo com o biótipo do indivíduo e gasto energético dele durante o dia, para alguns dormir 4 horas é mais do que suficiente, já outros precisam dormir 9 horas por noite.

Higiene do sono

A primeira medida para combater a insônia é verificar o ambiente em que se dorme, se ele é silencioso e pouco iluminado, se o colchão e o travesseiro são adequados, etc. A pessoa deve evitar se expor à iluminação próximo da hora de se deitar, mesmo à luzes de celulares, tablets e notebooks, pois isso inibe a secreção de melatonina.

Os exercícios físicos devem ser feitos pelo menos até duas ou três horas antes de se deitar – o ideal é de manhã, até o final da tarde –, e não perto da hora de dormir.

Deve-se evitar alimentos com cafeína e outros de difícil digestão, e consumir os que proporcionem mais serenidade, como chás.

A pessoa pode tentar fazer meditação ou ler algum livro que lhe seja agradável.

Outras medidas de higiene do sono são dormir sempre no mesmo horário e só buscar o quarto quando estiver com sono.

Tratamentos para insônia

Quando a insônia não é resolvida com a higiene do sono, a pessoa deve procurar atendimento médico para verificar se o distúrbio não é sintoma de outra doença, como as da tireoide, ou se está relacionada à transtornos de ansiedade ou à depressão, e se não é necessário tratamento medicamentoso (seja para a insônia ou para outra doença).

A insônia primária tem vários tratamentos, desde os mais naturais até os mais radicais.

Como reconhecer a depressão

Qualquer mudança de comportamento em uma pessoa próxima, ou até em si mesmo, pode ser indicativo de depressão. A pessoa, antes bem-humorada, se irrita mais facilmente, se frustra mais prontamente e pode ter sintomas de ansiedade.

Oscilações de peso, de apetite e do ritmo de sono podem ser sinais de depressão. Os homens, às vezes, deixam de fazer a barba, de se arrumar, de cuidar das pessoas próximas. Em casos mais graves, a pessoa pode não querer sair de casa, e acordar de manhã sem vontade de ir trabalhar. Se a mulher perceber isso no marido, deve estimulá-lo a procurar auxílio médico. A andropausa (em que ocorre diminuição de testosterona no organismo) pode ser a causa da depressão.

Mesmo formas leves da doença, em que há mal humor crônico, mudanças de personalidade e de comportamento, devem ser reconhecidas.

Sintomas graves da depressão

Alucinação, psicose e paranoia – sensação de algo que é irreal – são sintomas graves e que não acontecem somente em casos de esquizofrenia ou transtorno bipolar. Em uma crise de depressão grave, a pessoa pode ver vultos, ouvir vozes, ter pensamentos intrusivos de morte e de desapego à vida, etc. Isso é chamado de depressão psicótica, e é uma emergência médica, tal qual uma arritmia cardíaca, infarto ou AVC, e é necessário dar atenção e suporte a esse paciente.

Depressão na terceira idade

Uma pessoa relata que a mãe vive quieta e não quer mais ficar entre pessoas, e parece estar perdendo o gosto pela vida.

Estresse crônico, como o proveniente de relacionamentos complicados e de dificuldades financeiras ou no trabalho, são fatores de risco para depressão. Muitas pessoas na 3ª idade não verbalizam bem a depressão, e ficam cada vez mais cabisbaixas, fechadas, o que por vezes se assemelha à quadros de demência ou de esquecimento.

A pessoa pode precisar de medicamentos ou de um ajuste do ritmo de vida, e também pode ser necessário rever a relação dela com o cônjuge – pode ser que ele precise participar disso, mudando o comportamento – ou com os filhos.

Riscos da insônia

É melhor tomar remédio orientado pelo médico do que dormir mal e no dia seguinte aumentar o risco de sofrer algum acidente (como bater o carro), ficar menos criativo e mais irritado, e semanas depois, ficar com a imunidade mais baixa, com a pele prejudicada e com risco de piora da hipertensão, diabetes e colesterol. A longo prazo, a pessoa envelhece, e corre maior risco de infarto, derrame e de doenças degenerativas.

Sintomas da ansiedade

A ansiedade tem sintomas psíquicos e físicos. Ela pode ocasionar pressão antecipatória, sensação de que algo está prestes a acontecer, aumento da percepção de estresse, taquicardia, falta de ar, tontura e formigamentos intermitentes – já que acelera a respiração – em torno dos lábios, nas mãos ou nos pés – se ocorrer somente em um dos pés ou se esse sintoma não foi bem investigado, deve-se procurar um médico para verificar se a pessoa não tem outra coisa além de ansiedade.

Alguns, por pinçamento de nervos ou de vasos sanguíneos, podem ter dormência nos pés dependendo da posição em que estão, e quando alteram-na o formigamento piora um pouco e melhora logo após, se ele for demasiadamente incômodo, ocorrer independente da posição em que a pessoa estiver ou durar muitos minutos e até mesmo algumas horas, deve-se buscar ajuda médica, pois pode ser um problema vascular ou relacionado ao sistema nervoso.

Diagnóstico de ansiedade e depressão

Ansiedade e depressão são doenças crônicas e progressivas que, se reconhecidas no início, têm mais fácil resolução, por isso é fundamental que a pessoa reconheça em si a depressão e a insônia precocemente, e busque ajuda especializada.

Em quadros mais leves, pode não ser necessário um especialista – um clínico do posto de saúde pode lidar com quadros de depressão e ansiedade de leve intensidade.

Distimia

A distimia é uma forma mais leve de depressão. É um mau humor frequente (que persiste por mais de 2 anos), muitas vezes não diagnosticado.

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CRM: 70468. Residência médica em Otorrinolaringologia pelo Hospital Universitário Getúlio Vargas (2011-2014). Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Amazonas (2004-2010). Especialização em Fellowship em Cirurgia Otorrinolaringológica pelo Instituto Paranaense de Otorrinolaringologia (2014-2015). Médica Otorrinolaringologista do Hospital Adventista de Manaus (2015-atual). Médica Otorrinolaringologista da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (2016-atual). Médica Otorrinolaringologista do Hospital Universitário Getúlio Vargas (2016-atual). Médica da Estratégia de Saúde da Família da Prefeitura Municipal de Iranduba (2010-2011). Médica da Estratégia de Saúde da Família da Prefeitura Municipal de Itacoatiara (2010).