Guaco: benefícios e como usá-lo

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Guaco: características

O guaco (Mikania glomerata) é uma planta comum e popular no Brasil, plantada em quintais, jardins e hortas. É nativo da Mata Atlântica e existem várias espécies parecidas e confundidas com ele.

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Mikania glomerata.

Ele tem um cheiro semelhante ao do mel, e popularmente, no Brasil, é muito utilizado para tratar problemas respiratórios (como bronquite, asma e gripes), como expectorante e como broncodilatador – relaxa o músculo bronquial favorecendo a passagem de ar pelos brônquios. Ele tem outros usos populares, porém menos conhecidos, como antifebril e analgésico.

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Toxidade do guaco

O guaco não é uma planta de uso livre. Isso não quer dizer que toma chá ou xarope de guaco faça mal ao organismo, mas existem algumas precauções que precisam ser tomadas no uso dele.

O guaco foi testado em dosagens muito altas, e demonstrou capacidade de estimular mutações genéticas – transformações indesejáveis do DNA. Por esse motivo, ele deve ser sempre usado nas dosagens recomendadas (uma colher de planta picada para cada xícara de água, tomando duas ou três xícaras ao dia).

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Grávidas – principalmente nos primeiros meses de gestação – não devem utilizar essa planta, pois ela pode interferir na divisão celular do embrião.

O uso frequente do guaco não é recomendado em crianças menores de 1 ano.

Uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) verificou que o uso excessivo e por tempo prolongado do guaco pode interferir, por exemplo, na formação da placenta, no ganho de peso do embrião e na fixação dele, podendo causar danos congênitos a ele (como problemas de má formação) e, em doses muito elevadas, o aborto.

Usar guaco frequentemente e em doses elevadas (como três ou quatro folhas para uma xícara de chá), principalmente na gestação, é um risco para a saúde.

Benefícios do guaco

Infertilidade masculina

De acordo com crendices populares, o uso frequente do guaco causa infertilidade masculina, por exemplo, interfere na produção de espermatozoides.

A Universidade Federal de Juiz de Fora testou o guaco por 52 dias em cobaias masculinas e não foi verificada nenhuma mudança de padrão na produção de testosterona, na de espermatozoides e no hábito sexual desses animais. Para homens, o uso do guaco é seguro e não causa danos ao aparelho reprodutor masculino.

Ação anticoagulante

O uso excessivo de guaco pode causar hemorragias em quem tem problemas de coagulação (que sangra com facilidade, que tem pequenas hemorragias, etc.), pois o guaco inibe a ação da vitamina K, ligada à coagulação. Quem tem trombose pode fazer uso do guaco por conta da atividade anticoagulante dele.

Ação antiofídica

Uma pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro demonstrou a eficiência do guaco em evitar os efeitos do veneno de algumas das serpentes venenosas mais comuns no Brasil: urutu, cascavel, jararaca e jaracuçu.

Nos testes em laboratório, foram utilizadas as raízes do guaco como antiofídica, e elas evitaram eventos hemorrágicos, proteolíticos, e neutralizaram a ação do veneno das cobras, aumentando a sobrevivência de cobaias que receberam o veneno.

Nessa pesquisa, o efeito hemorrágico do veneno foi inibido de 40 até 100%, dependendo da concentração dos extratos de guaco utilizada.

No caso de cobras, como a cascavel, cujo veneno coagula o sangue, houve inibição do processo de coagulação.

Ação anti-inflamatória

Uma pesquisa realizada pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro demonstrou que o uso do guaco exerce ação anti-inflamatória moduladora do sistema imunológico.

Muitas pesquisas demonstram que as folhas do guaco têm ação inibidora dos processos inflamatórios causados pelo veneno de serpente.

Uma pesquisa realizada pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) testou extratos de guaco em vários processos inflamatórios, e constatou que eles inibem em até 55% os efeitos inflamatórios.

Essa é uma das ações que fazem do guaco um importante medicamento para tratar bronquites – inflamação do sistema respiratório –, já que, por conta da ação anti-inflamatória, ele melhora a saúde pulmonar.

Ação analgésica

A Universidade Federal do Rio de Janeiro testou extratos de guaco em modelos de dor, e verificou que houve redução de até 68% na sensação de dor.

Ação antibiótica

A Universidade de Franca testou o extrato do guaco contra alguns tipos de bactérias, e verificou que ele inibe a formação de bactérias sobre a superfície (biofilme), inclusive em bactérias que causam problemas odontológicos, como cáries dentárias, periodontite e gengivite.

Para quem está com algum tipo de infecção bucal, recomenda-se tomar chá e fazer bochecho com guaco.

Uma segunda pesquisa realizada pela Universidade de Franca também verificou que o guaco inibe o desenvolvimento das bactérias causadoras de cáries dentárias. Por isso, existem indicações do uso do guaco como enxaguante bucal.

Outras plantas que têm ação comprovada contra bactérias causadoras de cáries são, por exemplo, as folhas do araçá e da goiaba. Um chá de folhas de araçá, goiaba e guaco pode ter efeito melhor que o de um enxaguante bucal comercial.

Ação fungicida

Como fungicida, algumas universidades de Minas Gerais testaram a eficiência do guaco no controle da Candida albicans, fungo causador da candidíase – o sapinho nas crianças e o pano branco na região genital das mulheres.

Extratos de guaco foram testado tanto contra a candidíase oral quanto a genital, e inibiram mais de 80% do desenvolvimento fúngico.

Para tratar a candidíase oral é possível fazer bochecho com chá de guaco.

Na candidíase genital, deve-se fazer o banho de assento. Faça um chá concentrado com uma grande quantidade de folhas de guaco. Coloque-o em uma bacia e adicione um pouco de água fria para deixá-lo em uma temperatura adequada para a pele e faça o assento.

Ação antiviral

Como antiviral, a Universidade Federal de Juiz de Fora testou, em laboratório, a ação dos extratos de guaco em casos de herpes tipo 1 (labial) e tipo 2 (genital).

Em relação ao tipo 1, o guaco inibiu 87,7% do desenvolvimento dos vírus, impedindo a replicação e o crescimento deles, e no tipo 2, obteve 92,7% de eficiência em combater o vírus.

Para quem sofre de herpes genital ou labial, o guaco é uma excelente opção de tratamento. É possível lavar a área com chá ou simplesmente triturar as folhas e aplicar sobre a área, principalmente no herpes labial. No herpes genital, o melhor é fazer banhos de assento.

Controle de diarreias

Num estudo realizado pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), o efeito dos extratos de guaco foi muito parecido com o da loperamida – medicamento utilizado para tratar diarreias –, ou seja, ele retarda o trânsito intestinal, fazendo com que as fezes demorem mais tempo para serem evacuadas, inibindo a diarreia.

Em crianças ou em adultos, o uso do guaco é eficiente como medicamento antidiarreico.

Ação antiparasitária

Extratos de guaco foram testados pela Universidade Estadual de Maringá contra o Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas, e a Leishmania amazonensis, causadora da leishmaniose cutânea.

Contra o primeiro, houve mais de 50% de inibição do desenvolvimento parasitário. Em relação ao segundo, a inibição foi de 97% do desenvolvimento do parasita no organismo do hospedeiro.

Ação broncodilatadora

Num estudo realizado pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), extrato de guaco tiveram eficiente ação broncodilatadora e relaxante dos anéis que formam os brônquios, melhorando a capacidade respiratória em casos de asma, bronquite e outras causas de falta de ar.

Anti-inflamatório pulmonar

Num teste realizado pela Universidade do Extremo-sul Catarinense, animais tiveram inflamações pulmonares induzidas por pó de carvão mineral, e os que utilizaram extratos de guaco tiveram os efeitos dessa inflamação amenizados em grande percentual.

Ação antitussígena

Combatendo as tosses persistentes, existem, no mercado, dois medicamentos fitoterápicos que trazem, em sua composição, extratos de guaco. Eles foram testados pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e a eficiência da sua ação antitussígena foi comprovada.

No caso de tosses persistentes, indica-se o uso de guaco, entre outras plantas.

Ação ansiolítica

Num teste realizado pela Universidade Federal do Piauí, extratos de guaco tiveram excelente ação inibidora da ansiedade, melhorando o sono e trazendo relaxamento e tranquilidade.

Para pessoas com sono agitado, ou que sofrem de algum tipo de ansiedade, o guaco pode ser utilizado.

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