Gravidez com diabetes

Gravidez e diabetes

Com uma gestão cuidadosa e supervisão de um médico, uma mulher pode ter uma gravidez saudável mesmo tendo diabetes. A Organização Mundial de Saúde (OMS) define a saúde como um estado de completo bem-estar físico mental e social, e não somente a ausência de enfermidades – ou seja, uma pessoa que tem diabetes pode e deve ser saudável.

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Em relação ao diabetes e a gravidez, existem duas situações diferentes: mulheres com diabetes tipo 1 ou tipo 2 diagnosticadas antes da gestação, e mulheres que desenvolveram diabetes gestacional – aquela diagnosticada pela primeira vez durante a gravidez.

Ter um filho é uma grande decisão na vida de qualquer pessoa, especialmente na mulher diabética. Ao planejar com antecedência, a paciente pode melhorar as chances de ter uma gravidez saudável e um bebê saudável.

Controlar os níveis de glicose de forma rigorosa é essencial, pois a glicose em excesso no sangue da mãe ultrapassa a barreira placentária, chegando até o bebê. Com isso, o pâncreas do bebê aumenta a produção de insulina, podendo levar a muitas complicações, tais como parto prematuro, aborto espontâneo, macrossomia (o nascimento de bebês muito grandes, acima de 4kg), hipoglicemia (a baixa de glicose no sangue) ao nascer, icterícia prolongada (coloração amarelada na pele e nos olhos do bebê), além da síndrome da dificuldade respiratória.

A mãe ainda pode ter complicações como o agravamento dos problemas oftalmológicos (a chamada “retinopatia diabética”), agravamento de problemas renais (nefropatia diabética), infecções urinárias e vaginais, pré-eclâmpsia (hipertensão arterial, normalmente com eliminação de proteína na urina) e dificuldade na hora do parto (aumentando o risco da necessidade de uma cesariana).

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Para minimizar os riscos de complicações, além de um bom planejamento, é necessário também o apoio de uma equipe de saúde especializada, que deve ser composta por profissionais como o endocrinologista, o obstetra de alto risco e o nutricionista.

Engravidar tendo diabetes requer muito trabalho e dedicação por parte da mãe. A chave para o controle do diabetes durante a gravidez é alcançar níveis normais de glicose no sangue 6 meses antes da concepção, e manter esses níveis ao longo dos 9 meses seguintes.

Dicas para uma gravidez saudável com diabetes

Controle da hemoglobina glicada

A mulher deve prestar atenção na hemoglobina glicada. Níveis de glicose elevados ao longo do tempo podem estar associados à má formação do bebê e/ou ao aborto. Manter os níveis de glicose no sangue o mais próximo dos valores normais é fundamental para evitar complicações. A paciente deve conversar com o médico e acertar quais devem ser os valores de hemoglobina glicada A1C que ela deve ter como meta.

Se os valores apresentados antes da gravidez foram extremamente altos, é necessária uma conversa franca com o médico sobre qual o impacto que esses níveis podem ter tido no bebê que está em desenvolvimento.

Automonitoramento

A paciente deve fazer o automonitoramento da glicose no sangue. Ter diabetes e estar grávida significa monitorar a glicemia mais vezes durante o dia. acompanhar os níveis de glicose de perto é fundamental para conseguir manter esses níveis o mais próximo dos valores normais, e, assim, manter uma hemoglobina glicada abaixo de 6,5% durante a gestação.

A paciente deve manter um relatório com os resultados de glicemia, registrando as medições de glicose com data e hora em que foram realizadas. Além disso, deve registrar também o que foi ingerido nas refeições (café da manhã, almoço e jantar).

A necessidade de insulina aumenta muito durante a gravidez. Deste modo, a paciente também deve anotar, em seu relatório, a quantidade de unidades aplicadas por vez. O médico pode usar esses dados para fazer ajustes no tratamento.

Enjoos, vômitos e hipoglicemia

A paciente deve conversar com o médico sobre os enjoos. Enjoos e vômitos são normais durante a gravidez. Porém, em mulheres com diagnóstico de diabetes prévio, esses enjoos podem ser perigosos.

Quando a mulher se alimenta, aplica a dose de insulina, e, logo após, o alimento é colocado para fora através do vômito, existe a chance de ocorrer uma crise séria de hipoglicemia. O médico pode prescrever algum medicamento contra náuseas e enjoos.

Para o caso de crises de hipoglicemia, a paciente deve sempre ter à mão alimentos ricos em carboidratos de absorção rápido.

Atividade física

A paciente deve manter ou iniciar um plano de atividade física. Se exercitar e fundamental para a boa saúde da mãe e do bebê. A mulher deve se certificar com o médico sobre quais atividades físicas ela pode fazer.

A atividade física ajuda a manter a glicemia, pois aumenta a captação de glicose pelos músculos, aumentando a sensibilidade das células à insulina.

Uma gravidez saudável é sinônimo de um bebê saudável.

Diabetes: complicações para o bebê

A primeira complicação para o feto filho de mãe diabética é a passagem de muito açúcar para o bebê – a mãe fica com níveis muito altos de açúcar no sangue, e consequentemente o bebê também.

A primeira consequência é o bebê, além de engordar, crescer demais. Por isso, há mais chances de complicações na hora do parto – o parto de um bebê de 3kg é muito mais fácil do que o de um de 4,5kg.

Sangramentos pós-parto também podem ser maiores conforme o tamanho do bebê.

Por passar muito açúcar para o bebê, também pode acontecer dele urinar muito.

Um bebê muito grande e com muito líquido acaba provocando maior distensão do útero, que interpreta como se já fosse a hora do parto, mesmo que ainda não seja. Portanto, outra complicação que pode acontecer é a prematuridade (o bebê nascer antes do tempo).

Filho de mãe diabética não nasce com chance aumentada de ficar diabético – ter muito açúcar no sangue. Na verdade, o bebê pode ter níveis baixos de açúcar no sangue. Durante o pré-natal, o bebê acostuma a receber muito açúcar. Quando ele nasce e o cordão umbilical é cortado, o fluxo de açúcar para ele interrompe, o pâncreas dele continua produzindo insulina e ele fica com baixos níveis de açúcar.

Outra possível complicação é a icterícia neonatal, um amarelado no corpo do bebê.

Algumas vezes há tanto açúcar no corpo da mãe e tanto é transmitido para o sangue do bebê que, de maneira simplista, esse açúcar atrapalha o transporte de oxigênio no sangue.

Num primeiro momento, o bebê produz mais células sanguíneas para transportar mais oxigênio. Se ele nasce nesse meio tempo, ele destrói essas células a mais que produziu, e isso vira icterícia (bilirrubina).

Em casos mais graves, o bebê acaba tendo pouco oxigênio, e pode morrer na barriga da mãe (óbito fetal).

Programação fetal intrauterina

O bebê aprende algumas coisas enquanto está dentro da barriga da mãe, e uma delas é metabolizar o açúcar. Filhos de mães diabéticas descompensadas podem evoluir com hipertensão, diabetes e colesterol alto na vida adulta. Por isso, é tão importante o controle do diabetes durante a gravidez.

Cuidados com o diabetes na gestação

A gestante diabética tem o diabetes agravado durante a gestação. O primeiro cuidado importante que ela deve ter é adaptar o tratamento (seja através de drogas hipoglicemiantes ou através do uso de insulina) à gestação.

Em relação à amamentação, não existe uma interferência importante em termos de quantidade e qualidade do leite. A mulher pode amamentar normalmente, mas deve manter o cuidado do equilíbrio do diabetes durante a gestação.

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CRM: 124205. Doutorado em andamento em Endocrinologia e Metabologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Residência em Clínica Médica pelo Hospital Geral de Pedreira. Aperfeiçoamento em Medicina Tropical (Hanseníase) pela Universidade Federal de Alagoas (2006). Graduação em Medicina pela Universidad de Montemorelos (1997-2005). Título de Especialista em Endocrinologia e Metabologia pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (2013). Médica endocrinologista da Prefeitura Municipal de Carapicuíba (2013-atual). Médica endocrinologista da Prefeitura Municipal de Cotia (2007-2016). Médica do Programa Saúde da Família da Prefeitura Municipal de Vargem Grande Paulista (2006-2007).