Gervão: benefícios e como usá-lo

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Gervão: características

O gervão é uma planta comum em todo o Brasil, que nasce espontaneamente, e possui muitas espécies.

De parte do Nordeste até o Rio Grande do Sul é possível encontrar uma espécie chamada Stachytarpheta cayennensis. Nas regiões Norte e Nordeste, há predominância da Stachytarpheta jamaicensis. Basicamente, essas são as espécies encontradas no Brasil, e têm características e usos semelhantes.

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Popularmente, o gervão é utilizado para estimular a digestão, o fígado, a vesícula e o funcionamento do intestino. Ele combate gases intestinais e tem ação anti-inflamatória intestinal. Na Jamaica, o medicamento fitoterápico mais utilizado para combater vermes intestinais é feito à base dele.

Para tratar o sistema digestório o gervão é bastante utilizado popularmente em muitos países.

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Toxidade do gervão

Em dois estudos realizados pela Universidade de São Paulo (USP) e um na Nigéria, não foi identificada toxidade da planta. Em nenhum deles ela causou qualquer tipo de problema, seja no estômago, nos rins, no fígado, nos padrões sanguíneos ou problemas neurológicos.

Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) verificou que as raízes do gervão aplicadas topicamente (sobre a pele) não causaram fotossensibilização, ou seja, não propiciaram queimaduras solares.

Um estudo realizado na Nigéria, demonstrou que, em uso prolongado e em altas doses, o gervão pode causar algum tipo de incômodo ao fígado. Se a pessoa tem algum problema grave hepático, deve evitar o uso prolongado dele.

De modo geral, as pesquisas não demonstram que o gervão tenha alguma toxidade.

Benefícios do gervão

Ação antioxidante

Algumas das substâncias presentes no fitocomplexo (o conjunto de princípios ativos) do gervão têm excelente capacidade antioxidante, combatendo radicais livres do organismo – compostos que pioram casos inflamatórios e problemas autoimunes, e acentuam o câncer –, o que previne muitos tipos de doenças e melhora significativamente o funcionamento do organismo.

Ação bactericida

Uma pesquisa realizada na Nigéria demonstrou que o gervão exerce moderada atividade bactericida. Ele não é um forte antibiótico, mas combate alguns tipos de bactérias, inclusive é muito utilizado e bastante eficiente para lavar feridas infeccionadas e para tratar infecções intestinais causadas, por exemplo, pela Escherichia Coli e a Salmonella, entre outras bactérias.

Combate à parasitas intestinais

Em um estudo realizado pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), extratos de gervão foram eficientes em eliminar do intestino a Giardia lamblia, parasita que causa a giardíase, doença que provoca fortes diarreias. Normalmente, quem bebe água não tratada está suscetível a contrair a Giardia.

Ação anti-inflamatória

Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), tanto o extrato do gervão quanto os princípios ativos isolados dele foram testados em animais em diversos modelos de inflamação, e constatou-se excelente atividade anti-inflamatória e analgésica – ou seja, ele reduz os sintomas da inflamação e a sensação de dor nesses casos.

Em uma pesquisa realizada pela USP, comprovou-se a potente ação anti-inflamatória dessa planta. Porém, nesse estudo não se verificou a atividade analgésica.

A Stachytarpheta jamaicensis foi testada na Malásia, e comprovou-se a sua potente ação anti-inflamatória e analgésica. O gervão pode ser utilizado para tratar vários processos inflamatórios, como gastrites, inflamações da garganta, amidalites, infecções intestinais, etc.

Ele pode ser utilizado topicamente, por exemplo, para tratar dores musculares e tendinite, na forma de compressas, reduzindo com eficiência a inflamação e as dores.

Controle do colesterol

A Stachytarpheta jamaicensis foi testada na Nigéria e reduziu significativamente, na corrente sanguínea, a disponibilidade de colesterol LDL e VLDL, aumentando a concentração de HDL, e, com isso, reduzindo significativamente o risco de problemas cardíacos. O gervão pode ser um importante aliado no controle do colesterol.

Ação cicatrizante

Popularmente, as raízes do gervão são bastante utilizadas para acelerar a cicatrização de feridas. A Universidade Federal do Rio de Janeiro testou as raízes do gervão, fazendo um extrato com elas e produzindo um composto que foi aplicado topicamente sobre feridas. Verificou-se que o gervão tem potente ação cicatrizante. Isso se deve tanto à ação bactericida quanto à antioxidante, que melhoram muito a regeneração dos tecidos.

Proteção do estômago

Em dois trabalhos realizados pela USP, verificou-se que o chá de gervão protege o estômago, neutralizando a acidez estomacal e, por conta da ação antioxidante, evita a formação de úlceras e reduz as gastrites.

A segunda pesquisa demonstrou que as flores do gervão têm ação mais potente em proteger o estômago do que as folhas. Porém, as flores são bem pequenas e em quantidade pouco significativa em um pé de gervão. É possível utilizar sem problema as folhas e também as flores.

Ação espasmolítica

Substâncias espasmolíticas evitam a contração da musculatura lisa, que está em volta dos órgãos que têm movimentação peristáltica, como o estômago, o útero e o intestino. Por exemplo, quando uma mulher tem cólicas menstruais, quando uma pessoa tem diarreias ou tem cólicas estomacais, a musculatura lisa se contrai.

O extrato de gervão foi testado na Nigéria e verificou-se que ele exerce potente ação espasmolítica – evita a contração da musculatura lisa e, por isso, ameniza cólicas (estomacais, intestinais ou uterinas) e também diarreias, pois inibe a aceleração do trânsito intestinal, reduzindo as evacuações.

Tratamento da leishmaniose

A leishmaniose cutânea é um problema no qual a Leishmania, que é uma parasita, entra no organismo através da picada do mosquito-palha e causa danos aos tecidos da pele, provocando feridas, em muitos lugares chamadas de ferida braba devido à grande dificuldade de cicatrização. Em uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Maranhão, os extratos de gervão demonstraram excelente capacidade em inibir o desenvolvimento das larvas e eliminar as formas ativas desses parasitas..

Em uma pesquisa realizada em parceria entre a USP e a Universidade Federal de São Carlos, os mesmos exames foram realizados, comprovando os resultados.

Tratamento da malária

Em um estudo realizado na Nigéria, verificou-se que o uso dos extratos de gervão tem ação semelhante à da cloroquina, medicamento comercial para o tratamento da malária, utilizado principalmente na África, em que a incidência da doença é alta. No Brasil, também existem regiões com surtos de malária.

O gervão inibe o desenvolvimento do Plasmodium, parasita causador da malária. Nesses casos, quando não há disponibilidade da cloroquina, é possível utilizar o gervão.

Melhora do sono

Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) demonstrou que o uso do gervão aumenta a concentração no organismo de uma substância chamada pentobarbital, responsável pelo aprofundamento e prolongamento do sono. Os animais do teste que tomaram gervão tiveram um sono mais prolongado e duradouro. Uma pesquisa realizada pelo Japão e pela Nigéria confirmou a ação sedativa e hipnótica do gervão.

O gervão melhora o sono principalmente em bebês, que têm muitos gases intestinais. Como é uma planta segura, pode ser utilizada até mesmo em crianças, e trata os gases intestinais evitando cólicas e melhorando o sono.

Ação anticonvulsiva

Uma pesquisa realizada na Nigéria demonstrou que o gervão exerce ação anticonvulsiva, ou seja, espaça as crises epilépticas. Nos testes, os animais conduzidos à epilepsia por tratamento químico tiveram inibidas as convulsões a partir do momento que usaram o gervão, que como é uma planta segura, pode até ser utilizada em doses elevadas para evitar convulsões.

Pessoas que tomam anticonvulsivos não devem parar de tomá-los e tomar apenas o gervão. Ele não tem toxidade, é relativamente seguro, e pode ser utilizado complementarmente aos tratamentos convencionais.

Ação imunoestimulante

Em uma pesquisa na Nigéria, as células do sistema imunológico, que são responsáveis por fagocitar (digerir e destruir) as bactérias, tiveram a atividade ampliada nos testes com o gervão, por isso, ele é bastante eficiente para tratar infecções e inflamações.

Controle da diabetes

Na Nigéria, verificou-se que o gervão exerce ação antihiperglicemiante (evita que a glicemia suba) e hipoglicemiante (reduz a glicemia alta) complementando o tratamento da diabetes.

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