Frutas e diabetes

Consumo de frutas em pacientes diabéticos

Quando o tema é diabetes, as frutas são um assunto muito polêmico.

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Uma mulher relata que o marido foi diagnosticado com diabetes tipo 2. Ele começou a passar mal em casa, perdeu muito peso em uma semana e, certa manhã, fez um teste de glicose e o resultado foi 300mg/dL. No mesmo dia, ele foi medicado e começou o tratamento.

As frutas são um alimento saudável, indicado para crianças, gestantes, idosos, etc. As frutas têm fibras e ajudam o organismo a funcionar.

O diabético deve comer frutas, mas deve ter um equilíbrio, pois a fruta tem um açúcar natural, a frutose, que vai impactar na glicose na corrente sanguínea.

Algumas frutas impactam mais na glicemia do que outras.

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O diabético não deve comer muitas bananas, (meia dúzia, por exemplo), pois elas vão impactar na corrente sanguínea, já que a banana tem um índice glicêmico muito alto (tem a capacidade de transformar essa frutose em glicose mais rapidamente).

O índice glicêmico é o que determina qual fruta vai impactar mais ou menos na corrente sanguínea. A uva, por exemplo, é uma fruta que tem muita frutose e irá impactar mais na corrente sanguínea do que uma maçã, por exemplo.

A casca da maçã tem muita fibra. Quanto mais fibra uma fruta tiver, menos ela irá impactar na corrente sanguínea, pois a fibra retarda a absorção da glicose no estômago (o que ele elevaria a glicose na corrente sanguínea). Portanto, consumir uma maçã com casca irá impactar menos do que consumir uma maçã sem casca.

No dia-a-dia, o diabético pode comer qualquer fruta, o importante é a quantidade que ele vai comer. Ele não deve, por exemplo chupar meia dúzia de laranja.

Muitas pessoas, quando são diagnosticadas com diabetes, deixam de tomar refrigerante, cortam o açúcar do café, etc., e só tomam suco natural – por exemplo, um copo de suco de laranja. Porém, um copo de suco de laranja contém 4 ou 5 laranjas, e consumi-lo irá elevar a glicemia devido á ingestão de muita frutose ao mesmo tempo.

Os aparelhos medidores de glicose marcam até 500mg/dL ou 600mg/dL, dependendo do aparelho. Quando um medidor marca HI, a glicemia está acima desses valores.

Há relatos de um homem cujo medidor de glicose estava marcando HI após ele comer, durante uma noite, uma melancia inteira. Como a melancia tem muita água, ela parece inofensiva. Porém, ela tem muito açúcar, além de ser indigesta.

O diabético pode comer uma fatia de melancia sem problemas, mas não uma melancia inteira. Na internet, existem manuais de índice glicêmico e de contagem de carboidratos que irão mostrar quais frutas têm um índice glicêmico mais elevado.

Cada pessoa tem um organismo e um metabolismo diferente. Portanto, só a própria pessoa consegue saber se determinada fruta é boa para ela ou não.

Porém, comer duas bananas e duas laranjas de uma só vez, por exemplo, um cacho de uvas inteiro (dependendo do tamanho do cacho), ou uma jaca inteira, é prejudicial, pois irá prejudicar a glicemia.

O abacate tem gordura saudável e é uma fruta boa para ser consumida. O único país que come abacate com açúcar é o Brasil. No resto do mundo, o abacate é utilizado como salada. O abacate como salada irá impactar menos na glicemia do que com açúcar.

O diabético deve ter bom senso em relação ao que vai comer. Ele não deve consumir 4 ou 5 mangas grandes de uma só vez, mas, se forem mangas bem pequenas, ele pode.

Duas bananas idênticas, do mesmo tamanho e com a mesma carga glicêmica, vão impactar de forma distinta a glicemia de duas pessoas diferentes, pois o metabolismo de cada pessoa é diferente.

O fato de uma fruta ser prejudicial também vai depender da espécie da fruta. Uma laranja lima (também chamada de “serra d’água”), por exemplo tem, tem muito mais frutose do que outras laranjas, pois é muito mais doce.

Teste de glicemia de ponta de dedo

Para uma pessoa saber se determinada fruta é prejudicial a ela ou não, ela pode fazer um teste de glicose (ou “teste de ponta de dedo”) antes de ingerir a fruta e 2 horas após ingerir essa fruta. Assim, a pessoa irá saber se a fruta impactou ou não na glicemia, e saberá o que pode ou não comer.

Não existe uma regra geral para todas as pessoas, ela vai depender do organismo de cada um. Existem pessoas que podem consumir laranja lima, outras não.

O teste de glicemia de ponta de dedo permite saber quanta glicose a pessoa tem na corrente sanguínea em determinado momento.

Sempre que a pessoa for comer uma fruta ou alimento fora de sua rotina alimentar, ela pode fazer o teste de glicose antes e 2 horas depois de ingerir esse alimento para saber se ele irá impactar na glicemia. 2 horas é o pico máximo de absorção de glicose na digestão, portanto, será o pico máximo da glicemia.

Se a pessoa tem a glicemia sobre controle todos os dias, dentro da meta alvo que foi passada pelo médico, antes de consumir a refeição e 2 horas depois de consumir a refeição, uma glicemia fora do padrão não irá prejudica-la tanto. A pessoa não deve terá glicose sempre em altos níveis, acima do padrão ou da meta passada pelo médico.

Faixas de glicemia adequadas

A faixa alvo de glicemia de uma pessoa (por exemplo, 130mg/dL a 150mg/dL, ou de 130mg/dL a 180mg/dL em jejum, etc.) vai depender da idade e das comorbidades (complicações) que essa pessoa já tem.

A pessoa deve conversar com um médico para saber a faixa alvo da glicemia dela. Em crianças, por exemplo, deve-se evitar a hipoglicemia, pois crianças com hipoglicemia podem ter problemas neurológicos irreversíveis. A hipoglicemia também deve ser evitada no idoso, pois ela pode causar uma queda que leve a uma fratura (que pode levar ao óbito).

Por isso, as faixas alvo para crianças e idosos são mais amplas.

Consumo de ovo

O ovo é permitido para diabéticos, pois é pura proteína. Nas pessoas que têm diabetes, deve-se evitar o ganho de peso, pois o ganho de peso aumenta a resistência insulínica. Se a pessoa come um ovo frito, a gordura irá ajudar a ganhar peso. Por isso, a pessoa deve comer ovo com discernimento. Por exemplo, ela não deve comer uma dúzia de ovos de uma só vez.

O diabético não precisa comer a mesma coisa todos os dias. Ele pode variar o cardápio com sabor e com prazer, basta ter conhecimento para isso.

Chás para diabetes

Alguns farmacêuticos não recomendam o uso de chás, pois o chá pode mascarar os sintomas do diabetes e a pessoa pode deixar de tomar a medicação e de fazer o tratamento tradicional para usar um chá. Posteriormente, ela pode descobrir alguma complicação pois não cuidou dos níveis glicêmicos adequadamente.

Hipoglicemia com medicação para diabetes

Muitas pessoas, quando são diagnosticadas com diabetes (principalmente diabetes tipo 2), ficaram com a glicose elevada por muitos anos antes de começar a tomar a medicação. O objetivo do tratamento é regular os níveis de glicose e deixa-los o mais próximo possível dos níveis normais.

Quando os níveis chegam ao normal, essas pessoas começam a sentir sintomas de hipoglicemia. O diabético não deve deixar de tomar a medicação, pois esses sintomas vão passar.

Como o organismo achava que a glicose alta era o normal, essa pessoa não sentia sintomas. O organismo irá se acostumar com essa quantidade de glicose mais baixa, que é o objetivo do tratamento, os sintomas vão parar, o tratamento terá continuidade e a pessoa terá uma vida saudável, sem complicações.

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CRM: 124205. Doutorado em andamento em Endocrinologia e Metabologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Residência em Clínica Médica pelo Hospital Geral de Pedreira. Aperfeiçoamento em Medicina Tropical (Hanseníase) pela Universidade Federal de Alagoas (2006). Graduação em Medicina pela Universidad de Montemorelos (1997-2005). Título de Especialista em Endocrinologia e Metabologia pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (2013). Médica endocrinologista da Prefeitura Municipal de Carapicuíba (2013-atual). Médica endocrinologista da Prefeitura Municipal de Cotia (2007-2016). Médica do Programa Saúde da Família da Prefeitura Municipal de Vargem Grande Paulista (2006-2007).