Dieta sem carboidratos emagrece?

Retirar os carboidratos da dieta emagrece?

Evolução do aparelho energético do homem

Durante os últimos anos, é muito comum ouvir falar sobre a necessidade do emagrecimento. A obesidade e o sobrepeso têm aumentado de maneira exponencial no mundo inteiro. Isso ocorre devido às mudanças nos hábitos alimentares e no estilo de vida do homem quando ele passou do nomadismo para o sedentarismo.

PUBLICIDADE


Durante o período nômade da história, o homem se alimentava de animais – ou seja, de alimentos proteicos. Isso porque ele vivia perto de rios, que possibilitavam a pesca, e precisava caçar para se alimentar.

Com a chegada do sedentarismo e com a descoberta da agricultura, após a descoberta do fogo, o homem passou a consumir alimentos de origem glicídica – ou seja, os carboidratos.

Isso trouxe um grande impacto na modificação dos genes e também dos aparelhos energéticos do corpo.

O ser humano tem uma tendência muito grande para a aceitação dos carboidratos em comparação com as proteínas ou lipídeos. O corpo funciona, energeticamente, com a utilização dos carboidratos.

PUBLICIDADE


Isso trouxe algumas modificações em quesitos físicos e metabólicos. Devido ao grande aproveitamento dos carboidratos pelo corpo humano devido a essas modificações, eles são muito facilmente convertidos em gordura corpórea. Eles promovem algumas alterações hormonais que podem ocasionar esse acúmulo de gordura corpórea e, portanto, a obesidade e o sobrepeso.

Consumo de carboidratos

Os carboidratos não são os únicos culpados pelo aumento do sobrepeso e da obesidade no mundo inteiro. Os hábitos de vida do homem de maneira geral se modificaram, por exemplo com a inatividade física e o sedentarismo. Isso faz com que o gasto energético seja menor, e o armazenamento de energia, em forma de gordura corpórea, seja maior.

O consumo dos carboidratos também se deve às novas descobertas de açúcares, doces e outras possibilidades de deixar os alimentos mais palatáveis, modificando a alimentação do homem de maneira negativa.

É muito mais fácil, por exemplo, consumir um sonho recheado de creme ou de doce de leite, que é cheio de açúcar, do que consumir um alimento também glicídico, mas com um teor muito menor de açúcar, como o brócolis.

O paladar humano está cada vez mais adaptado a aceitar grandes quantidades de carboidrato.

Não convém que dietas sem carboidratos passem a existir. Muitas pessoas justificam a retirada total dos carboidratos da dieta como uma forma de se aproximar do primitivismo. Essa não é uma prática vantajosa, pois hoje o homem não tem os aparelhos energéticos que tinha no passado.

Por isso, a pessoa deve ter o cuidado de adequar as quantidades de carboidrato ingeridas.

Uma dieta “zero carbo” não funciona, pois não traz uma mudança nos hábitos alimentares. O simples fato de retirar um macronutriente da dieta não garantirá um emagrecimento duradouro e saudável.

Retirar os carboidratos da dieta também não é interessante para o aparelho fisiometabólico do corpo. O ciclo de Krebs funciona com compostos derivados de carboidratos, e é essencial para que a betaoxidação de gorduras (ou seja, do armazenamento de gordura para utilização como energia pelo corpo) consiga funcionar adequadamente.

Por mais que parte dos carboidratos seja retirada da dieta, uma porção deles ainda funcionará fisiometabolicamente no corpo, e a pessoa não poderá negligenciá-los.

A retirada dos carboidratos da dieta promove grandes efeitos rebote, que pode ser prejudicial tanto em termos estéticos quanto em termos de saúde.

O efeito rebote é quando uma restrição anterior gera uma grande quantidade de modificações no corpo.

Se a pessoa retira os carboidratos da dieta durante um bom tempo, depois, por mínimas que sejam as ingestões de carboidrato, o corpo armazenará grandes quantidades de glicogênio, água e até mesmo gordura corpórea. O corpo entende que aquele nutriente esteve em déficit por muito tempo na dieta, e portanto não sabe o quanto ele estará disponível novamente. Por isso, começa a armazená-lo nos primeiros consumos.

Até a pessoa “doutrinar” o corpo novamente a aproveitar adequadamente os carboidratos, levará um tempo. Portanto, restrições extremas de carboidratos não são eficientes.

Quando se pretende emagrecer, deve-se pensar primeiramente no corte energético total da dieta, para depois pensar na distribuição dos macronutrientes. Durante o emagrecimento, a pessoa deve reduzir as quantidades de carboidrato ingeridas, mas isso não significa “zero carbo”.

Não há motivo para temer os carboidratos se eles forem ingeridos da maneira correta, nas quantidades corretas, nos momentos corretos, e se forem os carboidratos corretos. Cada situação e cada indivíduo necessitarão de um consumo diferente de carboidratos, e é isso que definirá o sucesso ou fracasso na sua utilização.

O mais importante no emagrecimento é promover uma dieta equilibrada. O corpo está sempre buscando a homeostase, ou seja, o equilíbrio. Se a pessoa promove desequilíbrios no corpo, muito provavelmente terá grandes prejuízos.

Nenhum tipo de medida brusca irá funcionar para o corpo.