Diet ou light para diabéticos

O que são alimentos diet?

Alimentos diet são aqueles que têm a isenção de algum ingrediente. Eles servem para pessoas que têm alguma restrição alimentar. Por exemplo, existem pessoas que têm alergia à albumina (alergia a ovo), e que precisam comer alimentos que não têm albumina; pessoas que são intolerantes à lactose, e que precisam de alimentos isentos de lactose; e pessoas que são intolerantes ao glúten e precisam de alimentos sem glúten.

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Essas diretrizes são regulamentadas pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). No Brasil, normalmente os alimentos diet são aqueles que são isentos de açúcar, pois pessoas que têm diabetes têm que evitar o consumo de açúcar para evitar a sobrecarga de glicose na corrente sanguínea que é prejudicial para todos os órgãos do corpo humano.

Como as pessoas que têm diabetes não têm insulina (ou não têm uma quantidade normal de insulina) para ajudar a transportar a glicose da corrente sanguínea para dentro das células, essas pessoas têm a necessidade de uma alimentação especial.

A grande maioria da população sabe pouco sobre diabetes (apenas que é um aumento de açúcar no sangue) e acha que todas as pessoas que têm diabetes devem se alimentar com produtos diet, e isso não é correto.

Carboidratos em produtos diet

Produtos diet são industrializados. Um produto diet pode ter carboidrato. Por exemplo, toda fruta tem frutose, que é um açúcar natural. Para preparar uma geleia realmente feita com fruta e que não é diet (isenta de açúcar), utiliza-se a fruta, outros ingredientes e, principalmente, o açúcar, que também é muito usado como conservante nos alimentos.

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Uma geleia diet, portanto, vai ter açúcar natural da fruta, mas não tem adição de outros açúcares – por exemplo a sacarose, que é o açúcar da cana. Porém, ela pode ser adoçada com adoçantes.

Uso de adoçantes

Os alimentos diet normalmente são adoçados com adoçantes. Muitas vezes, nos rótulos de alimentos diet, existem avisos como “consumir com moderação”, “pode ter efeito laxativo”, “consumir preferencialmente com o conhecimento do médico ou nutricionista”, etc.

Os alimentos diet não foram feitos para serem ingeridos indiscriminadamente, pois o adoçante pode ter efeito laxativo, que consiste em soltar o intestino, fazendo com que a pessoa defeque mais vezes.

Muitas pessoas que não têm diabetes buscam nos supermercados produtos diet achando que esses alimentos têm menos calorias. Porém, produtos diet também têm calorias. Pessoas que estão fazendo dietas para perda de peso usam produtos diet erroneamente.

Quantidade de calorias

Na parte de trás do rótulo, todo alimento tem um quadro com as informações nutricionais e os ingredientes listados.

O chocolate diet (sem adição de açúcar) muitas vezes tem mais calorias do que um chocolate normal. Isso porque esses alimentos são adoçados com adoçantes (também chamados de “edulcorantes”), e não açúcar, sendo necessário usar uma carga maior de conservantes químicos.  Além disso, a indústria  às vezes usa mais gorduras para estabilizar esses alimentos.

O que são produtos light?

Os produtos light têm uma diminuição de pelo menos 25% de algum ingrediente ou de calorias. Nem tudo que é diet é light e nem tudo que é light é diet. Às vezes um produto diet tem mais calorias que um produto light ou que um produto normal.

Muitas vezes um produto light tem isenção de calorias, mas tem adição de açúcar. Quem tem diabetes tem que evitar o consumo excessivo de açúcar, portanto, deve tomar muito cuidado em observar, nos rótulos, as informações nutricionais e os ingredientes.

Lista de ingredientes

Qualquer produto industrializado tem uma lista de ingredientes. De acordo com uma norma, os ingredientes são listados por ordem de maior quantidade – ou seja, o ingrediente em maior quantidade irá aparecer em primeiro.

Por exemplo, em um biscoito recheado tem como primeiro ingrediente a “farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico”, que nada mais é do que uma farinha de trigo comum (uma farinha branca bem refinada). O segundo ingrediente é o açúcar, e o terceiro gordura vegetal.

Para saber se um pão integral realmente é integral, o primeiro ingrediente na lista deve ser “farinha de trigo integral”. Se a lista começar com “farinha de trigo enriquecida com ácido fólico e ferro” e o próximo ingrediente for a “farinha de trigo integral”, esse é um pão comum com um pouco de farinha integral misturada.

Existe uma indústria do marketing que tenta fazer com que as pessoas consumam mais produtos que muitas vezes são nocivos para a saúde. Por exemplo, existem produtos para crianças que anunciam serem “enriquecidos com vitaminas” ou “enriquecidos com ferro”. Deve-se tomar cuidado com esse tipo de propaganda.

Também deve-se tomar cuidado com adoçantes como o maltitol e o acessulfame-k.

Tabela nutricional

Outras informações que devem ser observadas nas tabelas nutricionais são o Valor Energético, que é a quantidade de calorias no produto, a quantidade de açúcares e a quantidade de fibras. Quanto maior a quantidade de fibra no alimento, melhor. Existem alimentos que tem 0g de fibras, 0,5g de fibras ou até 2g ou 5g de fibras.

Um alimento que tem mais fibra é mais saudável, pois a fibra diminui o tempo de absorção da glicose pelo trato gastrointestinal.

Produtos zero colesterol ou zero lactose são considerados produtos diet.

Quando uma pessoa viaja ao exterior, deve tomar cuidado ao comprar produtos diet, pois isso não quer dizer que ele seja isento de açúcar. É necessário verificar se o produto não contém açúcar lendo os ingredientes no rótulo, pois fora do Brasil o produto diet é aquele que tem isenção de algum ingrediente.

A pessoa deve preferir se alimentar mais com produtos naturais.

Sódio na alimentação

As pessoas muitas vezes se esquecem de verificar a quantidade de sódio nos alimentos industrializados. O sódio é muito prejudicial para quem tem hipertensão. A hipertensão e a diabetes são duas doenças silenciosas e muito perigosas. A hipertensão é responsável por doenças cardiovasculares, como ataques cardíacos e AVCs. Diminuir o consumo de sódio é muito recomendado.

O ciclamato e a sacarina, que são transparentes, foram os primeiros adoçantes que surgiram. Eles são os adoçantes mais comuns e baratos no mercado. A sacarina e o ciclamato contêm sódio. Quem tem hipertensão deve evitar usar esses adoçantes.

Hoje, o consumo maior de sódio na alimentação vem através dos alimentos industrializados, e não dos alimentos naturais, ou seja, do sal (sódio) que é colocado na comida. Os alimentos industrializados são ricos em sódio. Deve-se tomar cuidado com a quantidade de sódio para evitar problemas.

Muitas vezes, um iogurte industrializado que é enriquecido com mais ferro pode ter muito açúcar ou muitas calorias, e ser prejudicial à saúde da pessoa, pois irá aumentar o peso.

Tratamento do diabetes

O tratamento de diabetes consiste em alguns pilares, como alimentação balanceada, atividade física regular e usar a medicação de acordo com o que for prescrito pelo médico.

Atividade física

Normalmente, recomenda-se a atividade aeróbica, como caminhada, bicicleta ou natação. A pessoa deve procurar uma atividade física que lhe dê prazer. 30 minutos de atividade física durante 5 dias na semana vão trazer muitos benefícios para a glicemia e para a pressão arterial.

Uso da medicação

A pessoa não deve pular doses, e deve usar a dose correta. Há relatos de uma mulher que, quando comia muitos doces, tomava dois comprimidos da medicação para diabetes, mas quando, quase não comia, não tomava os comprimidos.

Os medicamentos para diabetes são de uso contínuo, e devem ser usados todos os dias, do jeito que o médico prescreveu. Usar a medicação de forma incorreta é um dos erros de quem não consegue baixar a glicose.

Se a pessoa usar a medicação da forma errada, ao longo dos anos, depois de muito tempo do diagnóstico, as complicações podem surgir.

Se a pessoa não gosta de atividade física, deve fazer alguma atividade que lhe dê prazer, por exemplo, fazer uma boa faxina, limpar vidros, levar o cachorro para passear, capinar o quintal, fazer jardinagem, etc.

Medição de glicose

A pessoa só controla o diabetes se fizer a medição de glicose com o teste de ponta de dedo. Não adianta a pessoa esperar 3 ou 6 meses para voltar ao médico e verificar se a medicação está fazendo efeito.

O diabético deve comprar um medidor de glicose. Se a pessoa tem diabetes tipo 2 e não usa insulina, fazer 3 testes por semana é o ideal – porém, em horários alternados, e não no mesmo horário todos os dias.

Consumo de gorduras

Quem tem diabetes deve evitar gorduras. A gordura em excesso é prejudicial para o diabético, pois vai fazer com que ele aumente de peso, aumente o colesterol e, assim, aumente a resistência insulínica.

Se a pessoa ainda tem produção de insulina pelo pâncreas, essa insulina pode fazer um efeito reduzido, pois terá muita dificuldade para chegar no receptor da célula.

Bombons zero açúcar

Há relatos de pessoas que sempre comem bombons zero açúcar. A pessoa deve verificar, no rótulo, se o produto realmente é zero açúcar, e verificar a quantidade de carboidratos e de gordura que ele tem.

O diabético pode comer bombons zero açúcar, mas não deve abusar, por exemplo comendo uma caixa de uma só vez. Mesmo as pessoas que não têm diabetes, se comerem uma caixa de bombons de uma só vez, não estarão tendo uma atitude saudável.

Atividade aeróbica x musculação

Um homem relata que, quando joga futebol, a glicose dele baixa muito. Já quando ele faz academia (somente musculação), ele está aumentando massa muscular e não tem esse benefício. Para diminuir a glicemia, é necessário associar uma atividade aeróbica, como esteira, natação ou bicicleta, para gastar energia. Quando uma pessoa joga futebol, ela corre e mexe praticamente o corpo todo. Já na musculação, às vezes a pessoa trabalha somente um grupo muscular (por exemplo, só os braços ou só as pernas).

Tratamento do diabetes

O tratamento do diabetes é rico em detalhes. Quanto mais detalhes a pessoa souber, mais controle da glicemia e menos complicações ela terá. A pessoa deve conhecer os grupos alimentares e descobrir quais alimentos irão impactar ou não na glicemia dela.

Quando as pessoas começam dietas muito restritivas, elas se cansam, largam a dieta e não conseguem mais controlar o diabetes.

A pessoa precisa saber como ela pode se alimentar melhor e o que ela pode comer.

O tratamento do diabetes é individualizado – cada pessoa tem uma dosagem de medicação, e às vezes o medicamento que funciona para uma pessoa não funciona para outra; às vezes  a dose de insulina é diferente para cada pessoa, e às vezes um tipo de insulina funciona para uma pessoa, e para outra não.

Uma dieta low carb pode funcionar para uma pessoa, mas para outras não.

A pessoa não deve fazer nada sem o conhecimento do médico, pois poderá prejudicar a própria saúde.

Valores ideais de glicemia

A glicemia em jejum deve estar próxima de 100mg/dL. Os valores vão depender um pouco da idade da pessoa. Até duas horas após a refeição, a glicemia deve estar próxima dos 150mg/dL.

Se a pessoa não tem diabetes, o valor deve ser menor que 99mg/dL em jejum e menor que 140mg/dL após a refeição.

Crianças não podem ter hipoglicemia, pois a hipoglicemia severa em crianças pode levar a transtornos neurológicos, retardo mental e até à morte. A hipoglicemia também deve ser evitada em idosos, pois pode levar à tontura e desmaios. Quando um idoso desmaia, ele pode ter uma fratura que pode levar a um óbito precoce. Por isso, idosos e crianças têm uma zona alvo um pouco mais estendida.

A pessoa deve conversar com o médico e verificar qual a zona alvo que ela deve ter de glicemia em jejum e duas horas após a refeição. Se a pessoa tem uma complicação instalada, ela também vai ter uma faixa alvo diferenciada.

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CRM: 124205. Doutorado em andamento em Endocrinologia e Metabologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Residência em Clínica Médica pelo Hospital Geral de Pedreira. Aperfeiçoamento em Medicina Tropical (Hanseníase) pela Universidade Federal de Alagoas (2006). Graduação em Medicina pela Universidad de Montemorelos (1997-2005). Título de Especialista em Endocrinologia e Metabologia pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (2013). Médica endocrinologista da Prefeitura Municipal de Carapicuíba (2013-atual). Médica endocrinologista da Prefeitura Municipal de Cotia (2007-2016). Médica do Programa Saúde da Família da Prefeitura Municipal de Vargem Grande Paulista (2006-2007).