Diabetes tipo 1

Prevalência do diabetes tipo 1

O diabetes é uma doença que tem aumentado no mundo inteiro, e também no Brasil. Existem aproximadamente 320 milhões de diabéticos no mundo. O Brasil é o 4° país em que essa doença é mais prevalente, com aproximadamente 13,5 milhões de indivíduos com diabetes. Desses, aproximadamente tem a chamada “diabetes do tipo 1”.

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O diabetes tipo 1 e o diabetes tipo 2 (que é mais frequente em adultos) são os dois tipos mais prevalentes dessa doença.

O diabetes tipo 1 é mais prevalente principalmente na primeira infância, por volta de 4 a 5 anos, e na adolescência. Porém, os sintomas e sinais do diabetes tipo 1 podem aparecer em qualquer faixa etária.

Sintomas

Os principais sintomas do diabetes tipo 1 ocorrem devido ao aumento da glicose no sangue: o indivíduo começa a urinar mais, beber muita água e ter um emagrecimento inexplicável, não relacionado à uma dieta ou a um aumento de atividade física – o indivíduo tem um emagrecimento rápido, podendo perder 14kg, 15kg, em cerca de 3 a 4 semanas.

Nos indivíduos menores, principalmente em crianças, pode ocorrer o “retorno da enurese”: a criança que não mais urinava durante a noite volta a urinar durante a noite, chamando a atenção dos pais.

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Às vezes a criança começa a ter infecções de repetição ou alterações no seu ritmo de crescimento, que podem ser causadas pelo diabetes.

Diagnóstico

O diagnóstico do diabetes tipo 1 normalmente é feito pela dosagem da glicose na urina ou da glicose no sangue. Em 15% a 20% dos casos, o diagnóstico ocorre por complicações agudas – ou seja, a criança em um estado de urinar muito, beber muita água, emagrecer, começa a ter uma respiração diferente do normal e é levada ao pronto socorro, sendo realizado um diagnóstico chamado de cetoacidose.

Nessa situação, a criança, no pronto-socorro, é hidratada, recebe insulina, e tem uma alta com indicação da dieta e do uso da insulina.

Tratamento

O tratamento do diabetes tipo 1 evoluiu muito nos últimos anos, com vários tipos de insulina e condições de monitorar a glicemia e adequar o tratamento da insulina ao ritmo de crescimento, ao desenvolvimento e ao estilo de vida da pessoa.

Desse modo, hoje em dia os diabéticos do tipo 1 bem tratados (com um esquema de insulina adequado, com suplementação de dieta e com atividade física) têm uma qualidade de vida muito semelhante à dos jovens normais.

Tipos de insulina

Nos últimos anos, os tipos de insulina evoluíram muito.

A insulina é o único tratamento do diabetes tipo 1, diferente do diabetes tipo 2 (do adulto), que pode ser tratado com medicamentos orais e às vezes apenas com dieta ou atividade física.

No diabético tipo 1, o uso da insulina é fundamental e vai acompanhar o paciente durante toda a sua vida, e nunca deve deixar de ser instituído em todos os dias a partir do diagnóstico.

Com a evolução das insulinas, hoje é possível imitar muito bem o que um pâncreas normal faz. O pâncreas é um órgão que produz a insulina. Quando a pessoa come, ele produz uma quantidade maior de insulina; quando ela está em jejum, ele produz uma quantidade menor.

Hoje, com os dois tipos principais de insulina (uma de ação lenta e uma de ação rápida), é possível mimetizar o que um pâncreas normal faz para os jovens e crianças com diabetes.

Também podem ser utilizados sistemas mais sofisticados, como as bombas de infusão de insulina, quando indicados por um médico.

Hoje em dia, com esse tratamento, as crianças e jovens têm um prognóstico de vida profissional e de atividades esportivas muito semelhante à dos indivíduos normais.

Essa qualidade de vida depende muito do controle do paciente. Na primeira infância, é a mãe que coordenada esse tratamento. Na adolescência, o indivíduo fica um pouco mais independente e precisa já ter esse conhecimento de autocuidado. Na vida adulta, se o indivíduo passou bem por essas fases, geralmente ele vai muito bem.

Os pacientes bem tratados, tanto homens quanto mulheres, têm um prognóstico de vida ótimo e podem cumprir todos os seus objetivos. As mulheres podem ter gestações semelhantes às de mulheres sem diabetes, e vão ter crianças saudáveis

Entretanto, se esse tratamento não é adequado, podem aparecer complicações. As complicações do diabetes começam após 15 a 20 anos da doença, quando essa não é bem tratada, e atingem os principais órgãos afetados pelo aumento da glicose do sangue.

Possíveis complicações

Na visão, pode haver um comprimento da retina, causando diminuição da acuidade visual. Portanto, é necessário um exame de vista anual desse paciente.

A doença pode atingir os rins. Se o paciente não for bem tratado, ele pode ter uma falência dos rins após 15, 20 ou 30 anos da doença, necessitando de um tratamento dialítico – uma situação em que o paciente precisa passar por uma purificação do sangue pelo menos 3 vezes por semana.

A diabetes pode atingir os nervos, o que é chamado de “neuropatia diabética” – uma “inflamação” dos nervos.

A doença pode levar a irritação e dor nos membros inferiores (nas pernas) ou nas mãos. Ela pode levar um comprometimento da pressão, levando a quedas de pressão às vezes inexplicáveis, e também a um comprimento do sistema cardiovascular.

Doenças cardiovasculares, principalmente os infartos e derrames, são frequentes e estão aumentando em frequência, principalmente nos indivíduos diabéticos não controlados.

Na população normal essas doenças cardiovasculares começam a surgir após os 55, 60, 65 ou 70 anos. No diabetes tipo 1, se não for bem controlado, elas começam a aparecer em faixas etárias mais jovens, aos 35, 40, 45 anos.

Atualmente, o prognóstico (a esperança de vida) do diabético tipo 1 é muito favorável, diferente dos diabéticos tipo 1 de 20, 30 anos atrás.

Cura

Até o momento, não existe uma cura para diabetes tipo 1.

O diabetes tipo 1 ocorre porque o indivíduo começa a produzir anticorpos contra o próprio pâncreas. Esses anticorpos destroem as células que produzem insulina. Assim, vai faltar insulina, a glicemia vai subir e o paciente terá o diabetes.

Para curar o diabetes tipo 1, seria necessário algum medicamento ou manobra para bloquear o sistema imunológico que está reagindo contra o próprio pâncreas.

Fatores de risco

O diabetes tipo 1 tem uma predisposição genética – ou seja, ele é mais frequente em indivíduos que têm algum parente (como o pai, o irmão ou o tio) com o diabetes tipo 1 ou alguma outra doença autoimune – por exemplo, doença da tireoide ou doença do intestino, que também podem ocorrer por anticorpos agindo contra esses órgãos.

Porém, não há como prevenir o diabetes tipo 1. É possível estabelecer o risco que o indivíduo tem de desenvolver esse diabetes nos próximos 5 ou 10 anos com uma avaliação da parte genética e uma avaliação de anticorpos contra o pâncreas no sangue.

Injeção de insulina

O maior estigma em relação à insulina é o fato dela precisar ser injetada. A insulina é uma proteína que não pode ser tomada via oral, do contrário ela vai ser digerida pelo estômago, portanto ela precisa ser injetável.

Aumento da prevalência de diabetes tipo 1

A prevalência de diabetes tipo 1 tem aumentado, o que não é bem explicado – talvez alguns fatores ambientais estejam aumentando essa prevalência, pois os fatores genéticos não estão aumentando.

Desses fatores ambientais, talvez alguns tipos de vírus, principalmente alguns vírus intestinais, podem estar desencadeando essa doença.

Atualmente, a ocorrência dessa doença tem aumentado mais na faixa etária dos 3 a 4 anos.

Com o tratamento atual das várias insulinas disponíveis, com os glicosímetros (aparelhos que avaliam a glicemia do paciente) e com os sistemas de tratamento (como as bombas de infusão de insulina subcutânea contínua), o paciente com diabetes tipo 1 pode ter uma vida e um prognóstico de vida muito favoráveis e semelhantes aos dos indivíduos normais.

Diabetes tipo 1 em adultos

O diabetes tipo 1 pode aparecer em qualquer fase de vida. Às vezes os indivíduos, por serem adultos, são encarados como diabetes tipo 2. Porém, podem apresentar o diabetes tipo 1, e o tratamento, nesses casos, é a insulina (diferente dos medicamentos orais).

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CRM: 124205. Doutorado em andamento em Endocrinologia e Metabologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Residência em Clínica Médica pelo Hospital Geral de Pedreira. Aperfeiçoamento em Medicina Tropical (Hanseníase) pela Universidade Federal de Alagoas (2006). Graduação em Medicina pela Universidad de Montemorelos (1997-2005). Título de Especialista em Endocrinologia e Metabologia pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (2013). Médica endocrinologista da Prefeitura Municipal de Carapicuíba (2013-atual). Médica endocrinologista da Prefeitura Municipal de Cotia (2007-2016). Médica do Programa Saúde da Família da Prefeitura Municipal de Vargem Grande Paulista (2006-2007).