Como se formam as espinhas

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Como surgem as espinhas

Segundos dados do Ministério da Saúde, a acne acomete 80% dos brasileiros entre quinze e vinte e cinco anos de idade e, embora mais habitual na adolescência, pode ocorrer desde a infância ou surgir na fase adulta por causa da oscilação hormonal.

A acne pode ser causada por inflamação, infecção ou obstrução das glândulas sebáceas, responsáveis por produzir o óleo natural que protege a pele. Quando o poro se fecha, o sebo que sairia dele se acumula sob a pele e força-a para cima até formar a bolha branca chamada espinha.

Função da glândula sebácea

A glândula sebácea é responsável por promover a oleosidade da pele e, embora contribua para a acne, relaciona-se à hidratação cutânea, já que esse óleo impermeabiliza o tecido e diminui a perda de água pela pele. Porém, às vezes, essa produção de óleo é excessiva, principalmente em países tropicais, como o Brasil, de clima quente, onde se transpira muito, o que favorece o trabalho dessas glândulas.

Distúrbio hormonal e surgimento da acne

A produção hormonal é a principal causa da desordem da glândula sebácea que, como responde bem à síntese de testosterona, leva os homens a apresentar quadros acneicos mais exacerbados que os das mulheres.

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A enzima 5-alfa-redutase converte testosterona em dihidrotestosterona (DHT), que predispõe a glândula sebácea à criação de óleo cem vezes mais que a testosterona e contribui para o fechamento dos óstios.

A progesterona também se relaciona com a glândula sebácea, mas a vantagem da mulher em relação ao homem é a presença do estrogênio, hormônio que diminui a síntese de sebo e estimula a glândula a trabalhar menos. Por isso, o início do uso do anticoncepcional coincide com a regressão significativa dessa situação.

Como os orifícios que dão vazão ao óleo são minúsculos, o excesso dele entope essas saídas.

Surgimento de comedões e tratamentos

O poro é usado pela glândula sudorípara; os óstios, pelas sebáceas. A acne de grau 1 tem perfil não inflamatório e caracteriza-se por comedões (popularmente chamados de cravos), que surgem após se entupirem os óstios.

Os comedões podem ser abertos ou fechados. A obstrução do óstio folicular pode proteger da oxidação o óleo acumulado com uma capa de queratina e vedar o comedão, caracterizado por coloração clara. Nos comedões abertos, aquele óleo fica exposto à radiação solar e, consequentemente, a extremidade virada para a superfície da pele fica preta, apesar de o restante dele também ser alvo.

O descontrole hormonal pode acarretar evolução dos graus acneicos. A área estética trata somente o 1 e o 2, cujo perfil inflamatório é provocado apenas por excesso de material graxo inerte. A partir do 3, há comprometimento bacteriano por Propionibacterium acnes, que se alimenta da oleosidade da pele e que um médico pode tratar com antibiótico em conjunto com um dermatologista, que controlará a oleosidade.

Ao alcançar o grau 4, a acne pode formar nódulos e cistos, material tão grande e repleto de bactérias que, se extravasar na região subcutânea, culmina no nível 5, em que há risco de septicemia se a bactéria entrar no organismo. Nesses estágios mais avançados, além da antibioticoterapia, recomenda-se usar isotretinoína.

Acne da mulher adulta

Há relatos de pessoas com mais de 40 anos que sofrem com espinhas. A acne pode aparecer tanto no homem quanto na mulher. No homem, geralmente a acne é mais grave, ou seja, as espinhas são mais inflamadas e profundas. Na mulher a acne é mais persistente. Não é correto afirmar que a acne só existe até os 19 anos. A acne pode começar na mulher, por exemplo, aos 25, e pode perpetuar até a quarta década (40, 50 anos) – é a chamada acne da mulher adulta, que ocorre com a interferência de hormônios e a gestação. Muitos fatores na vida da mulher podem interferir para o aparecimento ou piora da acne nessa fase mais tardia.

Relação entre a acne e a alimentação

A oleosidade produzida pela glândula sebácea pode ser estimulada pela alimentação. Se a pessoa come em excesso, terá repercussões na pele. Comer comida gordurosa irá piorar a oleosidade da pele e o aparecimento de acne.

O chocolate está envolvido com a acne, pois tem gordura e açúcar. O açúcar aumenta o índice glicêmico, que aumenta a atividade da glândula sebácea e a formação da oleosidade na pele. Comer 50 gramas de chocolate por dia seria uma dose segura. Quanto mais amargo o chocolate, menor a quantidade de açúcar e de gordura. O chocolate branco tem mais gordura do que o escuro, porque é manteiga ao invés de cacau.

A farinha branca também aumenta a atividade da glândula sebácea.

O consumo de muitos óleos pró-inflamatórios, como óleos vegetais, e comidas industrializadas e alimentos não naturais predispõem o aparecimento da acne.

O leite causa um aumento de IGF-1 no organismo, queaumenta a proliferação de hormônios andrógenos, relacionados à acne. Leite e derivados, alimentos de alto índice glicêmico e o consumo exagerado de óleos vegetais, através de frituras, e alimentos industrializados que são cheios de gordura hidrogenada, favorecem o processo de inflamação.

Alimentação atual das pessoas tem muito leite e derivados, como pizzas, esfias com queijo, macarrão com queijo ou molho branco e sobremesas como sorvetes, além da alimentação industrializada, cheia de fast-foods, muito consumida principalmente pelos adolescentes.

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CRM: 91128. Doutorado em Dermatologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (2009-2012). Mestrado em Dermatologia Clínica e Cirúrgica pela Universidade Federal de São Paulo (2001-2006). Residência médica em Dermatologia pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (1998-2001). Graduação em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (1992-1997). Pós-Doutorado em pesquisa em dermatologia pela Emory University School of Medicine, Atlanta, GA, EUA. Professor-assistente de dermatologia na Universidade de Mogi das Cruzes (2005-2006). Médico-assistente do Serviço de Dermatologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (2006-2012). Médico chefe do Serviço de Dermatologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (2012-2014). Coordenador do programa de residência médica em Dermatologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (2019-2012). Coordenador de todos os programas de aperfeiçoamento/especialização médicos da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (2011-2014).