Como evitar espinhas

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Como não ter espinhas

Prevenir a acne ainda é o melhor remédio. Hoje, muitas adolescentes dormem com maquiagem no rosto, o que tampa os orifícios dos folículos pilosos.

Higienize a face pela manhã com sabonete próprio e tonifique-a para equilibrar o pH. É imprescindível a pele retornar ao pH fisiológico.

Igualmente relevante é a aplicação, durante o dia, de filtro solar oil free (sem óleo), o melhor para adolescentes.

Acne e exposição solar

Existe um conceito segundo o qual o sol faz melhorar a acne. Os raios solares exercem efeito anti-inflamatório e, no início, realmente o fazem, mas, após algum tempo, tornam a pele espessa, ressecada e, consequentemente, dois ou três dias depois, mais oleosa, no chamado efeito rebote. Portanto controlar o período de exposição ao sol é uma das formas de obstar à piora da acne.

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Quem quer ficar moreno de qualquer modo deve tomar sol até às 10 h ou após as 16, e não entre 10 e 15h, quando a radiação (principalmente a UVB) é muito intensa, para não danificar a pele ou promover hipercromia pós-inflamatória (manchas pós-acne).

Água

Como o corpo desempenha melhor as funções quando bem hidratado, consumir bastante água é importante no que tange à saúde em geral, não somente a cutânea.

Acne ocupacional

A acne ocupacional pode atingir funcionários de postos de gasolina. Por mexerem muito com petróleo, óleos, eles podem ter acne nódulo-cística. O mesmo se dá com quem faz frituras em cozinhas industriais ou pastelarias.

Acne medicamentosa e cosmética

Quem toma corticoides apresenta acne medicamentosa; a cosmética provém do hábito de dormir com maquiagem e/ou usar produtos inadequados (bases de maquiagem com muito óleo).

Tudo isso ocasiona outras espécies de acne, que não a hereditária nem a de ovários policísticos.

Características da acne

A acne é uma doença inflamatória da pele que tem um caráter hereditário – ou seja, os pais que tiveram uma acne muito intensa podem passar essa predisposição para os filhos, não necessariamente na mesma gravidade. Essa doença inflamatória acomete principalmente as glândulas sebáceas, estruturas que estão presentes em toda a pele do ser humano, com exceção das palmas das mãos e das plantas dos pés.

A acne pode ser dividida em acne inflamatória e não inflamatória.

Na acne não inflamatória, a pessoa só apresenta a obstrução dos poros – são aqueles comedões, pontos pretos no dorso do nariz, no queixo e nas áreas mais oleosas da face (que as pessoas conhecem como “cravos”). O cravo é uma acne grau 1, o início de todo o processo. Quando esses cravos sofrem a ação de enzimas inflamatórias, por exemplo, ou até a penetração de algumas bactérias, a acne se torna inflamatória. É quando são observadas lesões vermelhas, com pus no centro, que são mais doloridas e que podem futuramente gerar cicatrizes que ficam inestéticas na face.

Fatores que influenciam na acne

Existem alguns fatores que podem ou piorar ou induzir a acne. Um deles é o fator hormonal. Por exemplo, é muito comum as mulheres tomarem anticoncepcional e, em uma determinada fase da vida, quererem interromper esse anticoncepcional. O anticoncepcional bloqueia a ação do hormônio masculino, e quando esse processo é interrompido a oleosidade fica em excesso.

Durante três meses após a interrupção do anticoncepcional a mulher acaba percebendo uma piora da oleosidade, tanto do rosto como do couro cabeludo e em todo o corpo, e começa o aparecimento das lesões inflamatórias. Além dos hormônios, a acne pode ser induzida, por exemplo, por um período de estresse ou ansiedade. Por exemplo, adolescentes próximos de um período de provas têm um estresse muito maior, o que leva à liberação de hormônios que irão atuar na glândula sebácea, aumentando a produção do sebo, que é a oleosidade produzida por essa glândula. Essa glândula, quando está em excesso, ou seja, muito hiper-reativa, acaba inflamando e produzindo a acne pustulosa (ou acne mais grave), aquela que causa dor e desconforto facial. Nos casos mais graves pode, inclusive, causar sintomas sistêmicos, como dor muscular, febre e dor nas articulações.

Higienização da pele

O tratamento da acne é multidisciplinar. A higienização da pele deve ser feita duas vezes ao dia, no máximo três, porque ao retirar muito a oleosidade, o corpo entende como se estivesse sendo retirada uma proteção natural e responde produzindo mais oleosidade. Em geral, deve ser feita uma boa higienização de manhã e à noite, com sabonete adequado e tônico específico para cada tipo de pele.

Tratamentos para a acne

No caso de uma acne mais inflamatória, é possível introduzir alguns antibióticos locais, como cremes com antibióticos. São substâncias que irão inibir a glândula sebácea, melhorar a consistência da pele e inibir a penetração das bactérias dentro dos poros.

Em uma acne mais pustulosa, com pus e saída de secreção, são administrados antibióticos via oral que terão ação anti-inflamatória e redução da penetração das bactérias.

Existe a acne com a ponta amarela, que é o pus, e outra que é interna e a pessoa só tem dor, que as vezes aparece na região do nariz, fica inchado e não aparece nada para sair. A diferença está na profundidade da inflamação.

A glândula sebácea é como uma bexiga embaixo da pele. Em todo lugar em que há um pelo, há uma glândula sebácea associada. Quando essa glândula começa a produzir secreção, ela incha, então aquele nódulo, aquela lesão mais profunda que a pessoa sente, é essa glândula inchada. Porém, essa secreção ainda não saiu para fora, ela então passa por um canal (o ducto da glândula) e é exteriorizada. A acne em que é possível ver o ponto é mais superficial, e a acne mais profunda é mais nódulo-cística, ou seja, é a glândula inflamada por baixo da pele. Esses casos estão mais relacionados com estímulo hormonal. A localização da acne no terço inferior do rosto pode estar vinculada à síndrome de ovário policístico, muito comum nas mulheres principalmente na época da adolescência, que aumenta o hormônio masculino e causa nódulos muito doloridos e profundos na pele dessa região.

Limpeza de pele

Uma boa higienização é extremamente importante para prevenir o aparecimento da inflamação da glândula e para deixar a pele com aspecto mais bonito e saudável. A limpeza de pele deve ser feita de forma muito cautelosa, com uma manipulação delicada e produtos adequados para a pele. Não se deve ficar espremendo as acnes com uma pressão muito intensa, nem com a unha. Existem pessoas que saem do banho, veem aquelas espinhas amarelas e decidem espremer. Isso é muito ruim, pois acaba potencializando a inflamação e gerando a cicatriz, que vem depois da inflamação avermelhada. O ideal é procurar um profissional experiente e fazer essa limpeza de pele, que não pode ser muito seguida – de 15 em 15 dias é um período muito próximo, pois a pele já está machucada e ficar manipulando durante muito tempo é ruim. A limpeza de pele a cada dois ou três meses é interessante na associação do tratamento.

Influência da alimentação na acne

O chocolate não aumenta a incidência da acne, mas piora o quadro inflamatório para quem já tem a predisposição. Em relação à dieta alimentar, como chocolate e amendoim, no passado, em 1930, segundo as orientações que eram dadas, realmente pedia-se para evitar esse tipo de alimentação. Hoje, sabe-se que as pessoas que não tem acne e comem ou ingerem esses produtos não irão desenvolver, mas quem já tem a predisposição piora muito, porque o chocolate, o leite desnatado e alguns derivados acabam aumentando a insulina. Qualquer dieta rica em glicídios, ou seja, em açúcar, acaba gerando um processo de hiperinsulinemia no pâncreas. Essa insulina circulante acaba atuando na glândula sebácea, fazendo com que ela fique mais obstruída, e isso predispõe o aparecimento da acne.

O leite inclusive é algo muito discutido. Existem trabalhos recentes publicados afirmando que o leite da vaca, por exemplo, pode conter substancias, como hormônios do próprio animal ou até proteínas, que induzem a glândula sebácea a produzir mais secreção ou induzem a glândula a obstruir. O início da acne é o cravo, que é a obstrução do poro. O leite pode gerar toda uma situação hormonal e endócrina que acaba obstruindo a glândula com mais facilidade.

Deve-se ter uma dieta equilibrada, balanceada, com bastante legumes e verduras. Hoje está na moda a dieta detox, uma dieta desintoxicante, a base de legumes e verduras.

Tratamento da acne com peeling

O peeling é uma das opções para melhorar a qualidade da pele. A melhor época para fazer o peeling certamente é o inverno, pois se tem um ultravioleta de menor intensidade e as pessoas acabam não se expondo tanto ao sol. O peeling é a aplicação de um ácido que pode atuar ou descamando, ou seja, retirando a camada mais superficial da pele para o tratamento de cicatrizes, por exemplo, ou inibindo a glândula sebácea.

Existe um tipo de peeling que é o ácido retinóico, um derivado da vitamina A, que irá atuar na glândula justamente diminuindo o “tampão”, a rolha córnea que é todo o início do processo. O peeling ajuda também a clarear um pouco a pele, é um tratamento muito completo, mas é uma parte de todo o processo. Não adianta fazer só o peeling e não fazer um tratamento adequado em casa.

As mulheres que usam o ácido retinóico frequentemente têm menos chances de ter os pontinhos pretos (os cravos), porque o ácido retinóico reduz a oleosidade da pele.

Tratamento com isotretinoína

A isotretinoína, uma medicação via oral com nome comercial de Roacutan (mais conhecido), é um derivado da vitamina A, assim como o ácido retinóico. Eles diminuem a queratinização da glândula sebácea e a produção da oleosidade. O ácido retinóico tópico é como se fosse a mesma atuação da medicação via oral, porém tópica, sem tantos efeitos colaterais e sem tanto acompanhamento laboratorial com um médico.

O remédio via oral precisa ter um acompanhamento sério, mensal, com um médico, e tem muitos efeitos colaterais. Algumas pessoas têm a indicação. O remédio via oral é uma opção intermediária, o ideal é fazer alguns tratamentos antes para tentar melhorar o quadro clínico com outros tratamentos mais leves. Quando se utiliza a medicação via oral, a pele fica bonita rapidamente.

Sabonete para acne

O sabonete próprio para acne é um adjuvante, uma etapa de todo o processo do tratamento. É o começo de todo o cuidado.

Tratamento das cicatrizes da acne

Há relatos de uma pessoa que teve acne na adolescência e hoje sua pele é muito marcada. Geralmente quem tem cicatrizes de acne tem vários tipos de cicatrizes: as cicatrizes mais profundas, as mais planas e superficiais e aquelas puntiformes (chamadas de “ice picks”, em que parece que a pele foi perfurada com uma pequena agulha).

Para cada tipo de cicatriz existe um tipo de tratamento, então geralmente é necessário englobar várias técnicas. Atualmente, um tratamento muito bom e que tem tido muitos resultados é a aplicação do laser de CO², pelo estímulo de colágeno que ele predispõe e pela melhora em 1 a 2 meses após o procedimento.

Uso de maquiagem

Há relatos de uma pessoa que adora usar maquiagem, porém, sempre que usa, aparecem espinhas. Ela relata que remove a maquiagem lavando o rosto. Para lavar o rosto, é necessário um sabonete específico. Por exemplo, o ideal para uma pele mista e um pouco oleosa seria um sabonete que retira essa oleosidade sem agredir demais, deixando a pessoa com uma sensação de pele higienizada. Existem pessoas que acham que aquela sensação de pele muito ressecada seria o ideal, mas isso tem justamente o efeito contrário. Deve-se utilizar um sabonete adequado e algumas bases e cosméticos que sejam oil-free (livres de óleo), e incluir um protetor solar para não ficar aplicando protetor, depois creme e depois a base por cima, pois isso acaba obstruindo.

Uso de cosméticos

Quem tem a pele oleosa ou tendência a acne deve usar oil-free ou gel. Se usar um creme, maquiagem, etc., pode obstruir o poro, fazendo com que a glândula não consiga bombear a oleosidade e inflame. Para saber se é gel ou se é sem óleo, deve estar escrito na embalagem. O mais indicado é ter supervisão médica.

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CRM: 91128. Doutorado em Dermatologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (2009-2012). Mestrado em Dermatologia Clínica e Cirúrgica pela Universidade Federal de São Paulo (2001-2006). Residência médica em Dermatologia pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (1998-2001). Graduação em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (1992-1997). Pós-Doutorado em pesquisa em dermatologia pela Emory University School of Medicine, Atlanta, GA, EUA. Professor-assistente de dermatologia na Universidade de Mogi das Cruzes (2005-2006). Médico-assistente do Serviço de Dermatologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (2006-2012). Médico chefe do Serviço de Dermatologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (2012-2014). Coordenador do programa de residência médica em Dermatologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (2019-2012). Coordenador de todos os programas de aperfeiçoamento/especialização médicos da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (2011-2014).