Como é Feito o Exame Papanicolau

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Papanicolau: técnicas de coleta e fixação

Há duas técnicas, a esfoliativa, em que ocorre descamação espontânea das células, e a abrasiva, que remove as células com o auxílio de instrumentos, ou seja, os esfregaços são obtidos com a espátula de Ayre ou com a escova endocervical, ou com as duas.

Recomendações à pacientes

Até 48h antes do procedimento é proibido ter relações sexuais, utilizar duchas vaginais (lavagens), e usar medicamentos intravaginais, como óvulos ou cremes vaginais.

Coleta de boa qualidade

Antes de iniciar a coleta averigua-se se a paciente é virgem – se sim a coleta deve ser realizada por um médico –, se já teve filho de parto normal – porque disso depende o tamanho do espéculo – ou se está grávida – se sim não há contraindicação para a coleta, porém, evita-se realizar o esfregaço endocervical.

Para uma coleta adequada, o profissional deve:

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  • Não usar lubrificantes no espéculo
  • Não fazer exame de toque no paciente antes da coleta
  • Ter boa visualização do colo do útero para inserir o espéculo
  • Fixar a amostra imediatamente após a coleta

papanicolau-como-e-feitoMateriais necessários para a coleta:

  • Espéculo
  • Espátula de Ayre
  • Luvas
  • Escova endocervical
  • Lâminas com extremidade fosca
  • Lápis número dois bem apontado
  • Fixador

É importante que os materiais listados acima estejam sobre uma mesa próxima ao alcance das mãos do profissional, o qual deve preencher a extremidade fosca da lâmina antes de iniciar a coleta.

Há espéculos com tamanhos diferentes, para escolher o ideal deve-se levar em consideração se a paciente já teve parto por via vaginal.

Coleta tripla e dupla

A coleta deve ser tríplice (VCE), apesar de que a indicada pelo Ministério da Saúde é a dupla (CE), ou seja, a que colhe material da ectocérvice e da endocérvice, a tripla é interessante pois também colhe material da vagina e do fundo de saco vaginal.

Para fazer a coleta tríplice é necessário mais habilidade por parte do profissional para evitar o dessecamento da lâmina.

Esfregaços vaginais

O material para o esfregaço vaginal é removido do fundo de saco posterior da vagina, e para recolhê-lo pode-se utilizar um abaixador de língua, uma pipeta de vidro (se houver muita secreção), ou a extremidade arredondada de uma espátula (que é o que é normalmente se usa no dia a dia).

coleta-papanicolauOs esfregaços vaginais contêm:

  • Células epiteliais descamadas do epitélio vaginal e cervical
  • Muco, leucócitos, macrófagos e detritos celulares
  • Raramente: células endometriais, tubárias, ovarianas e até peritoneais
  • Bactérias, vírus, fungos e parasitas

A vantagem do esfregaço vaginal é que ele oferece uma boa representatividade celular dos diversos segmentos do trato genital feminino, e muitas vezes por meio dele detecta-se tumores ocultos do endométrio, das tubas uterinas e dos ovários, por conta da descamação que ocorre e por essas células ficarem armazenadas no fundo de saco posterior vaginal.

A desvantagem é que muitas vezes essas células não estão em um bom estado de conservação, e por conta de lesões pré-cancerosas elas podem propiciar pouca demonstração das anomalias.

Esfregaços cervicais

O material é colhido da cérvice uterina por meio da espátula de Ayre (há variantes dela no mercado), que possui o formato ideal para amostragem da superfície ectocervical e porção mais inferior do canal endocervical.

espatula-de-ayreDeve-se introduzir a extremidade longa no canal cervical e a parte côncava dela fica em contato com a ectocérvice.

Primeiro colhe-se o material da ectocérvice, para isso pressiona-se a espátula de Ayre e rotaciona-a completamente, o que permite que a amostra seja colhida em toda a superfície epitelial.

Instrumentos mais utilizados

  • Espátula de Ayre, para ectocérvice
  • Escova endocervical, para colher o material da endocérvice
  • Escova cervex (amostra dupla), não muito utilizada em citologia em meio líquido, por ser mais cara e em geral só feita em consultórios e clínicas particulares ou com convênio médico privado

Escovas endocervicais

O uso das escovas endocervicais é eficaz para detectar lesões na endocérvice. O ponto negativo é que ela removem o tampo mucoso, que é fonte de material celular diagnóstico.

Para usar a escova é necessário prática e destreza manual.

Ao utilizá-la, é necessário rotacioná-la completamente sem que ocorram traumas na endocérvice, apesar de que pequenos sangramentos ocorrem com frequência.

Pode haver dificuldades na análise por conta de agrupamentos muito espessos de materiais da endocérvice, por isso ao espalhá-los na lâmina, é necessário que eles sejam dispersos numa camada muito fina para que não haja sobreposição de células.

A coleta adequada é realizada quando se tem perfeita visualização do colo uterino, sendo importante registrar as alterações visualizadas ali, se há hiperemia, manchas esbranquiçadas e a localização das lesões.

Coleta ectocervical

Para fazê-la apoia-se a extremidade côncava da espátula na área a ser trabalhada e rotaciona-se a espátula trezentos e sessenta graus na parte externa do colo. Depois imediatamente espalha-se esse material na face livre da lâmina, usando 2/3 dela para a coleta ectocervical e a vaginal. O esfregaço deve ser superficial, mas conter uma boa quantidade de células, sem que haja espessamento da secreção.

Coleta endocervical

Ela é feita com a escova, que é introduzida no canal endocervical, e também rotacionada em trezentos e sessenta graus. Se não for coletado material suficiente, repete-se a coleta, e espalha-se o material coletado no 1/3 restante da lâmina.

O material endocervical deve ser associado ao ectocervical para assim extrair-se melhores informações, principalmente pelo epitélio ectocervical albergar lesões pré-cancerosas.

Alguns profissionais preferem utilizar lâminas separadas para colher a ectocérvice e a endocérvice, mas geralmente apenas uma é necessária.

Preparo do esfregaço

Para o bom preparo do esfregaço, é necessário lâminas limpas de vidro de boa qualidade. O procedimento deve ser feito de maneira rápida para evitar o dessecamento.

As superfícies da espátula e as faces da escova devem entrar em contato com a lâmina, para que não se perca o material coletado por elas.

Não devem ser feitos movimentos circulares sobre a lâmina.

Fixação

A fixação deve ser feita imediatamente após a coleta, porque ela facilita a penetração rápida nas células, evitando que elas se retraiam e provoquem alterações nos resultados.

O procedimento conserva a integridade morfológica da célula, inativa as enzimas autolíticas, permite a adesão das células na superfície da lâmina, o processamento subsequente do método de coloração usado, e arquivar permanentemente a lâmina corada – preservando a qualidade dela, mesmo que ela necessite ser revista anos depois.

O esfregaço deve ser feito sutilmente, sem que células sejam perdidas, todo o material na espátula deve ser espalhado sobre a lâmina sem que haja sobreposição.

O que fazer após a coleta?

O fixador sob a forma de spray é direcionado para a lâmina (na face fosca), e faz-se a fixação com uma distância de 15 a 20cm da lâmina. O profissional deve ter boa destreza para colocar o material e imediatamente após isso fazer a fixação dele.

Coletas especiais

São as feitas em pacientes grávidas, virgens, menopausadas e crianças. Se a enfermeira não tiver segurança para fazer essas coletas, pode solicitar que o médico faça-as.

Coloração

Uma boa coleta e fixação facilita as próximas etapas, que são a coloração e a análise da lâmina. A primeira propicia o reconhecimento dos componentes celulares.

Existem várias técnicas de coloração que respeitam o mesmo princípio: o núcleo capta elementos basofílicos dos corantes, e é demarcado em azul, já o citoplasma, marca os de cor rosa (eosinofílicos) e os azuis (cianofílicos).

A lâmina é armazenada em vidros, que contêm alcoóis e corantes, depois adiciona-se uma resina ou lamínula em cima dela, e então ela está pronta para análise.

Falhas nas amostras

Muitas células podem ser perdidas ou não visualizadas na análise por conta de uma coleta mal feita. As principais causas de falhas nas amostras são:

  • Pela paciente estar muito tensa
  • Pelo colo uterino não ter sido visualizado
  • Por ter sido realizada raspagem incompleta na zona de transformação, que é onde o vírus HPV inicia a ação
  • Por dessecamento, ou seja, por não fixação
  • Por excesso de exsudato purulento ou hemorrágico, nesse caso, deve ser feita uma nova coleta
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CRM: 81139. Médico Ginecologista e Obstetra da Notre Dame Intermédica (2013-atual). Médico Ginecologista do Complexo Hospital Edmundo Vasconcelos (2012-atual). Coordenador da Clínica Ginecológica Hospital Dom Antonio de Alvarenga (2008-atual). Médico Ginecologista da Prefeitura Municipal de Mauá (2002-atual). Médico Ginecologista da Unidade Básica de Saúde Vila Oratório (1999-2011). Médico Ginecologista e Obstetra da Organização Mogiana de Educação e Cultura (1998-2000). Médico plantonista do Pronto Socorro Municipal de Pindorama (1995-1996). Médico plantonista da Maternidade da Santa Casa de Misericórdia de Mauá (1997-2003). Professor da USC Centro Universitário São Camilo (2015-atual). Residência médica pelo Instituto Brasileiro de Controle do Câncer (1997-1998). Residência médica em Obstetrícia e Ginecologia pela Faculdade de Medicina de Catanduva (1995-1997). Graduação em Medicina pela Universidade do Estado do Amazonas (1989-1994).