Como aplicar insulina

Recomendações sobre medicamentos injetáveis para o tratamento de diabetes

A SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes) publicou algumas recomendações, em agosto de 2017, pontuando duas questões muito importantes: a reutilização de seringas e agulhas e a escolha do tamanho das agulhas.

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Além das insulinas, existe outra classe de medicamentos injetáveis para tratar diabetes tipo 2, que são os análogos de incretina, que também são medicamentos biológicos.

As recomendações são praticamente as mesmas tanto para quem aplica insulina quanto para quem tem diabetes tipo 2 e usa medicações injetáveis (os incretinomiméticos), como o Victoza (liraglutida), o Lixumia (lixenatida), o Trulicity (que é de uso semanal) e o Byetta.

Existem insulinas basais, insulinas ultrarrápidas, a NPH (que é uma insulina intermediária), a insulina regular (que é a insulina de ação rápida), e as insulinas de ação ultralonga (que duram mais de 24 horas, mas que precisam ser aplicadas uma vez ao dia).

Uma das recomendações é fazer rodízio de aplicação (não aplicar sempre no mesmo local).

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Reutilização de materiais descartáveis para aplicação de injetáveis

As recomendações da SBD foram feitas através de uma pesquisa realizada em 42 países sobre a realização de agulhas e seringas. Nessa pesquisa, percebeu-se que 50% da população mundial reutiliza seringas e agulhas.

As pessoas reutilizam esses materiais por serem muito caros e para preservar o meio ambiente (para não gerar muito lixo hospitalar).

A SBD e outras sociedades de diabetes no mundo não recomendam a reutilização de seringas e agulhas. Inclusive, essa determinação é uma recomendação dos fabricantes – as seringas e agulhas são descartáveis.

A reutilização das seringas faz com que a graduação da seringa, com a qual a pessoa verifica a quantidade de insulina que precisa puxar e aplicar, vá se apagando. Com isso, a pessoa pode aplicar uma dose incorreta de insulina – ou a menos, o que pode causar uma hiperglicemia, ou a mais.

Nessa pesquisa, verificou-se que esse tipo de descontrole glicêmico ocorre devido a essa reutilização de seringas.

Tanto a agulha da seringa quanto a agulha que é usada na caneta são lubrificadas – elas são siliconizadas (têm silicone em volta). Esse silicone serve para que a agulha penetre na pele da pessoa com mais suavidade, sem machucar essa pessoa.

Ela foi programada para ser colocada dentro do frasco, retirar a insulina, introduzir na pele e retirar. Nesse processo, o silicone e essa lubrificação, que servem para proteger a pele, são perdidos.

Essa pesquisa mostrou também que as pessoas reutilizam até 5 vezes as seringas e até 5 vezes a mesma agulha.

Nessa pesquisa ficou muito bem demonstrado que crises de hipoglicemia podem ocorrer devido a reutilização desse tipo de material.

Além disso, o fabricante só dá garantia quando a pessoa está utilizando o material pela primeira vez. Se a pessoa tiver algum problema na reutilização, não terá a garantia do fabricante.

As agulhas (da seringa ou da caneta) são muito finas e têm as paredes muito finas para serem delicadas na aplicação e não machucarem a pessoa. Quando a pessoa reutiliza várias vezes a agulha, ela pode entortar ou se quebrar.

Muita gente acha que diabetes tipo 2 só é tratado com medicação oral.

No Brasil e no mundo inteiro, existem pessoas que reutilizam agulhas e seringas pois não recebem dos postos de saúde uma quantidade suficiente para o tratamento.

Escolha do tamanho das agulhas

Existem quatro tamanhos de agulha para caneta: 4mm, 5mm, 6mm e 8mm. As de 13mm oude  12,7mm foram descontinuadas, portanto existem poucas.

Para seringas, existem agulhas de 6mm e de 8mm.

As sociedades de diabetes no mundo inteiro muitas vezes fazem as mesmas recomendações. A Sociedade Brasileira de Diabetes, e também a Sociedade Americana de Diabetes, recomendam o uso das agulhas menores – ou seja, a agulha de 4mm pode ser usada por qualquer pessoa, independentemente de idade, sexo, raça e IMC (porte físico). Uma pessoa magra e uma pessoa obesa podem usar o mesmo tamanho de agulha (4mm).

Em uma pesquisa, foi determinado que a espessura da pele da pessoa varia de 1,5mm a 2,5mm. Embaixo da camada da pele, há uma camada de gordura chamada de “subcutâneo”, e embaixo do subcutâneo está o tecido muscular.

Tanto a insulina como os medicamentos injetáveis para o tratamento de diabetes tipo 2 devem ser aplicados no subcutâneo. Se a pele varia no máximo até 2,5mm, a agulha de 4mm irá atingir justamente o subcutâneo. Assim, o risco de ocorrer uma aplicação intramuscular (dentro do músculo) é bem menor com agulhas menores do que com agulhas de 8mm, de 12,7mm ou de 13mm, por exemplo.

Se a pessoa usa uma agulha de 12,7mm ou 13mm, ela tem 45% de chance de atingir o músculo. Se a pessoa aplica a insulina ou o análogo de incretina no músculo, o efeito vai ser diferente do esperado.

Usando uma agulha de 4mm, a pessoa tem 1% de chance de aplicar no músculo. Se a pessoa aplica insulina no músculo, ela aumenta muito as chances de ter uma crise de hipoglicemia, pois a absorção da medicação aplicada no músculo é diferente da absorção quando ela é aplicada no subcutâneo.

Prega cutânea

Usando agulhas de 4mm, 5mm e 6mm, não é necessário fazer a prega cutânea. O ângulo que a agulha vai entrar na pele é de 90° – ou seja, não é necessário inclinar a caneta. A agulha deve ser introduzida de maneira retilínea na pele.

A prega deve ser feita em crianças menores de 6 anos e pessoas que têm pouco tecido subcutâneo (ou seja, pessoas que malham muito, te abdome definido e uma camada de gordura bem pequena).

Na prega, não é necessário apertar até doer ou os dedos ficarem marcados na pele. A prega deve ser feita delicadamente, e a agulha deve ser introduzida em ângulo de 90°.

Como aplicar

Para aplicar, quando a pessoa está usando uma caneta, ela vai apertar o êmbolo da caneta e contar 10 segundos. Para se assegurar de que está esperando os 10 segundos necessários, a pessoa pode contar “mil e um”, “mil e dois”, “mil e três”, “mil e quatro”, “mil e cinco”, etc., até “mil e dez”.

O volume de insulina que a pessoa está aplicando não é muito grande, e a pele é uma barreira. Portanto, é necessário esperar que essa insulina se espalhe no subcutâneo. Assim, a pessoa não retira muito rapidamente não deixa de aplicar a quantidade que realmente marcou no êmbolo.

Esperando os 10 segundos, a pessoa vai ter a absorção correta e a quantidade de insulina que realmente marcou no êmbolo ou puxou na seringa. Se a pessoa puxar a agulha e sair uma gota de medicamento ou insulina, quer dizer que ela não esperou o tempo necessário.

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CRM: 124205. Doutorado em andamento em Endocrinologia e Metabologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Residência em Clínica Médica pelo Hospital Geral de Pedreira. Aperfeiçoamento em Medicina Tropical (Hanseníase) pela Universidade Federal de Alagoas (2006). Graduação em Medicina pela Universidad de Montemorelos (1997-2005). Título de Especialista em Endocrinologia e Metabologia pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (2013). Médica endocrinologista da Prefeitura Municipal de Carapicuíba (2013-atual). Médica endocrinologista da Prefeitura Municipal de Cotia (2007-2016). Médica do Programa Saúde da Família da Prefeitura Municipal de Vargem Grande Paulista (2006-2007).