Colesterol e doenças cardíacas

Colesterol e doenças cardíacas

Todos os grandes estudos científicos não encontraram nenhuma relação entre níveis elevados de colesterol e aumento do risco cardíaco, tanto que os níveis de colesterol estão baixando em toda a sociedade ocidental, e as mortes por lesão cardíaca não diminuíram.

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Um estudo grande acompanhou durante muito tempo e encontrou 115 mortes cardíacas no grupo tratado e 124 mortes cardíacas no grupo não tratado. Porém, o grupo tratado teve 265 mortes em geral, e o grupo não tratado 260 mortes em geral. Isso demonstra que não já vantagem nenhuma em tratar.

De acordo com um estudo sobre índices de morte por doença cardíaca, no mundo, os aborígenes são os que têm o maior índice de morte cardíaca, e têm os níveis de colesterol bem baixo. Já os suíços, que têm o maior índice de colesterol, têm os menores índices de doença cardíaca. Ou seja, não há relação direta entre índice de colesterol e morte cardíaca.

Dois trabalhos foram fundamentais na associação entre colesterol e doenças cardíacas. Um dos trabalhos foi de um patologista russo que alimentou coelhos com altas doses de colesterol. Ele sacrificava os coelhos e, posteriormente, descobria que os coelhos tinham arteriosclerose. Porém, o colesterol é um lípide que vem dos animais, e os coelhos são herbívoros (só comem ervas). Portanto, se os coelhos são alimentados com lípide animal, eles vão ficar com excesso de colesterol.

Em outro estudo, patologistas fizeram a necropsia de soldados jovens, de 20, 21 anos, mortos na guerra da Coreia, e encontraram um bom número de lesões de arteriosclerose nas artérias – em alguns encontraram, inclusive, algumas artérias bloqueadas. Verificaram que nenhum desses soldados tinha histórico de angina ou de doença arterial obstrutiva. Eles encontraram nas artérias muito colesterol, e concluíram que ele era o culpado da arteriosclerose.

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Estudos atuais mais avançados mostraram que a arteriosclerose começa com uma lesão da membrana interna da artéria, chamada endotélio, que se inflama e se lesiona. A primeira defesa do corpo a chegar nessa artéria lesionada é o colesterol, que vai bloquear essa lesão. Logo depois, chega cálcio, fibrina, plaqueta e fibrinogênio, formando a placa arteriomatosa. Portanto, o colesterol não é prejudicial, mas sim benéfico.

Outro trabalho foi publicado na revista JAMA, o Jornal da Associação Médica Americana, publicado pela editora chefe da JAMA. Ela aconselhou, de maneira formal, que homens saudáveis com colesterol alto não deviam tomar estatina, pois não há nenhum benefício na mortalidade. No editorial da revista, ela citou uma lista grande de paraefeitos da estatina.

Outro estudo, um estudo Cochrane (um dos mais fidedignos que existe), que estudou mais de 28.000 pessoas de 100 países, afirmou peremptoriamente que dietas baixas em gorduras saturadas não tinham qualquer efeito na mortalidade total e nem mesmo na mortalidade cardíaca.

Baixar a gordura da alimentação (todas as gorduras e todos os ésteres, como o colesterol) não diminui os problemas cardíacos.

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CRM: 124205. Doutorado em andamento em Endocrinologia e Metabologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Residência em Clínica Médica pelo Hospital Geral de Pedreira. Aperfeiçoamento em Medicina Tropical (Hanseníase) pela Universidade Federal de Alagoas (2006). Graduação em Medicina pela Universidad de Montemorelos (1997-2005). Título de Especialista em Endocrinologia e Metabologia pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (2013). Médica endocrinologista da Prefeitura Municipal de Carapicuíba (2013-atual). Médica endocrinologista da Prefeitura Municipal de Cotia (2007-2016). Médica do Programa Saúde da Família da Prefeitura Municipal de Vargem Grande Paulista (2006-2007).