Colágeno

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Importância do colágeno

Muitos associam o colágeno à pele esticada, mas ele é muito mais que isso. Como a maioria das pessoas que passou dos trinta e cinco anos perdeu a capacidade de produzir todo o colágeno de que necessita, depois dessa faixa etária, convém fazer suplementação à base dele, o que manterá as fibras firmes e contribuirá para a beleza da pele.

Ademais, 90% dos tendões do corpo humano constituem-se de colágeno, por isso, é fundamental – principalmente quem pratica esportes – mantê-lo suficientemente no organismo.

Funções do colágeno

O colágeno, indispensável para a saúde das articulações, tem na alimentação a principal fonte. Como o brasileiro come mal, segundo dados do IBGE, ele torna-se alvo fácil de doenças e desgastes das articulações.

O colágeno reveste as extremidades dos ossos para impedir que um se choque com outro. Sem ele, sente-se muita dor nos joelhos, mãos, pés e cotovelos, por exemplo.

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O problema é que o colágeno, uma proteína, geralmente se associa à beleza, à firmeza da pele e ao envelhecimento.

O colágeno é uma proteína estrutural, cuja função — e é por isso que se relaciona às doenças colagenosas — é ligar, logo está presente em praticamente todas as partes do corpo. É ele que torna firmes órgãos, tecidos, tendões, músculos e córneas, por exemplo. O ouvido é feito de colágeno, fundamental para quase todos os tecidos.

Influência genética na produção de colágeno

O colágeno é uma proteína fabricada pelas células. Existem grupos delas pré-programados para esse processo. Naturalmente nós produzimos esse colágeno estrutural, mas, com o tempo, intervenções externas, como o estresse, ocasionam pequenas mutações no DNA da célula que tem a fórmula de formação do colágeno.

Então, alguns (aí entra a genética) precocemente elaborarão menos colágeno e outros o farão por mais tempo. Essa é a razão do envelhecimento precoce de certas pessoas, enquanto o tempo não passa para outras.

Essa constituição genética é, inclusive, percebida nas raças. Hoje, com a miscigenação, ficou muito mais difícil a diferenciação pela cor da pele, todavia sabe-se que a raça negra pura produz muito mais colágeno. Isso explica por que os queloides de tatuagens e adornos em algumas tribos da África são muito mais frequentes do que, por exemplo, em uma população de caucasianos. Mas a miscigenação misturou muito os genes. Assim, atualmente há brancos com alta produção de colágeno e negros que não o produzem tanto.

Colágeno cicatricial

A saúde celular é crucial e provém de todos esses cofatores da alimentação, no entanto hoje a ciência tem mostrado que uma modelagem desse DNA interfere diretamente no funcionamento da célula. Um indivíduo nasce com determinado funcionamento e determinada produção, que, contudo, pelo estilo de vida, pode aumentar ou diminuir.

Esse colágeno estrutural, vital para o corpo, também participa de patologias (cicatrizes internas) muitas vezes nocivas para ele. É importante pensar no contraponto: quer-se colágeno estrutural, mas não cicatricial, que tira um tecido funcional e o substitui.

O colágeno cicatricial é uma pré-programação do organismo. Não há como evitá-lo, mas existem remédios. No infarto do miocárdio, por exemplo, depois da morte de uma área de tecido cardíaco, o fibroso (colágeno) ocupa aquele espaço. Essa pessoa fica com o coração sem a função contrátil que tinha antes. Hoje, na farmacologia, tem-se a oportunidade de impedir a fabricação de colágeno naquele local e, desse modo, as consequências maléficas dessa deposição.

Como lidar com a perda de colágeno

Depois dos trinta anos, a concentração de colágeno começa a diminuir, culminando no aparecimento de rugas e flacidez da pele. Contra isso pode-se utilizar um antioxidante cotidianamente (em geral, durante o dia) e combater a ação dos radicais livres – elementos químicos liberados pela poluição, exposição solar, cigarro e bebida –, que contribuem para destruir o colágeno.

Normalmente recomenda-se o uso tópico de compostos com vitamina C ou E e ácido ferúlico, dentre muitos outros, e protetores solares, que já contam com eles. À noite, deve-se aplicar, no rosto, pescoço, colo e nas mãos, ácido gligólico ou retinoico, que também levam à produção de colágeno. As áreas mais expostas ao sol normalmente são mais fotoenvelhecidas, ou seja, têm menor concentração dessa substância.

Colágeno não é proteína de alto valor biológico

O colágeno, responsável pela regeneração do tecido, é uma proteína da pele e dos órgãos.

Muitos pensam que, ao consumi-lo, ele desloca-se para a pele, deixa-a mais resistente e o rosto, mais esticado, porém isso não ocorre.

Como o colágeno é absorvido pelo organismo

Cada proteína é formada por vários aminoácidos, que, quebrados, chegam à circulação sanguínea e passam a atuar em cada região que deles necessite. Assim, o colágeno, ingerido, não vai integralmente para a pele, que, sempre que precisa de alguma substância, vai coletá-la na corrente sanguínea. Como ele não transita por aí, mas sim os aminoácidos, não se trata da proteína completa, e os resultados não equivalem aos proporcionados pela proteína animal. Portanto é preferível comer um pedaço de carne com todos os aminoácidos essenciais e muito mais proteína a tomar colágeno em cápsulas.

O que são radicais livres?

Os radicais livres, oriundos de determinados fatores, circulam pelo organismo o tempo inteiro, não se fixam nas fibras do colágeno, mas destroem-nas. Ingredientes, como a vitamina C, o licopeno e o resveratrol, combatem essas enzimas e impedem que elas façam deteriorar as fibras.

Radicais livres destroem o colágeno da pele

Os raios solares, o tabagismo e o excesso de álcool geram radicais livres, que não só reduzem a produção das fibras novas como degradam as existentes. Para evitá-los, devem-se utilizar protetores.

A recuperação do colágeno depende do uso cotidiano de itens específicos que estimulem os fibroblastos. O ácido retinoico, o peeling e o laser provocam, nas células da pele, perfurações, aquecimento e pequenos danos programados, que os ativa e leva a produzir colágeno.

Como repor colágeno

Existem duas formas de repor colágeno: com tratamentos estéticos e com alimentação. Há vários alimentos ricos em colágeno, como os de origem animal, principalmente a carne vermelha (no meio do músculo, há entranhas viscosas, que são o colágeno, ainda mais evidenciado depois de cozido).

Os peixes, ricos em ômegas 3 e 9, por serem anti-inflamatórios, também ajudam o organismo a criar colágeno. Não jogue fora a pele deles, porque é ela a parte mais rica nessa substância. Cozinhe-os com a pele, cujo colágeno vai para dentro da carne e remove o colesterol, e só então a descarte.

Por fim, as frutas cítricas facilitam a absorção de colágeno.

Mitos e verdades sobre o colágeno

Colágeno engorda

Não é por ser colágeno que essa substância vai contribuir para engordar. Como qualquer proteína, ele contém calorias, logo o excesso pode levar ao aumento de peso, mas ingeri-lo exacerbadamente não é comum.

Colágeno e estrias

Uma pele rica em proteínas e aminoácidos tem menor tendência a desenvolver estrias, porém não se obtém esse resultado com o colágeno ingerido, e sim pelo consumo adequado de proteínas.

Há outros tratamentos para diminuir estrias brancas, como os à base de laser e os peelings.

Colágeno e crescimento de unhas e cabelos

Significativa quantidade de proteínas, não apenas o colágeno, proporciona alimento para se construir fibra capilar mais forte e brilhante. Algumas vitaminas, como a biotina, também colaboram para esses efeitos.

Bebida alcoólica destrói colágeno

O álcool exerce acentuada ação inflamatória no corpo e tende a degradar o colágeno.

Gelatina e produção de colágeno

Há suplementos, como o whey protein e mesmo os aminoácidos puros, com concentração proteica bem superior à encontrada na gelatina, que muitas pessoas comem por pensar que ela deixa a pele mais bonita, mas isso não ocorre.

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CRM: 91128. Doutorado em Dermatologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (2009-2012). Mestrado em Dermatologia Clínica e Cirúrgica pela Universidade Federal de São Paulo (2001-2006). Residência médica em Dermatologia pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo (1998-2001). Graduação em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (1992-1997). Pós-Doutorado em pesquisa em dermatologia pela Emory University School of Medicine, Atlanta, GA, EUA. Professor-assistente de dermatologia na Universidade de Mogi das Cruzes (2005-2006). Médico-assistente do Serviço de Dermatologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (2006-2012). Médico chefe do Serviço de Dermatologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (2012-2014). Coordenador do programa de residência médica em Dermatologia da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (2019-2012). Coordenador de todos os programas de aperfeiçoamento/especialização médicos da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (2011-2014).