Canela-de-velho: benefícios e como usá-la

Canela-de-velho: características

O nome científico da canela-de-velho é Miconia albicans, porém, existem dezenas de plantas chamadas popularmente de “canela-de-velho”, todas muito parecidas – umas com flores roxas, outras com folhas mais compridas, etc.

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Utilizando uma planta que não é a canela-de-velho, as pessoas acabam não resolvendo o problema que pretendem.

Uma espécie de melastomataceae tem as folhas lisas, sem nenhuma penugem por cima. O verso dela é verde-claro, amarelado, diferente da canela-de-velho, que sempre tem o verso branco. Os frutos dessa espécie são arroxeados quando maduros, já os da canela-de-velho, quando maduros, tem coloração verde-jade. Muitas pessoas também chamam essa espécie de melastomatácea de canela-de-velho, mas não é a espécie utilizada medicinalmente.

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As folhas da orelha-de-onça nascem de duas em duas, e suas folhas são cobertas com uma penugem que parece pelos de animal. Ela é chamada de orelha-de-onça pelo formato e textura das folhas. O verso delas é verde, e ela tem flores roxas, parecidas com as do jacatirão, da quaresmeira ou do manacá-da-serra. Ela também é do grupo das melastomatáceas.

A canela-de-velho tem flores pequenas e vermelhas.

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A quaresmeira é da família das melastomatáceas, como a canela-de-velho, e é muito comum no Brasil. O jacatirão e o manacá-da-serra são parecidos com a quaresmeira. As flores desta são roxas; e as daquele começam brancas e terminam roxas (mudam de cor). A quaresmeira tem um fruto seco (um pixídio). Ela tem folhas bastante ásperas, com o verso verde.

As folhas da canela-de-velho são de coloração verde coriáceo. Quando novas, são cobertas por uma penugem que se solta. O verso delas é branco, com nervuras típicas das melastomatáceas, e elas não tem dentes nas bordas.

A Miconia albicans, a verdadeira canela-de-velho, é utilizada medicinalmente, e as propriedades medicinais dela são comprovadas cientificamente. Ela tem propriedades medicinais analgésicas e anti-inflamatórias para as articulações, e trata artrose, artrite, reumatismo, etc.

Os frutos da canela-de-velho, quando imaturos, são arroxeados; quando maduros, ficam verdes.

Algumas plantas têm as folhas pequenas, de 5 a 7 centímetros, mas, dependendo da região do Brasil, a canela-de-velho pode ter folhas maiores, de até 15 centímetros, mas sempre com as mesmas características. Ela pode chegar até 3 metros de altura.

É comum encontrá-la com até 1 metro de altura, formando moitas nas pastagens, campos e beiradas de estrada.

Onde encontrar a canela-de-velho

A canela-de-velho nasce em praticamente todo o Brasil, e pode ser encontrada em campos, áreas agricultáveis, pastagens abandonadas, capões de mata, etc., principalmente a sol pleno. Ela existe na região Norte (Acre, Amazonas, Amapá, Roraima, Rondônia e Tocantins), nas áreas de cerrado (não dentro da floresta amazônica) e áreas abandonadas em que florestas foram derrubadas.

No Nordeste inteiro é possível encontrar canela-de-velho. No semiárido brasileiro, na parte mais seca, talvez não se encontre, mas nas zonas de mata, na parte mais litorânea, ela nasce espontaneamente.

Na região Sudeste (São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo) ela nasce em todos os estados.

No Centro-oeste, na região do pantanal, na região do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal, também existe canela-de-velho. Na região Sul do Brasil, somente no Paraná, não em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, talvez porque o clima mais frio dificulte o desenvolvimento dela.

Segurança no consumo da canela-de-velho

Existe um conjunto de cerca 15 a 20 plantas chamadas de canela-de-velho. Dessas, apenas a Miconia albicans e mais duas ou três têm pesquisas científicas que demonstram toxidades. Via de regra, o grupo Miconia não é tóxico.

A canela-de-velho é utilizada popularmente no Brasil como protetora hepática, como depurativo do sangue, para controlar a glicemia, para controlar a artrose, a artrite, a artrite reumatoide, a hérnia de disco, a bursite e dores na coluna. De modo geral, ela exerce boa ação analgésica para ossos e articulações.

Pesquisas demonstram que a canela-de-velho é uma planta segura, que não tem toxidade relevante se utilizada nas doses recomendadas. Para tratamento para a artrose, ferva 0,5l de água,  se a dor e a inflamação forem intensas, adicione 4 folhas picadas; se não, 3. Deixe ferver por cerca de 2 minutos, repousar por 15 minutos e tome esse chá ao longo do dia.

Se quiser tomar pontualmente ou fazer somente uma xícara de chá, utilize uma colher de sobremesa de folhas picadas para cada xícara de água. Dessa maneira o tratamento não tem riscos.

Os principais princípios ativos das folhas da canela-de-velho são o ácido ursólico e o ácido oleanóico. Eles exercem ação analgésica e anti-inflamatória, fortalecem a musculatura, melhoram a função da insulina (para pessoas que têm um tipo de diabetes ou pré-diabetes) e combatem radicais livres – que causam envelhecimento, degeneração das células, e doenças crônicas como o reumatismo e a artrose.

Mutagenicidade da canela-de-velho

Em um estudo realizado em Londrina, no Paraná, constatou-se que os extratos de canela-de-velho não causam mutagenicidade – ou seja, não deformam o DNA, material genético que quando se degenera, provoca problemas de má formação, como o câncer, que não é causado pela caneca-de-velho.

Em uma pesquisa realizada pela Universidade de Ribeirão Preto, o ácido ursólico não apresentou toxidade mesmo em altas dosagens.

Uma pesquisa realizada na Universidade de Bauru, no estado de São Paulo, constatou que a canela-de-velho é segura para o consumo humano.

Benefícios da canela de velho

Ação antioxidante

A ação antioxidante da planta elimina grande parte dos radicais livres, o que melhora doenças inflamatórias crônicas, como artrite, artrite reumatoide, artrose, gota e outras que envolvem as articulações.

Proteção do fígado

Em uma pesquisa realizada no México, animais receberam altas dosagens de medicamentos causadores de hepatite (que causavam inflamação e até sangramento do fígado). Os animais que tomaram ácido ursólico e oleanóico tiveram o fígado protegido.

Tratamento de doenças crônicas

Para doenças crônicas, deve-se tomar canela-de-velho constantemente, enquanto precisar resolver o problema.

É possível tomar a tintura produzida com canela-de-velho, erva-baleeira e erva-de-são-joão, com excelentes resultados no controle das dores da artrite, artrose e outros problemas das articulações, sem efeitos colaterais.

Caso a pessoa seja sensível ao ácido ursólico ou ao oleanóico e tiver alguma reação, alérgica ou de qualquer outro tipo, pode simplesmente parar de tomar a planta para que os efeitos passem.

Ação antibiótica e antimicróbica

A canela-de-velho foi testada pela Universidade de Franca, no estado de São Paulo. O extrato dela foi eficiente em evitar o desenvolvimento de vários fungos e bactérias, inclusive da Candida albicans, causadora da candidíase. Nesses casos, pode-se fazer um banho de assento com o chá das folhas da canela de velho.

Doença de chagas

A doença de chagas, popularmente conhecida como “coração inchado”, é uma infestação causa pelo Trypanosoma cruzi, parasita transmitido pelo inseto barbeiro. Testada pela Universidade de Ribeirão Preto, a canela-de-velho reduziu significativamente o desenvolvimento desse parasita no organismo.

Ação analgésica e anti-inflamatória

A canela-de-velho foi testada pela Universidade de Ribeirão Preto e teve ação melhor do que a da Aspirina (ácido acetilsalicílico), muito utilizada como analgésico e anti-inflamatório, por exemplo para dores de cabeça. Com 40mg do extrato de canela-de-velho, o resultado foi parecido com o de 100mg do ácido acetilsalicílico.

O ácido ursólico e o oleanóico também foram testados como anti-inflamatórios e analgésicos, separadamente da planta, e demonstraram excelente resultado combatendo vários dores e inflamações.

Ação antiofídica

Em um estudo que analisou a eficiência das folhas da canela-de-velho contra o veneno da surucucu, uma serpente amazônica, o extrato da canela-de-velho administrado nas cobaias evitou a hemorragia e o efeito proteolítico do veneno – quando o veneno entra na corrente sanguínea e dissolve os tecidos do corpo.

Não se deve comprar a canela-de-velho na forma de farinha, pois não é possível identificar se ela realmente foi feita com a planta correta.

Referências:

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