Caju: benefícios e como usá-lo

Características do caju

O caju (Anacardium occidentale) é uma fruta nativa do litoral do nordeste brasileiro e hoje se distribui por todas as zonas tropicais do mundo. Desde que os colonizadores chegaram, encontraram caju no litoral, principalmente no Rio Grande do Norte, Pernambuco e Ceará.

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Existe uma segunda espécie de caju, o Anacardium humile, também chamado de “cajuí”, bem menor que o Anacardium occidentali.

O fruto do caju é apreciado porque é saboroso, muito utilizado como fruta de mesa, para fazer sucos, doces e licores. Os subprodutos do caju são utilizados até mesmo para finalidades industriais.

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O nome “caju” deriva do tupi “acaiu”, que significa, na língua indígena, “fruto fibroso que amarra”, porque ele causa sensação de adstringência na boca, principalmente quando verde.

Os indígenas produziam uma bebida fermentada à base de caju, chamada de morococó, hoje difícil de ser encontrada, mesmo nas populações indígenas que ainda vivem no nordeste. Os indígenas ensinaram os colonizadores a torrar o fruto do caju, tirar de dentro dele a castanha torrada e consumi-la como alimento.

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Há registros na história de que muitas vezes os colonizadores entraram em guerra com os índios pelo caju. Os primeiros iam até as grandes populações de cajueiros no nordeste para colher o caju, e os indígenas também.

O caju não é um fruto verdadeiro. Dentro dele está a semente, que é a castanha, uma parte verde ou marrom-escura, dura. Botanicamente, a parte comestível do caju, laranja-avermelhada, não é o fruto, mas o pedúnculo. Na maçã, o pedúnculo é o cabo, que seria o caju. Especificamente no caju, o cabo incha, fica suculento e doce, os animais se aproximam para comer essa estrutura e acabam liberando o fruto verdadeiro, a castanha.

O maior cajueiro do mundo fica no Rio Grande do Norte, na cidade de Parnamirim, ocupa uma área de 8.500 metros quadrados e produz anualmente cerca de 80.000 frutos – duas toneladas e meia. A árvore foi plantada em 1888, ou seja, tem cerca de 130 anos.

Por uma anomalia genética, ao invés dos galhos dessa árvore crescerem para cima, cresce para os lados, e como ficam pesados, entortam para baixo. O cajueiro tem muita facilidade em enraizar e, no ponto em que os galhos encostam no chão, cria raízes e continua crescendo. Toda a estrutura gigante criada é fruto de uma só semente.

Usos populares do caju

Na medicina popular, principalmente do nordeste, utilizam-se todas as partes do cajueiro, por exemplo, a casca da árvore, as folhas, os frutos, e a goma – uma resina do tronco obtida fazendo pequenos cortes na casca.

As amêndoas, que são os frutos verdadeiros que ficam debaixo da parte comestível, produzem uma substância chamada “líquido da castanha do caju”, considerada adstringente, antidiarreica, depurativa, tônica, antiasmática, etc. Essa substância tem muitos usos.

Como bochecho e como gargarejo, é feito um chá das cascas para tratar inflamação da boca e da garganta.

Cuidados no uso do líquido da castanha do caju

O líquido da castanha, uma espécie de extrato, é relativamente perigoso. Ele pode ser utilizado medicinalmente, mas em contato com a pele, principalmente em condições de insolação, pode causar manchas e graves queimaduras, podendo ser necessário tratamento a laser para removê-las.

Antigamente, os jovens do literal nordestino ralavam esse pequeno fruto, misturavam com água e faziam desenhos na pele com esse líquido, um tipo de tatuagem rudimentar, tamanha a potência desse material.

Propriedades da castanha-de-caju

A castanha-de-caju, muito consumida não só no Brasil, mas no mundo inteiro, é rica em minerais, entre eles cobre, fósforo, manganês, magnésio e zinco. Ela também é rica em carboidratos benéficos para a saúde, fibras, vitaminas, aminoácidos, e tem grande concentração de gordura boa. Comer a castanha-de-caju é excelente para a manutenção da saúde.

Toxidade das partes do cajueiro

Muita gente tem medo de utilizar o cajueiro, mas estudos demonstram que tanto a casca do tronco, quanto a resina (goma), o próprio fruto e as folhas apresentam baixíssima toxidade – não atacam o fígado, os rins ou o estômago, não causam neurotoxidade, problemas sanguíneos, etc. Dentro das doses recomendadas, não causam nenhum problema.

Para preparar o chá, recomenda-se uma colher de planta picada para cada xícara de água. Pode-se fazer uma infusão, se forem flores, ou uma decocção se for a casca ou uma parte mais dura do cajueiro, tomando duas xícaras ao dia.

Benefícios do caju

Proteção do estômago

O chá e o extrato das folhas do cajueiro exercem capacidade protetora da parede estomacal contra lesões causadas por certos medicamentos, excesso de acidez, álcool, e até mesmo produtos químicos. São excelentes para gastrite e úlcera gástrica.

Quem toma medicamento que pode atacar o estômago deve tomar o chá das folhas do cajueiro para protegê-lo.

Em um estudo, a ação gastroprotetora das folhas do cajueiro foi maior que a de um medicamento chamado lozanorazol, também protetor do estômago.

Do tronco do cajueiro, retira-se a goma, uma resina que pode ser diluída em álcool de cereais ou em fervida em água. Os preparados feitos com ela protegem a parede estomacal contra danos químicos.

Controle da pressão arterial

O caju é popularmente utilizado, principalmente na África, no controle da pressão arterial. As folhas dele têm uma atividade hipotensora, ou seja, abaixam a pressão arterial.

A casca do tronco também tem uma ação hipotensora, e também anti-hipertensiva, evitando que a pressão arterial suba. Nesse processo, ela controla as taquicardias (frequência aumentada de batimento cardíaco).

Ação antifúngica

O líquido da castanha-de-caju – um extrato feito com o fruto verdadeiro dele, fora da parte comestível – foi testado como antifúngico e demonstrou excelentes resultados, combatendo vários tipos de fungos que causam doenças em humanos.

As preparações caseiras com essa parte do caju não são recomendadas por conta da possibilidade de queimaduras na pele, nas mucosas e nos lábios.

Diabetes

O cajueiro é utilizado na África, e também no Brasil, para o controle da diabetes. As partes do caju têm um efeito tanto antiglicêmico (evitam que a taxa de açúcar suba) quanto antidiabético, protegendo o pâncreas contra a diabetes. Esse extrato foi feito com as cascas do tronco do caju. As folhas também têm essa ação.

Os ácidos anacárdicos são os princípios ativos mais presentes no caju, estão em todas as partes dele, mas maior concentração na casca do tronco e nas folhas.

Existem medicamentos que atacam o pâncreas, fazendo com que ele produza menos insulina e, por conta disso, a pessoa tem dificuldade de controlar os níveis de açúcar no sangue, podendo ocasionar diabetes. Os extratos do caju protegem o pâncreas e estimulam o funcionamento dele, permitindo regeneração das células produtoras de insulina.

Os extratos do caju tiveram a capacidade de proteger os rins dos diabéticos, que nesse caso sofrem por causa da concentração de açúcar no sangue; aumentar o nível de testosterona; e proteger a produção de espermatozoides em cobaias – a diabetes pode interferir na fertilidade masculina.

Ação anti-inflamatória

Essas preparações têm capacidade anti-inflamatória e controlam as inflamações a médio prazo – sem tanta eficiência quanto o diclofenaco, por exemplo, mas também sem os efeitos colaterais dele, tomá-lo por muito tempo pode prejudicar o fígado, o estômago e os rins.

Os extratos do cajueiro podem ser usados com segurança em casos de artrite, reumatismo e outras dores crônicas.

Ação analgésica

Esses extratos exercem atividade analgésica, combatendo dores. Conforme a pessoa toma as doses do extrato do caju (seja o chá ou o extrato alcóolico), as dores reduzem progressivamente. Pessoas que realizaram cirurgias, tiveram acidentes, têm frequentemente cólicas, etc., podem utilizar os extratos do caju como analgésico.

Controle do colesterol

Um estudo demonstrou que o consumo da castanha-de-caju estimula a produção do colesterol bom (HDL) e controla os níveis gerais de colesterol no organismo.

Ação antibiótica

Os extratos do cajueiro, seja da casca, das folhas, dos brotos, etc., têm excelente ação antibiótica, combatendo vários tipos de bactérias. Estudos compararam o extrato de caju com a ampicilina, um antibiótico comercial, e a inibição desses microrganismos foi melhor com os extratos de caju do que com o medicamento comercial.

A infecção generalizada, também chamada de septicemia ou “infecção no sangue”, é quando a a infecção toma conta de todo o corpo, com alta taxa de mortalidade. Ela acontece muito por conta de contaminações no ambiente hospitalar. Os extratos feitos com a casca do cajueiro evitaram a morte de cobaias induzidas a infecção generalizada. O grupo que não tomou o extrato de caju teve um índice de mais de 60% de mortalidade.

Ação contra o colesterol

Em outro estudo, a casca do tronco do cajueiro teve ação eficiente em controlar os níveis de colesterol no organismo, além de proteger o fígado de obesos – o fígado sofre muito pelo excesso de gordura no organismo.

Goma (resina) do cajueiro

A seiva do tronco do cajueiro tem muitas propriedades medicinais. Ela foi testada, por exemplo, como antitumoral, e inibiu em até 88% o desenvolvimento de certos tipos de sarcoma.

Em outro estudo, a goma do cajueiro foi diluída e aplicada sobre feridas, reduzindo a inflamação, o inchaço e vermelhidão (edema), e facilitando o processo de cicatrização.

Ação antidiarreica

O cajueiro é popularmente utilizado como uma planta antidiarreica. Essa possibilidade foi testada, e tanto a goma e a casca do tronco quanto as folhas do cajueiro tiveram excelente ação antidiarreica, inclusive melhor do que alguns medicamentos.

Ação antioxidante

Os radicais livres causam envelhecimento, adoecimento, processos inflamatórios, pioram doenças autoimunes, etc. Plantas antioxidantes os combatem e melhoram a saúde.

Nos experimentos, os extratos do cajueiro tiveram excelente ação de combate a radicais livres, e, em alguns casos, inibiram 100% deles.

O suco do fruto do cajueiro (o pseudofruto, que as pessoas comem) – tanto o cru, feito em casa, batido no liquidificador, quanto o processado pela indústria – evita mutações genéticas (pode tornar-se câncer) no organismo.

Proteção do sistema nervoso

Os preparados do caju combatem ou previnem degenerações do cérebro e do tecido nervoso, seja pelo envelhecimento, por medicamentos ou por doenças, e estão sendo estudados, com resultados promissores, no combate à doença de Parkinson (para evitar que ela se desenvolva ou progrida), que causa tremores e dificuldades na coordenação motora.

Combate a bactérias

Ao mesmo tempo que existe esse grande perigo da mancha e da queimadura na pele por conta desse preparado, foi demonstrada a capacidade dele de combater vários tipos de bactérias, inclusive as que causam acne. Domesticamente, é desaconselhável fazer uso dessa forma, passando no rosto, pelo risco de queimaduras e ficar com o rosto manchado.

Existem pesquisas para purificar essa substância e transformá-la em produto cosmético.

Remédio com flores do cajueiro

Popularmente, as flores do cajueiro (que são pequenas, esbranquiçadas e rosadas) são utilizadas para combater a tosse e a diabetes.

Para fazer o remédio para a tosse com as flores do caju, pegue uma colher das flores para um litro de água, deixe ferver por 5 minutos e tome três xícaras por dia.

Para controlar a diabetes, pegue uma xícara de flores, triture-as, coloque em um litro d’água, ferva e tome três xícaras ao dia.

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