Bupropiona e naltrexona

Uso de bupropiona e naltrexona para emagrecer

A naltrexona e a bupropiona são drogas usadas para o emagrecimento. A combinação delas tem sido muito usada para o tratamento da obesidade. Porém, o uso dessa combinação não é para qualquer paciente obeso.

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É necessário que o médico faça uma seleção apropriada e tente conhecer o paciente para que possa prescrever a melhor medicação para ele.

A medicação deve ser usada em casos extremos, quando a pessoa não está conseguindo lidar com o seu próprio problema.

A associação da bupropiona com a naltrexona é usada para um tipo de paciente obeso que não sente fome, e que, portanto, não vai se beneficiar do uso de anorexígenos (drogas que reduzem a fome). É um paciente que tem compulsão alimentar: ele não tem fome, mas tem uma vontade insaciável de comer – por exemplo, que perde o sono e se levanta para comer ou que tem uma vontade muito grande de comer doces.

Muitas vezes, o paciente para de fumar e troca a compulsão por cigarro por um outro tipo de compulsão, que muitas vezes é a comida.

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Esse paciente tem um perfil adequado para o uso de uma droga para a compulsão.

A naltrexona e a bupropiona têm atuações e usos bem diferentes, pois atuam em vias diferentes.

Ação da naltrexona

A naltrexona é uma medicação que atua como inibidora de opioides, e é muito usada para pacientes que têm dependência química (por exemplo, pacientes viciados em drogas ilícitas, como a cocaína, ou até mesmo pacientes alcoólatras).

A função básica da naltrexona é inibir os receptores de opioides, fazendo com que a pessoa tenha menos prazer com o uso de determinada droga. Ela tem um efeito de bloquear beta-endorfinas, tornando menor o processo de dependência e de prazer que a pessoa tem com a droga. Isso muitas vezes ajuda a pessoa a se livrar do vício.

Ação da bupropiona

A bupropiona é um antidepressivo que tem uma ação no sistema nervoso central. Ela atua estimulando um neurorreceptor chamado proopiomelanocortina, que dá origem a duas substâncias – uma delas atua como anorexígeno (como inibidor de fome), e a outra é a beta-endorfina.

A bupropiona tem o efeito de estimular o bem-estar, atuando como antidepressivo, e, por atuar sobre o receptor da proopiomelanocortina, tem um efeito anorexígeno. Por isso, as pessoas que usam bupropiona para um tratamento, principalmente de tabagismo, têm uma diminuição do apetite.

Porém, esse efeito de diminuição do apetite não dura muito quando a pessoa usa a bupropiona isoladamente, pois as beta-endorfinas têm uma atuação (chamadas, dentro da medicina, de “feedback negativo”) sobre a proopiomelanocortina. As próprias beta-endorfinas vão mandar uma mensagem para o cérebro, reduzindo a produção de proopiomelanocortina e diminuindo o efeito anorexígeno da bupropiona.

O uso isolado da bupropiona não é muito eficaz para o tratamento de compulsão, pois ela tem uma ação a curto prazo.

Associação de naltrexona e bupropiona

Foi descoberto que quando a naltrexona é associada com a bupropiona, tem-se um efeito sinérgico muito interessante. Como a naltrexona tem um efeito de inibir a beta-endorfina, ela vai impedir o efeito de feedback negativo que a beta-endorfina tem sobre a proopiomelanocortina, fazendo com que a proopiomelanocortina, que vai estimular o hormônio relacionado à diminuição de apetite, atue de maneira mais persistente, com um efeito de saciedade bem maior e mais a longo prazo.

Por isso, a associação da bupropiona com a naltrexona tem um efeito muito bom sobre a compulsão.

Os trabalhos científicos costumam usar doses muito altas de bupropiona e de naltrexona para o tratamento de obesidade. Porém, alguns endocrinologistas, na prática clínica, percebem que, com doses baixas de bupropiona e naltrexona, já se consegue controlar um pouco e de maneira bem persistente essa compulsão.

Quanto menor a dose, mais fácil vai ser futuramente retirar essa droga do paciente.

Normalmente, os trabalhos feitos com a bupropiona e naltrexona usam 300mg de bupropiona e 28mg de naltrexona. Alguns endocrinologistas conseguem resultados muito bons com 40mg de bupropiona e 2mg de naltrexona, até porque têm como prioridade controlar a compulsão alimentar do paciente, mas fazer com que ele entenda que o maior controle precisa vir de dentro dele. As principais mudanças têm que partir do comportamento do paciente.

Quanto maior a dose dessas medicações, maiores vão ser os efeitos colaterais. É muito comum doses maiores que 150mg de bupropiona e maiores que 10mg de naltrexona provocarem efeitos desagradáveis nos pacientes, como náuseas, vômitos, diarreia, insônia, irritabilidade e taquicardia.

Para alguns endocrinologistas, em um tratamento, deve-se tentar proporcionar qualidade de vida ao paciente. Eles relatam que doses baixas da associação dessas duas medicações têm obtido resultados muito bons, e os pacientes conseguem treinar bem e dormir bem.

Deve-se tomar cuidado com a dosagem de bupropiona e naltrexona. A associação dessas medicações em baixas doses não tem o efeito de estimular a adrenalina e a noradrenalina. Alguns endocrinologistas também não percebem grandes ações dessas medicações sobre o catabolismo.

O uso da naltrexona sozinha não irá fazer a pessoa emagrecer.