Buchinha-do-norte: benefícios e como usá-la

Características da buchinha-do-norte

A buchinha-do-norte (Luffa operculata) é muito conhecida no Brasil, principalmente no nordeste. Ela se desenvolve em várias regiões e é muito utilizada medicinalmente, mas  requer cuidados.

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Ela é popularmente utilizada para tratar problemas respiratórios, como rinite, sinusite e congestão nasal. O grande problema dela é a toxidade, pois não é 100% segura.

Ela é da família da bucha, do pepino, da abóbora, da melancia, etc. – um grupo muito grande, da qual se conhecem várias espécies.

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A buchinha-do-norte pode ser encontrada em muitos lugares do Brasil, se alastrando sobre cercas, árvores e mesmo pelo chão. Ela é menor do que uma bucha normal – a bucha paulistinha tem entre 30 a 40 centímetros; a bucha-de-metro tem 1 a 1,20m de comprimento; enquanto ela tem de 5 a 7 centímetros de comprimento. Ela é utilizada medicinalmente quando madura, já seca, não quando verde.

Toxidade e cuidados no uso da buchinha-do-norte

É perigoso utilizar a buchinha-do-norte em crianças. Ela tem princípios cáusticos, que acabam danificando a mucosa do sistema respiratório. Se usados em grande quantidade, pode-se ter problemas como irritação e ardência do trato respiratório, e sangramento nasal.

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Além disso, é uma planta abortiva. Algumas pesquisas demonstram que ela reduz a fertilidade das fêmeas, pois impede a nidação – fixação do embrião na parede do útero para o desenvolvimento. Normalmente aqueles embriões que continuam o desenvolvimento têm déficit de peso e deformidades, como olhos saltados fora das órbitas, deformações ósseas, etc.

Quem é gestante ou tem dúvidas se está ou não grávida, não deve utilizar a buchinha-do-norte, o mesmo vale para quem tem algum problema grave no sistema respiratório.

Existe uma indicação popular de que o chá dela causa diarreias fortes, isso foi testado com animais de laboratório, e realmente acontece. A pessoa pode até ter sangramento intestinal com o uso excessivo dela.

Ela também causa prostração – a pessoa fica apática, não quer fazer nada – porque exerce ação depressora no sistema nervoso central.

Não se deve tomar o chá da buchinha-do-norte, pois não é seguro.

Instilação com buchinha-do-norte

Em alguns casos, as pessoas fazem a instilação: um extrato à base de água da buchinha-do-norte para ser pingado no nariz e aspirado. Essa preparação também é bastante danosa para o sistema respiratório.

Uma pesquisa demonstrou que a instilação funcionou muito bem no tratamento da rinite e da sinusite, mas em uma concentração de apenas 1%. Isso significa que em 100mL de líquido há 99mL de água e 1mL de extrato da buchinha-do-norte, justamente para não causar intoxicação.

Não se recomenda fazer a instilação, pois as pessoas, em casa, não têm controle da concentração que estão utilizando – se 1%, 2%, 10%, 20%. Quanto maior a concentração da buchinha-do-norte na instilação, maior o risco de efeitos colaterais.

Uso da buchinha-do-norte como inalação

É possível utilizar a buchinha-do-norte, mas na forma de inalação. Pegue a buchinha-do-norte seca e corte-a ao meio. Pegue metade dela, coloque em cerca de 0,5l de água (ou 1l de água) e deixe ferver por 10 minutos. Coloque em uma bacia de água, coloque uma toalha sobre a cabeça e inale os vapores durante 5 minutos.

Quando o vapor da bacia  sobe, ele carregando consigo os princípios ativos da buchinha-do-norte, mesmo que não tenha um cheiro muito forte (pois não é uma planta aromática). Esses vapores aspirados atuam na parte superior do sistema respiratório – as fossas e sinos nasais, onde normalmente atacam a sinusite, a rinite e a congestão nasal.

Um estudo demonstra a capacidade da buchinha-do-norte de retirar o acúmulo de muco (catarro) nas partes mais profundas do sistema respiratório. Existem cavidades dentro do crânio que inflamam e enchem de muco quando a pessoa está, por exemplo, com sinusite. A buchinha do norte faz com que esse muco seja expelido. Por isso, muitas pessoas narram que, quando utilizam-na, sai muco pelo nariz. Porém, se utilizada em quantidades excessivas ou por tempo demais, pode causar sangramento nasal.

Ação antitumoral

A buchinha-do-norte também foi testada como antitumoral para alguns tipos de células cancerígenas. Verificou-se que ela inibiu o desenvolvimento dessas células na ordem de 67%. O medicamento quimioterápico padrão que foi utilizado como referência, para comparar a ação, teve 95% de redução. Porém, a ação da buchinha-do-norte também é expressiva.

A buchinha-do-norte não pode ser utilizada como tratamento contra o câncer por conta da toxidade dela. É necessário separar os princípios ativos dela, que têm ação antitumoral, para que eles sejam purificados e possam ser usados com segurança.

Ação antibacteriana e antibiótica

A buchinha-do-norte exerce ação contra os estreptococos e os estafilococos, bactérias que podem causar vários tipos de infecções. A buchinha-do-norte pode ser utilizada para eliminar esses tipos de bactérias, por exemplo lavando feridas, cravos, espinhas e furúnculos.

Ação antifúngica

A buchinha-do-norte tem ação eficiente contra a candidíase, que pode causar o famoso “sapinho” na boca de crianças e os “panos brancos” nas mulheres, que coçam e doem.

Pode-se pegar uma ou duas buchinhas inteiras, picadas, e fazer um chá com 2 ou 3 litros de água. Depois de ferver por 10 minutos, coloque em uma bacia e adicione água fria até que a pele suporte a temperatura, então faça o banho de assento por pelo menos 20 a 30 minutos. Isso terá ação eficiente contra os fungos causadores da candidíase.

Uso homeopático da buchinha-do-norte

Vários artigos demonstram o uso da buchinha-do-norte como medicamento homeopático para tratar sinusite. É possível comprar os glóbulos ou as gotas feitas a partir da Luffa operculata em farmácias de manipulação.

Os testes foram realizados em humanos. Com o composto homeopático de buchinha-do-norte – às vezes com ele sozinho, às vezes em associação com outras plantas ou com outros compostos homeopáticos –, mais de 80% dos pacientes se curaram da sinusite com duas semanas de tratamento.

Ação no sistema nervoso

A acetilcolinesterase é uma enzima que retira do sistema nervoso a acetilcolina, um neurotransmissor. Quando falta acetilcolina no cérebro, a pessoa propensa ao Alzheimer, por exemplo, e outras doenças degenerativas do cérebro. A acetilcolina é extremamente importante para o bom funcionamento e a saúde cerebral, principalmente na terceira idade (após os 50, 60 anos).

Quando o extrato da buchinha-do-norte é utilizado, ele atua sobre a acetilcolinesterase, impedindo que ela retire a acetilcolina da rede nervosa. Isso melhora a saúde do sistema nervoso, evitando doenças como o Alzheimer. Essa capacidade da buchinha-do-norte está demonstrada, porém, por conta da toxidade, o uso dela não é recomendado, mesmo em casos de Alzheimer.

No futuro, talvez exista um medicamento purificado, a partir dos princípios ativos da buchinha-do-norte, que será importante para o tratamento do Mal de Alzheimer.

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