Apneia do sono

O que é?

A apneia do sono é a parada respiratória por vários segundos durante o sono. O ar deve entrar e sair pelo nariz, mas, quando há uma área obstruída na garganta, ele não passa. Como falta oxigênio ao cérebro, ele tenta acordar o indivíduo.

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Incidência

Homens entre 40 e 60 anos apresentam maior probabilidade de serem acometidos por apneia. Entre as mulheres, a faixa etária mais suscetível está entre 50 e 70 anos.

As crianças também podem ter apneia, até mesmo bebês. A Síndrome de Pierre Robin faz a criança nascer com o queixo para trás e, para reparar isso, é necessário intervenção cirúrgica.

Na fase de crescimento, podem-se notar crianças com apneia justamente em virtude de obstrução nasal, amígdalas grandes, adenoides amplas, etc.

Se perceberem que a criança não dorme bem, aconselha-se aos pais levá-la ao ortodontista e ao otorrinolaringologista para corrigir esse problema rapidamente.

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Causas

A apneia do sono não provém de sono inadequado, e sim de obstrução respiratória, especialmente em crianças que têm amígdalas grandes ou adenoides (também chamadas carne esponjosa). A apneia também é muito comum em adultos com desvio de septo ou alterações neuromusculares.

Sintomas

Nem todo o mundo que ronca tem apneia, mas quase todos os que têm apneia roncam, dormem mal e têm maior propensão para desenvolver problemas cardíacos. Ademais, a obesidade aumenta o grau de apneia e vice-versa.

Sobrepeso

Durante a apneia do sono, o coração acelera, o organismo dispensa adrenalina e a pessoa tem dificuldade para respirar. Nesse caso, em vista de uma alteração hormonal, o corpo começa a guardar energia sob a forma de gordura, o que acarreta sobrepeso, que, por sua vez, leva à piora da apneia. Alguns não conseguem emagrecer, ainda que comam pouco. Eventualmente, esse obstáculo não se deve à dieta, mas à apneia.

Tipos

Há dois tipos de apneia. A central é tratada pelo neurologista; a obstrutiva,  tanto pelo dentista, como pelo otorrinolaringologista.

Como ocorre

O ar entra pelo nariz, passa pela traqueia e chega aos pulmões. Quando o indivíduo está relaxado, a língua e o céu da boca rebaixam-se. A vibração que ocorre no palato mole (região posterior do céu da boca) é que provoca o ronco.

Quando o cérebro encaminha a mensagem para a pessoa acordar, a língua vai para a frente e o ar passa. Todavia esse transtorno, que ocorre de trinta a quarenta vezes por hora durante o sono, não deixa essa pessoa descansar.

Pode-se executar cirurgia no céu da boca ou na base da língua. Há também uma que faz avançar o esqueleto facial.

Em resumo, o que causa realmente a apneia são as obstruções nasais atrás do céu da boca ou da língua.

Diagnóstico

A apneia diagnostica-se principalmente por meio de um exame chamado polissonografia, que consiste na análise de vários parâmetros relativos ao sono. O indivíduo pode-se submeter a ela na própria residência com o acompanhamento do laboratório de Medicina do Sono ou, preferencialmente, dormir uma noite no Centro de Medicina do Sono.

Nessa investigação, verifica-se o eletrocardiograma, a frequência cardíaca, os movimentos de repetição de membros inferiores e superiores, a agitação e, em especial, o grau de apneia, determinado pelas paradas respiratórias durante o sono.

Além disso, há exames específicos da cabeça e do pescoço, que podem mostrar alguma obstrução no nariz, na região de trás do céu da boca e na atrás da língua.

Tratamentos

Há alguns tipos de apneia: leve, moderada e severa. Existe também a chamada apneia maligna, caracterizada por mais de cem paradas respiratórias por hora.

CPAP

Para indivíduos com apneia moderada, recomenda-se tratamento com o CPAP, aparelho de pressão contínua cujo compressor injeta, na garganta, o ar, que chega até os pulmões. Esse equipamento custa por volta de R$ 4.000,00.

Por precisarem dormir com ele, muitos o acham desconfortável e chegam aos consultórios, determinados a deixar de usá-lo.

Aparelhos bucais

Há aparelhos ortodônticos que projetam a maxila inferior para a frente e abrem as vias aéreas, porém algumas pessoas não têm interesse em usar esse tipo de mecanismo.

Cirurgia telegnática

A cirurgia telegnática, bastante trabalhosa, corresponde ao avanço do esqueleto facial (maxilar e mandíbula) e indica-se somente para pessoas com apneia grave, principalmente quando a maxila inferior é rebaixada e as vias aéreas, estreitas, mas demanda certos cuidados, principalmente de cardiopatas. O resultado é, na maioria das vezes, satisfatório, inclusive esteticamente.

As cirurgias telegnáticas melhoram sensivelmente o quadro de apneia obstrutiva, contudo provocam intenso inchaço e desconforto e exigem de quinze a vinte dias de repouso, com abstenção de atividades laborais ou esportivas.

Os candidatos ideais para essa cirurgia são pessoas com algum grau de deformidade facial, geralmente as que têm o queixo muito voltado para trás, as chamadas micrognatas.

Cirurgias nasais

Os pacientes que passam por cirurgias nasais apresentam rápida recuperação; os do céu da boca (palato) têm pós-operatório mais dolorido, razão pela qual costumam evitá-las, e os da base da língua sentem interferência na deglutição ao longo de dois a quatro primeiros meses.

Apneia tem cura?

Não se pode garantir a cura da apneia mediante cirurgias, sejam elas otorrinolaringológicas, na região do hioide, sejam da musculatura da base da língua (genioglosso ou avanço do genioglosso), sejam ainda nasais, para remoção ou endireitamento do septo.

O que se pode garantir é a melhora do quadro, comprovada pela polissonografia ou, de acordo com o próprio paciente, pela melhor qualidade de vida.

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CRM: 70468. Residência médica em Otorrinolaringologia pelo Hospital Universitário Getúlio Vargas (2011-2014). Graduação em Medicina pela Universidade Federal do Amazonas (2004-2010). Especialização em Fellowship em Cirurgia Otorrinolaringológica pelo Instituto Paranaense de Otorrinolaringologia (2014-2015). Médica Otorrinolaringologista do Hospital Adventista de Manaus (2015-atual). Médica Otorrinolaringologista da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (2016-atual). Médica Otorrinolaringologista do Hospital Universitário Getúlio Vargas (2016-atual). Médica da Estratégia de Saúde da Família da Prefeitura Municipal de Iranduba (2010-2011). Médica da Estratégia de Saúde da Família da Prefeitura Municipal de Itacoatiara (2010).