Anis: benefícios e como usá-lo

Anis (erva-doce): características

O anis (Pimpinella anisum), também chamado de erva-doce, tem histórico de uso milenar, e é uma planta estrangeira muito utilizada na medicina popular e na culinária.

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É frequente o nome popular das plantas medicinais variar de uma região para outra. Existem duas plantas chamadas de erva doce: o anis, mais cultivado para a venda das sementes, que são aromáticas. Quando se fala em sementes de erva-doce ou chá de erva-doce, trata-se do anis. O funcho (Feniculum vulgare) é outra espécie de erva doce. São duas plantas diferentes que atendem pelo nome de erva-doce.

Muito encontrado em supermercados, o funcho tem as folhas bem finas, parecidas com palitos, formando uma “cabeleira”. A folha da erva doce é mais larga, parecida com a da salsinha e do coentro.

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Muitos confundem o anis e o anis estrelado. O primeiro é da família do funcho, da salsinha e da cebolinha, e o segundo é outra planta, que tem um fruto que é uma cápsulaem formato de estrela, e abriga sementes grandes. Essa cápsula é utilizada para fazer chá. Apesar dos óleos essenciais serem parecidos, inclusive terem um cheiro parecido, são de duas plantas diferentes.

O anis não é uma planta brasileira, é originado da Europa e do Oriente Médio, muito utilizado em países como o Irã e em toda a Europa. Durante o período colonial foi trazido para o Brasil, principalmente pelos seus chás, popularmente considerados bons para a digestão, gases intestinais, dores de cabeça, problemas menstruais, cólicas, problemas respiratórios (gripe e bronquite), estresse, nervosismo, dificuldades de dormir, etc.

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Toxidade do anis

A Escola Paulista de Medicina, uma referência em estudos médicos, identificou que o uso contínuo do extrato das sementes do anis (em chás, tinturas, em pó, etc.) interfere negativamente em processos de aprendizagem, pois reduz o potencial cognitivo das pessoas. Quem tem déficit de aprendizagem não devem usar as sementes do anis. Pessoas que têm Alzheimer também não devem utilizá-las, pois ele pode reduzir a fixação de memória, dificultando o aprendizado e as realização das tarefas cotidianas.

Pessoas que tomam diazepam, clonazepam, remédios para dormir, calmantes, ansiolíticos químicos ou outras drogas que interferem no sistema nervoso central não devem tomar o chá, os extratos, a tintura ou o pó de anis, porque ele pode potencializar os efeitos colaterais desses medicamentos.

Na Universidade de Teerã, no Irã, foram feitos dois estudos sobre a semente e o extrato da erva-doce. Num primeiro momento, verificou-se que epiléticos têm o agravamento do quadro convulsivo com o consumo do extrato da erva-doce, logo, não devem consumir as sementes, o extrato, o chá, o pó ou a tintura de erva-doce.

Todavia, o outro estudo demonstrou que o óleo essencial de anis, que é extremamente purificado, exerce ação protetora cerebral contra convulsões, aumenta o espaçamento de tempo entre uma convulsão e outra, e reduz a intensidade delas, inclusive protegendo o cérebro contra a falta de oxigenação em caso de algum acidente vascular.

Nesses casos, a pessoa deve prezar pela prudência e utilizar outras ervas que são potenciais no tratamento da epilepsia.

Benefícios do anis

Ação antioxidante

Um estudo conduzido na Turquia testou os extratos das sementes da erva-doce e constatou uma eficiente capacidade antioxidante, ou seja, combate os radicais livres, moléculas do organismo responsáveis pelo envelhecimento, pela degeneração das células, por agravar doenças inflamatórias, doenças autoimunes e até levar ao desenvolvimento de câncer.

O anis elimina um grande percentual de radicais livres. Para evitar o envelhecimento ou o câncer, o chá das sementes do anis consumido periodicamente pode ser essencial.

Ação antifúngica

Uma pesquisa feita na Croácia com o extrato da semente do anis demonstrou fraca atividade contra a Candida albicans e outras variedades de cândidas, os fungos causadores da candidíase. Mulheres normalmente desenvolvem candidíase na região genial, e crianças o “sapinho” na boca. O chá feito com a semente de anis não foi eficiente para tratar cerca de seis espécies diferentes de cândida.

No caso de fungos causadores de problemas de pele, como pano-branco, micose, frieira, unheiro, etc., o extrato da semente de anis, testado no Irã, foi eficiente. Pode-se fazer um chá colocando uma colherada de sementes de anis para uma xícara de água e deixar ferver durante dois ou três minutos. Com o auxílio de algodão ou de uma gaze, pode-se passar esse chá nas áreas afetadas.

Em um estudo conduzido na Índia, o óleo essencial de anis teve ação excelente contra dezenas de tipos de fungos causadores de problemas em humanos. Quem tem problema fúngico deve usar o óleo essencial de anis.

Ação antibiótica

Na Índia o chá do anis também foi testado contra bactérias causadoras de sérios problemas em humanos, como a Escherichia coli, que causa graves problemas intestinais e às vezes diarreias hemorrágicas; o Streptoccocus aureus, causador de problemas de pele como furúnculos e a erisipela; e a Klebsiella pneumoniae, uma entre as muitas bactérias causadoras da pneumonia.

Ação antiviral

No Japão, o anis foi testado como antiviral, e alguns dos princípios ativos presentes nas sementes dele demonstraram capacidade de combater tanto o vírus do sarampo quanto o citomegalovírus humano, relacionado a alguns tipos de herpes, e os vírus da herpes simples tipo 1 e tipo 2. Em todos esses casos, o chá, o extrato e os preparados com essas substâncias foram eficientes.

Os extratos, chás e tinturas de anis são comprovadamente potentes contra doenças infecciosas causadas por vírus, incluindo a gripe e até o HIV, ajudando a controlar o desenvolvimento viral.

Relaxante muscular (ação contra cólicas)

Para cólicas em geral (intestinais, estomacais, da bexiga, uterinas, etc.), nos testes realizados pela USP de Ribeirão Preto, os extratos do anis inibiram a contração da musculatura lisa, que fica em volta do intestino, do útero, do estômago e da bexiga, se contrai, causa cólica e dor. Quem está com cólicas pode tomar uma ou duas xícaras do chá de sementes de anis, uma ou duas vezes ao dia.

Combate à constipação crônica (prisão de ventre)

Contra a constipação crônica, também chamada de prisão de ventre – quando o intestino não funciona e a pessoa não consegue ir ao banheiro – existem algumas receitas, como incluir linhaça na alimentação, tomar chá de abóbora com laranja pela manhã, e chá de sene.

Um teste em laboratório demonstrou que uma mistura feita com anis, funcho, sabugueiro e sene, na forma de chá, acelerou o trânsito intestinal – tempo que leva para a pessoa evacuar. Uma pessoa com constipação intestinal demora em torno de 42 horas (quase dois dias) para evacuar. Tomando o chá, as fezes são evacuadas no prazo de 17 horas.

Ação broncodilatadora

A Universidade de Teerã, no Irã, verificou que os extratos da semente de anis exercem excelente ação broncodilatadora, abrindo os brônquios e melhorando a capacidade respiratória, o que o torna excelente opção para tratar a bronquite ou a asma. Quem sofre de falta de ar pode incluir no tratamento as folhas de manga e as de guaco.

Alívio das dores no pós-parto

Em um estudo feito no Irã, cápsulas que tinham pó de semente de anis, de aipo e do açafrão verdadeiro (bastante caro, do qual se utilizam apenas os pistilos, encontrado em alguns supermercados especializados e utilizado também para colorir os alimentos) foram administradas em mulheres que tinham dores pós-parto.

O tratamento feito com as cápsulas foi mais eficiente em reduzir as dores do que os medicamentos convencionais utilizados para o mesmo fim, demonstrando uma ação analgésica, relaxante da musculatura lisa.

Aumento da produção de leite

No irã, foi testada a capacidade das sementes de anis em aumentar a produção de leite. O anis é muito utilizado na Europa e no Oriente Médio para aumentar a lactação em lactantes. Nesse teste, realizado com animais de laboratório, os extratos feitos com as sementes do anis aumentaram em 80% a produção de leite das cobaias.

Quem tem dificuldades de amamentar por baixa produção de leite deve tomar o chá de anis, pois aumentará significativamente a produção de leite.

Proteção estomacal

Em uma universidade saudita, foi testada a ação da semente de anis para evitar a formação de úlceras gástricas. Os extratos das sementes foram administrados à animais que receberam um tratamento para causar úlceras no estômago, com substâncias químicas altamente agressivas que ferem a parede de estômago. Verificou-se que os animais que receberam o tratamento com chá de anis não tiveram tantas feridas no estômago ou mesmo não as tiveram, demonstrando uma capacidade gastroprotetora importante.

Pessoas que sofrem problemas estomacais, tem uma fragilidade estomacal, e muito do que comem fere o estômago, causando dores, um tratamento auxiliar para processos de gastrite ou úlcera pode ser o chá de erva-doce.

Proteção hepática

Na Turquia, extratos de erva-doce foram testados e tiveram uma ação moderada em proteger o fígado contra substâncias químicas que o agridem. Normalmente, em animais de laboratório, se administra o tetracloreto de carbono, que causa lesões e problemas graves no fígado. Aqueles animais que tomaram os extratos feitos com o anis não tiveram tantos problemas. O anis não é tão potente contra os medicamentos convencionais utilizados, comprada em farmácias, mas pode ajudar no controle de problemas hepáticos.

Amenização dos sintomas da menopausa

No Irã, as cápsulas com o pó de semente de anis foram testadas em 72 mulheres que reclamavam de problemas de calores da menopausa. Depois de 4 semanas, todas elas declararam redução significativa na sensação dos calores.

Controle da diabetes

Na Índia, os extratos das sementes de erva-doce foram testados para casos de diabetes. Durante o processo digestivo, as enzimas quebram esses açúcares para que o intestino possa absorve-los. Quando toma-se chá de anis, por exemplo antes das refeições, ocorre inibição da amilase ou da glucosidase, enzimas que quebram açúcares e amidos. Assim, o intestino não consegue absorvê-los, o que evita a hiperglicemia pós-prandial e ajuda a controlar os níveis de glicemia. A redução da ação das enzimas chega a 94%, elas praticamente param de funcionar.

Para quem é diabético, as sementes de anis podem ser essenciais para o controle tanto da hiperglicemia pós-prandial, quanto para melhorar o perfil glicêmico.

Controle do câncer de próstata

Na Índia, o extrato alcoólico feito com as sementes de anis foi testado no controle do câncer da próstata. É um tratamento natural, que não ataca as células sadias da próstata, somente as tumorais, e além de não permitir que o câncer se desenvolva, até mesmo auxilia na redução dele. É uma ação quimioterápica que as sementes de anis têm.

Elas foram testadas na forma de extrato alcoólico, ou seja, de tintura, que pode ser comprada em farmácias de manipulação. Para o câncer de próstata, principalmente em fases iniciais, pode-se tomar em torno de 20 gotas dessa tintura, 3 vezes ao dia, obtendo excelente ação no controle do problema.

Receita de chá de anis

Para fazer o chá de anis, pegue uma colher de café de sementes do anis, adicione uma xícara de água e, e  deixe ferver em torno de 2 minutos. Deixe abafar por cerca de 15 minutos, coe e tome. Para evitar intoxicações, não exceda essa dosagem.

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