Alimentação para diabéticos

Diabetes e pré-diabetes

Existem inúmeros pré-diabéticos no mundo inteiro, e no Brasil esse número só cresce. Embora pareça que somente é necessário controlar o carboidrato ou controlar mais fibras na alimentação, o assunto vai muito além disso.

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A diabetes tipo 2 pode ser adquirida ao longo da vida.

Em dados antigos, já se falava em 10% da população mundial diabética.

O número de pacientes com diabetes aumenta muito, principalmente a diabetes tipo 2 (que é a metabólica, e que é adquirida com o tempo), pois é uma doença de erros metabólicos, principalmente relacionados à inatividade e à escolha dos alimentos.

A cultura ocidental puxa muito para a alimentação americana, que são os alimentos práticos, junk food, alimentos em saquinhos, industrializados, etc., que vão inflamando o corpo.

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Hoje, o trabalho dos nutricionistas tem sido mostrar para as pessoas que elas devem comer alimentos naturais, que venham da feira, ao invés de industrializados, cheios de ativos, corantes, adoçantes e conservantes, pois eles estão inflamando o organismo e fazendo com que essas doenças metabólicas comecem a aparecer.

São doenças crônicas, que vêm de um desequilíbrio bioquímico que vai “matando o funcionamento das células”, e com o tempo vai ocorrendo uma insuficiência de cada órgão.

Os picos de glicose e insulina que acabam sendo gerados pelo consumo excessivo de carboidratos afetam, primeiramente, a célula produtora de insulina no pâncreas. Por isso que, rapidamente, se desenvolve uma pré-diabetes, que está muito relacionada com o aumento do sobrepeso, principalmente na região da cintura, e com a inatividade física.

A diabetes tipo 1 é genética, e não é adquirida ao longo da vida por ter um hábito de vida errado. Ela é considerada uma doença autoimune, e pode ser desencadeada por inúmeros fatores – por exemplo, por uma virose ou bactérias, quando o corpo começa a produzir anticorpos e machuca as células produtoras de insulina.

A diabetes tipo 1 não é considerada hereditária. Quando a família da pessoa é diabética, ela tem predisposição a ter diabetes tipo 2, que é a metabólica.

A diabetes tipo 1 às vezes ocorre por acaso.

Hoje, existem dados indicando que pessoas com doenças genéticas em que existe o polimorfismo, ou seja, a predisposição genética, têm cerca de 2% de chances de desenvolver a doença caso não cuide da alimentação e da atividade física.

A diabetes é uma doença silenciosa. A pessoa só sabe que está diabética quando já está passando mal. Por isso, são importantes as campanhas de conscientização e a medição da glicose.

O aparelho de medição da glicose é disponibilizado pelo SUS para quem é diabético.

Alimentos diet

Dependendo da composição, os doces diet podem fazer tão mal quanto doces com açúcar. Na legislação, o produto diet deve ter isenção de algum composto. No caso do diabético, eles ficam isentos da adição de açúcar (sacarose), mas isso não quer dizer que não tenham carboidrato.

A indústria coloca, nesses produtos, gorduras que não são boas, corantes, adoçante, etc., e alteram tanto a composição que ela fica inflamatória. A diabetes não está relacionada somente com comer ou não carboidratos. Essa inflamação pode machucar lentamente os rins, a córnea e toda a parte neurológica de sensibilidade, que são as predisposições de doença futura para um diabético.

Às vezes um doce diet tem uma quantidade de gordura muito maior comparada ao doce que não é diet.

A proposta desses doces é inserir alimentos funcionais e naturais, que além de ter sabor, tenham compostos que de certa forma “geram saúde”, e não inflamação.

Glicosímetro

O glicosímetro é um aparelho que mede a glicose no sangue. A amostra de sangue é colocada na parte laranja da fita. As agulhas devem sempre ser trocadas.

Em casa, deve-se sempre fazer uma assepsia no local usando álcool.

Uma mulher relata que tem ovários policísticos e, na gravidez, a médica recomendou ter o glicosímetro, caso acontecesse qualquer coisa para desenvolver uma diabetes gestacional (cuja chance aumenta mais ainda em um pré-diabético).

Quem tem ovário policístico tem uma tendência a ter mais resistência à insulina. A resistência à insulina não só leva à diabetes, como também a outras doenças, como tumores.

Inflamação

A inflamação da pré-diabetes é uma inflamação sistêmica, celular. O ômega-3 e alimentos anti-inflamatórios ajudam no combate dessa inflamação.

O excesso de carboidrato estimula as citocinas inflamatórias. Assim, ocorre uma série de reações bioquímicas que vão culminar no dano na membrana da célula. Isso começa a afetar o sistema inteiro.

Preparo de macarrão para diabéticos

A rotina de exercícios e a alimentação saudáveis são para todas as pessoas, e não só para diabéticos e pré-diabéticos.

Existe um conceito de que o diabético não pode comer macarrão. Porém, hoje sabe-se que o macarrão al dente, não muito cozido, vai sofrer uma modificação na estrutura do amido que vai deixá-lo mais resistente à absorção no intestino. O macarrão pode ser misturado com uma proteína. No preparo do molho, pode-se adicionar azeite (uma gordura). Assim, a digestão vai ser mais retardada e a absorção mais lenta, e a subida da glicose é realizada mais devagar do que comendo um nhoque, por exemplo.

Os cálculos de valores nutricionais e da dieta são completamente diferentes para homens e mulheres. De modo geral, para o diabético, recomenda-se no máximo 100g de macarrão por refeição. Porém, isso é muito individual, e vai depender se a pessoa faz atividade física, se ela vai fazer atividade física depois de duas horas (e usar essa glicose no sangue), ou se ela vai se sentar ao computador e trabalhar.

A ideia é que a pessoa use esse macarrão como fonte de carboidrato na dieta. O prato precisa ter salada de folhas, vegetais coloridos (crus, cozidos ou refogados) e a proteína, que pode estar inserida no preparo do macarrão (por exemplo no molho à bolonhesa), ou pode estar separada.

As gorduras, como o coco, óleo de coco, azeite e castanhas, também podem servir para retardar o esvaziamento gástrico.

O diabético pode comer um carboidrato, mas com um pouco de gordura e um pouco de proteína. Isso vai fazer com que o esvaziamento gástrico seja retardado e a absorção da glicose mais lenta. Os farelos também são ótimos para isso.

A maioria dos diabéticos no Brasil sai do consultório médico já com um remédio de colesterol prescrito, cujo princípio ativo são as estatinas.

Os pré-diabéticos devem seguir uma alimentação regrada assim como os diabéticos, justamente para não se tornarem diabéticos. A diabetes não é somente ficar sem comer doces, ela influencia na cicatrização, a glicose muda quando a pessoa está triste ou se ela tem uma infecção, etc.

A diabetes é uma doença séria que, se não for cuidada, pode causar problemas na córnea, nos rins, etc. A pessoa pode até perder a função dos rins. A gestação da mulher diabética é de alto risco.

Às vezes, no consultório dos nutricionistas, as pessoas que estão no caminho de se tornarem diabéticas se preocupam somente com o corpo (em emagrecer).

Quem tem o diagnóstico de pré-diabetes deve praticar atividade física, cuidar da alimentação, fazer combinações, reduzir as porções e comer de maneira fracionada.

Tapioca

A tapioca tem um alto índice glicêmico. Se a tapioca é preparada com geleia, vai agregar muito açúcar e subir isso no sangue. Porém, se a tapioca é preparada com queijo, ovo, frango desfiado, farelos ou chia, há uma quebra dessa velocidade de absorção, o esvaziamento gástrico fica mais lento e ela pode ser consumida.

Ácidos

Uma boa dica são os ácidos. Tanto o ácido acético do vinagre quanto o limão retardam o esvaziamento gástrico. Utilizar suco se limão ou adicionar vinagre na salada junto com o macarrão já ajuda muito.

Para quem não consegue ficar sem beber líquido na refeição, a água com limão é muito melhor do que um suco natural cheio de frutose, que vai fazer a glicemia subir.

Consumo de frutas

Algumas frutas que são “proibidas” para o diabético, assim como o macarrão, podem ser utilizadas em combinações para serem consumidas, por exemplo adicionando sementes, granolas, castanhas (como a castanha-do-pará), nozes, amêndoas, pistache, etc., aos cubos de melancia. Isso irá agregar gordura boa (gordura insaturada) na fruta, e ela pode ser consumida. Também é interessante acrescentar o suco de limão.

O limão tem frutose, mas pouca. O abacate tem um pouco de carboidrato, mas tem muitos benefícios. Ele é considerado um dos melhores alimentos funcionais, pois, além da gordura boa, ele tem vários compostos que baixam o cortisol (o hormônio do estresse). O abacate é calórico e deve ser consumido com moderação.

Macarrão, melancia, uva, etc., podem ser consumidos com moderação.

Beterraba e cenoura podem ser consumidas in natura (crua), e não cozidas, pois o cozimento modifica a estrutura desses amidos e eles ficam com uma passagem mais rápida e maior absorção no intestino.

Consumo de leite e derivados

O leite é insulinogênico (aumenta a insulina). O iogurte pode ser consumido, mas ele já foi fermentado e não deve ser usado sozinho, mas em uma composição.

O leite, por exemplo com achocolatado ou o café com leite, é inflamatório. O queijo e outros derivados, como o iogurte, são menos inflamatórios, pois, foram fermentados e já tiveram uma quebra do carboidrato e têm menos lactose.

O papel dos nutricionistas e culinaristas é explicar os alimentos que a pessoa pode combinar e comer, e não aquilo que a pessoa deve retirar da alimentação. A pessoa deve comer com essas combinações e evitar porções exageradas.

Benefícios do abacate

Todas as gorduras, de certa forma, são mais sacietogênicas, assim como a proteína. Por isso, é muito benéfico juntar uma gordura saudável insaturada com uma proteína.

No caso do abacate, recomenda-se preparar uma guacamole com pedaços de frango, ou fazer um creme de whey protein com abacate. A pessoa também pode usar antioxidantes, como o cacau ou o limão.

O abacate tem um benefício muito grande na refeição pré-sono, pois ele é rico em citosterol, que diminui o cortisol. O cortisol é um hormônio que deveria estar baixo por volta das 6 da tarde, mas as pessoas estão com ele alto devido ao desequilíbrio na alimentação e ao estilo de vida. O cortisol aumenta gordura, diminui massa muscular, causa retenção de líquido, inchaço, perda de libido, etc.

Existe um exame salivar que é medido de manhã e à tarde para verificar os níveis de cortisol. O cortisol alto à tarde dificulta o sono, e a pessoa tem a sensação de acordar cansada.

Controle do colesterol

Somente cerca de 2 a 5% do colesterol é genético. O colesterol é um desequilíbrio do corpo, e isso começa na saúde intestinal.

Equilibrando o corpo e fazendo atividade física, a maioria do colesterol abaixa e se equilibra.  O colesterol é necessário para muita coisa, principalmente para produção de hormônio e para construção da membrana das células. Com o colesterol muito baixo, as membranas das células vão se ressecando, gerando desequilíbrios.

Exame de glicemia

Após ligar o glicosímetro, pique um dos dedos com a agulha (isso não dói) para extrair uma gotinha de sangue.

Quem suspeita de pré-diabetes ou diabetes deve fazer o exame de glicemia após o almoço, jantar e café da manhã.

Coloque a gota de sangue na parte laranja da fita, e o glicosímetro irá mostrar o resultado.

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CRM: 124205. Doutorado em andamento em Endocrinologia e Metabologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Residência em Clínica Médica pelo Hospital Geral de Pedreira. Aperfeiçoamento em Medicina Tropical (Hanseníase) pela Universidade Federal de Alagoas (2006). Graduação em Medicina pela Universidad de Montemorelos (1997-2005). Título de Especialista em Endocrinologia e Metabologia pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (2013). Médica endocrinologista da Prefeitura Municipal de Carapicuíba (2013-atual). Médica endocrinologista da Prefeitura Municipal de Cotia (2007-2016). Médica do Programa Saúde da Família da Prefeitura Municipal de Vargem Grande Paulista (2006-2007).